InícioSociedadeMisericórdia caldense quer chegar ao centenário de “cara lavada”

Misericórdia caldense quer chegar ao centenário de “cara lavada”

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A Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha quer comemorar os seus 100 anos com os edifícios requalificados. Um trabalho que está já em curso e terá continuidade durante os próximos dois anos, explicou a provedora, Maria da Conceição Pereira, durante a cerimónia do 98º aniversário da instituição, festejado a 27 de junho.
O edifício “do Pinto”, já foi recuperado e atribuídas valências sociais, a nova cozinha vai “finalmente” ser construída e, de seguida, a Santa Casa quer avançar para a requalificação da casa de repouso, transformando-a numa ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas). O pré-projeto já foi entregue, no final de 2025, junto da Segurança Social que pediu alguns afinamentos e respostas, que deverão ser entregues até setembro. A intervenção será feita com os utentes nas instalações, pelo que atualmente já não estão com a sua capacidade lotada, permitindo alguma “possibilidade de movimentação” no espaço.
Jorge Varela, presidente da Assembleia Geral, destacou o “bom rumo” da instituição, apelando à ajuda de todas as entidades num “trabalho que se repercute na vida daqueles que mais precisam”.
Uma “feliz coincidência” levou a que o primeiro ato público do novo diretor distrital da Segurança Social de Leiria, Tinta Ferreira, numa IPSS tenha sido na Santa Casa da Misericórdia das Caldas, instituição que conhece bem e que “mede meças com as maiores e melhores instituições do distrito de Leiria”, salientou. O antigo autarca caldense também participou nos seus órgãos sociais e o pai (já falecido e que naquele dia faria anos), foi membro da mesa administrativa durante mais de duas décadas.
De acordo com Tinta Ferreira, estas instituições são “decisivas para o equilíbrio da nossa sociedade e das pessoas com que elas trabalham e quem é que vive” porque o Estado não consegue dar, sozinho, as respostas sociais. Manifestou, por isso, o seu “empenhamento” para o reforço das parcerias e da proximidade com estas instituições e deu nota do “esforço” do governo para que os acordos possam ter “valores mais equilibrados e que as estruturas possam ser mais sustentáveis”. O responsável destacou ainda que é “decisiva” a parceria com os municípios, que foi corroborada pelo presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, ao manifestar a continuidade ao apoio que tem sido dado.
O deputado Hugo Oliveira falou da importância das Misericórdias e do seu legado, destacando o “excelente” trabalho da instituição caldense. “Está sempre em movimento, em busca das melhores soluções, com os excelentes profissionais para garantir que haja o melhor atendimento e o melhor trabalho com os mais novos e os mais idosos”, referiu, destacando que nem sempre é um trabalho fácil. O também vereador caldense destacou o trabalho da provedora e da sua equipa, que tem garantido a sustentabilidade financeira da Santa Casa, mantendo a qualidade dos serviços prestados.

Falta de recursos humanos
Atualmente a Santa Casa da Misericórdia conta com cerca de uma centena de idosos em lar, 15 crianças no Lar da Infância e Juventude e outras 15 no Centro de Acolhimento Temporário, e 75 crianças no jardim de infância. Possui também um apartamento de autonomização, onde se encontram atualmente quatro jovens. A IPSS presta ainda apoio domiciliário a 60 utentes, possui o CLDS, a cantina social e a loja social e, periodicamente, distribui cabazes alimentares.
Estas valências são asseguradas por cerca de 150 colaboradores. “É uma instituição com uma carga pesada”, reconhece a provedora da instituição que paga, anualmente, em salários cerca de três milhões de euros.
Entre as principais dificuldades com que a instituição se depara está a falta de recursos humanos. Um trabalho exigente, que exige uma boa comunicação com crianças e idosos, e ao qual nem todos se adaptam. De acordo com Conceição Pereira, a maior parte dos colaboradores são imigrantes, sobretudo oriundos dos PALOP e do Brasil.
A Santa Casa está também a organizar o seu arquivo histórico, em colaboração do a Associação Património Histórico, e o objetivo passa por ter um espaço para o Arquivo Histórico na reabilitada Casa de Repouso. A provedora também já reuniu com várias entidades locais na preparação do programa comemorativo do centenário da instituição.

Um antigo espaço devoluto foi transformado em biblioteca
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