InícioSociedadeProjeto Lontra quer sensibilizar para proteção dos animais selvagens

Projeto Lontra quer sensibilizar para proteção dos animais selvagens

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Hugo Zina, biólogo e proprietário da Horta do Pé Descalço, encontrou uma lontra que tinha sido atropelada à beira da estrada e levou-a para o Centro Educativo. O animal, que é o símbolo da reserva ecológica e que se encontrava em bom estado de conservação, foi naturalizado, através do processo de taxidermia, e ficará em exposição no Centro Ecológico do Paul de Tornada, numa sala onde poderão ser conhecidas as espécies ali existentes.
A apresentação do animal recuperado por taxidermia, a par do projeto de sensibilização a ele associado, decorreu no passado dia 2 de julho, integrada nas comemorações do 17º aniversário da Reserva Natural Local do Paul de Tornada.
O projeto Lontra tem por objetivo a educação ambiental e alertar para a consciencialização sobre a problemática dos atropelamentos de fauna selvagem. A bióloga e co-responsável pelo projeto, Maria Tavares, explicou que, muitas das vezes, as estradas são “um dos maiores perigos para a fauna selvagem porque quebram os habitats e os animais, que não conhecem fronteiras, quando vão tentar fazer as suas transições normais, deparam-se com estes obstáculos”, especialmente as lontras que têm um comportamento noturno, com poucas condições de pouca visibilidade. Entre as ações planeadas está uma campanha de sensibilização que será colocada em mupis na cidade e também na freguesia de Tornada. Concebida pela ilustradora Catarina Freitas, a campanha terá por slogan “Abranda, que eu também tenho família” e pretende levar os condutores a diminuir a velocidade. Será também colocada sinalética de indicação de animais selvagens nas imediações do Paul de Tornada e feita monitorização com câmaras de infravermelhos, para perceber quais as rotas que os animais utilizam. “Queremos perceber que outros locais os animais usam e que são prioritários nós intervirmos, no sentido de colocar mais sinalética”, explicou Maria Tavares.
Será ainda criada uma atividade sobre a lontra para integrar no serviço educativo disponibilizado pelo Paul de Tornada e realizado um workshop de ilustração para adultos. Está ainda prevista a realização de uma formação, com o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto, para o público em geral, mas também vigilantes do ICNF e elementos dos departamentos ambientais da PSP e da GNR, porque “na maioria das vezes são eles quem faz a recolha, resgate e o transporte destes animais”, salientou a bióloga.

Mais divulgação
A Reserva Natural Local do Paul de Tornada é gerida pelo Município das Caldas da Rainha, pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, pela Associação PATO, pelo GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, e pela União das Freguesias de Tornada e Salir do Porto. O presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, deixou a garantia de continuarem a trabalhar para que a reserva tenha melhores condições, nomeadamente com a concretização das manutenções necessárias no espaço. Também presente na cerimónia, Fernando Pereira, representante do ICNF, destacou a importância daquela área protegida pela sua biodiversidade. Já Liliana Ferreira, presidente da Pato, lembrou o trabalho que foi feito, de restauração daquela área, mesmo antes da sua classificação. Esta associação foi inaugurada em 1988 e desde então esteve “no terreno” a fazer atividades e educação ambiental, lembrou a responsável, acrescentando que é “muito importante continuar a fazer a sua divulgação”.
Também o presidente do GEOTA, Américo Ferreira, referiu-se à necessidade de tornar o Paul de Tornada “mais visível” de modo a ser mais valorizado.

A taxidermia
Frederico Lobo, do ICNF, explicou que quem faz a naturalização tem de estar registado no ICNF e qual a legislação a aplicar relativamente às espécies protegidas. Explicou que não é permitida a detenção de espécies autóctones por particulares ou pessoas coletivas, a não ser para fins científicos ou pedagógicos. No caso concreto da lontra, foram contatados pela associação Pato que, depois de obtida a documentação, recorreu ao taxidermista Eduardo Cruz para naturalizar o animal selvagem. O especialista, que foi o primeiro português a participar, e premiado, num concurso do género em Budapeste (em 2021), apresentou diversos exemplares do seu trabalho, que só utiliza a pele da ave ou do mamífero, “que é vestida” num molde que é construído.

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