
Referência da mediação imobiliária na região, Lília Romão começou na hotelaria, mas a maternidade levou-a a repensar o seu percurso profissional
No setor imobiliário, onde a concorrência é intensa e a confiança é decisiva, Lília Romão construiu um percurso que se distingue pela estratégia e pela visão internacional. Empresária na área da mediação imobiliária, assume que o seu caminho foi feito por escolha e não por acaso, num percurso marcado pela disciplina, pela leitura humana e pela coerência pessoal.
Natural do Montijo, o seu percurso profissional começou longe do imobiliário. Antes de enveredar pela área que hoje a define, construiu carreira na hotelaria, onde chegou a desempenhar funções de chefia no Sporting Clube de Portugal e no El Corte Inglés, experiências que lhe deram uma base sólida em liderança, organização, exigência e relação com o público.
“Sempre tive um perfil comercial muito forte e uma enorme facilidade em comunicar e criar empatia”, afirma. Ser mãe mudou-lhe as perspetivas profissionais. “Não era o que queria para mim e para a minha família”, recorda, numa decisão que marcou uma viragem profunda na sua vida pessoal e profissional.
A mudança coincidiu com a vinda da família para a região Oeste. Teve outras experiências, como no setor do pronto a vestir. Já nas Caldas da Rainha, abriu a loja da Calzedonia. Só há cerca de dez anos decidiu apostar no setor imobiliário, uma escolha consciente e estratégica. “Foi um desafio natural: um mercado exigente, competitivo e profundamente humano”, descreve.
Se no início acreditava que vendia casas, depressa percebeu que a perspetiva é bem diferente: “Sei que construo relações, crio pontes e posiciono imóveis estrategicamente para que tenham a melhor visibilidade possível, quer a nível nacional quer internacional.”
Numa área altamente competitiva, os primeiros tempos trouxeram desafios. Ganhar credibilidade, construir carteira e conquistar a confiança dos clientes foi um processo exigente.
“Houve muita luta para ganhar a confiança das pessoas”, reconhece, sublinhando que, uma vez ultrapassada essa fase, o crescimento foi rápido e sustentado.
“Demorei alguns meses a perceber que este negócio não é sobre vender, é sobre confiança. Quando percebi isso, tudo mudou”, sublinha. A partir daí, passou a apostar no posicionamento, na estratégia e na exposição internacional, com resultados que acompanharam essa mudança de mentalidade.
Disciplina, visão estratégica e uma forte capacidade de leitura humana são as características que identifica como determinantes no seu percurso. A estas junta uma aposta constante na formação, que considera essencial para se manter relevante num mercado em permanente transformação. “Faço sempre duas a três formações por ano, é fundamental estar sempre um passo à frente”, afirma.
Mas foi a aposta na internacionalização que tornou a empresária verdadeiramente diferenciada no mercado. A presença em feiras e eventos internacionais permitiu-lhe levar a Costa de Prata além-fronteiras e atrair novos públicos. “Não fico à espera que o cliente apareça, eu vou ao encontro dele”, diz, explicando que aposta fortemente no marketing digital, na visibilidade estratégica e no posicionamento premium dos imóveis.
“Hoje o cliente pesquisa, compara, analisa”, refere, acrescentando que a mediação deixou de ser apenas intermediação para passar a integrar estratégia, marketing, conhecimento jurídico e inteligência emocional. “Quem não evoluir, fica para trás”, destaca.
Para a empresária, o papel feminino nos negócios surge de forma natural, rejeitando a ideia de ser um desafio acrescido por ser mulher. “Nunca senti necessidade de provar nada por ser mulher. Nunca confundi massa muscular com massa encefálica. Cada um tem a sua função no mundo. Eu sei qual é a minha”, realça.
Acredita que ser mulher é uma dádiva e nunca um obstáculo: “É poder ser mãe, empresária, líder e feminina ao mesmo tempo. Nunca quis ser igual. Quis ser competente.” A autoridade, defende, constrói-se com consistência e resultados, não com imposição. “Quando somos consistentes, os resultados falam por nós.”
Apesar dos avanços alcançados ao longo das últimas décadas, Lília Romão lembra que o Dia Internacional da Mulher simboliza uma luta histórica marcada por coragem e sacrifício e que “ainda existe caminho a fazer, sobretudo ao nível mental”. “A igualdade começa na educação, no respeito e na valorização do mérito, independentemente do género”, sublinha.
Na economia local e em cargos públicos, a empresária vê as mulheres como verdadeiros agentes de transformação. “A mulher tem uma visão integradora. Pensa na família, na comunidade, na sustentabilidade”, refere, acrescentando que, no imobiliário, essa abordagem ganha especial relevância, porque “não estamos apenas a vender casas, estamos a ajudar a construir bairros, cidades e projetos de vida”.
Olhando para o futuro, Lília Romão quer continuar a crescer no mercado internacional e consolidar a Costa de Prata como referência global de investimento imobiliário. Mais do que números ou transações, ambiciona deixar impacto, formando e inspirando. “O meu maior objetivo é ser coerente com quem sou, honrar a minha família e elevar a minha profissão”, diz, reforçando que “ser mulher nunca foi obstáculo. Foi sempre a minha maior força.”










