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Tasquinhas receberam mais de 150 mil pessoas ao longo de dez dias

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Multidão no encerramento

Organização estima que tenha sido o ano em que mais pessoas passaram pelo certame. Com menos tasquinhas, os que participaram venderam mais, mas a inflação ameaça afetar os lucros. Ficam ainda os alertas relativos ao associativismo

Chegou este domingo ao fim mais uma edição das Tasquinhas das Caldas. Este, segundo o presidente da Câmara, Vítor Marques, “foi o ano em que tivemos mais gente nas tasquinhas”, estimando que o certame tenha recebido mais de 150 mil pessoas ao longo dos dez dias.
No encerramento, António Ferreira, da ACR Campo (coletividade que está a celebrar 50 anos), foi o representante das associações e colocou a tónica do seu discurso nas dificuldade sentidas no associativismo, com vários alertas, mas também uma mensagem de esperança.

“O número de tasquinhas a reduzir nos últimos anos não é nada bom sinal, nós precisamos que as coletividades deste concelho sobrevivam e resistam porque são uma fonte forte de movimento e dinamização das freguesias”, apontou. O tema acabou por marcar as várias intervenções.

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O presidente da Assembleia Municipal, Fernando Costa, falou dessa questão e lembrou que o certame começou há 32 anos e que é a grande demonstração do que é as Caldas, com a hospitalidade que é imagem de marca deste território, garantindo ainda que está sempre pronto para ajudar. “Já foram 24 tasquinhas”, apontou, dando os parabéns aos participantes e deixando “recados” aos que não vieram, para que venham no próximo ano. “Quantas saudades eu tenho das Trabalhias com as suas tachadas, eu quero ver cá as Trabalhias no próximo ano e quero ver cá a Foz do Arelho com o seu marisco no próximo ano, quero ver cá os amigos da malta dos Carreiros, de A-dos-Francos, quero ver cá o Casal do Rei, de Vidais, e quero ver cá Salir do Porto com a sua sopa de navalheira, somos todos precisos e devemos estar todos presentes”.

Também Vítor Marques abordou as dificuldades no associativismo notando que o suporte associativo é algo que diferencia este território e que sem ele os custos seriam mais elevados. “A maior parte das pessoas que aqui passaram nunca tiveram uma participação associativa” e “está na altura de dar um bocadinho”, apontou.

Segundo o edil caldense, todos os restaurantes fizeram mais refeições, mas este ano eram menos restaurantes do que no ano passado.

“Todos faturaram mais”, por um lado porque os preços aumentaram, mas, por outro, pelo aumento do número de refeições. “Esperamos que o resultado líquido do processo seja acima do ano anterior”, afirmou, notando que 2025 havia sido “o melhor ano de sempre e nesta edição faturaram mais e fizeram mais refeições”, mas há que ter em conta a inflação.

Para o futuro pretendem melhorar a área do comércio, no exterior, entre outras ideias. O autarca falou ainda das melhorias nas condições das cozinhas e do sistema de exaustão. “Com o Footmania ficámos apreensivos, apesar de não ter sido nada com a restauração, mas criou uma ansiedade muito grande de que corresse tudo bem”, admitiu. Em relação ao calor, Vítor Marques garantiu a continuidade dos investimentos para melhorar as condições da Expoeste. O orçamento das tasquinhas deste ano foi de 215 mil euros (mais IVA).

Também o presidente da Junta de Salir de Matos, Flávio Jacinto, que falou em nome dos autarcas de base, mostrou esperança e agradeceu aos voluntários. “Este é um evento que representa as Caldas”, afirmou.

450 no dia do emigrante
Na quarta-feira, dia 13 de agosto, realizou-se o tradicional Dia do Emigrante, com um almoço convívio que juntou 450 pessoas, de vários países, sendo a França, os Estados Unidos da América, a Suíça, Bélgica e o Canadá alguns dos mais representados. Depois do almoço havia animação musical pela tarde dentro, antes de à noite atuar a cantora Rebeca.

Falamos com Belarmino Figueiredo, que é natural de Viseu, mas escolheu, depois de emigrado em Annecy, na França, a cidade das Caldas para viver. Em terras gaulesas, onde viveu mais de quatro décadas, “fazia queijo que não levava… leite líquido”, conta, explicando que era produzido com leite em pó, produtos químicos e manteiga.

Antes de emigrar, corria o ano de 1969 e tinha Belarmino 28 anos (e já depois de combater em Angola cerca de três anos), trabalhava numa fábrica de sapatos em Belém e não tem dúvidas em afirmar que hoje faria exatamente a mesma escolha. Esta cidade surgiu na sua vida de forma casual. “A primeira vez que vim às Caldas ainda não tinha casa e decidi comprar aqui um apartamento e um terreno em frente onde mandámos construir a nossa casa”, recorda. Todos os anos Belarmino vem a este almoço e gosta do convívio. “É interessante, partilham-se histórias e encontram-se outras pessoas” que também se aventuraram a atravessar fronteiras.

O repasto é confecionado pelas tasquinhas, este ano pela AE “Os Amigos do Pintas”, CRCD Mata do Porto Mouro, GD Landal, ACR Nadadouro e ASAS Lobeiros. É na cozinha desta última tasquinha que encontramos Maria Arsénia, como é conhecida Maria da Conceição Costa. Apesar de estar a confecionar o almoço, também ela foi e ainda é emigrante. “É um dia especial para mim”, afirma à Gazeta das Caldas. Com 87 anos, e enquanto descasca batatas para fritar, exclama que “estamos aqui é para ajudar” e depois partilha a sua história. “Fui para Toronto, no Canadá, tinha quatro filhos pequenos”. O marido tinha ido primeiro e quando chegou com os filhos, a mais nova de apenas dois anos, já tinham casa. “Correu tudo bem, eu não sabia ler e sempre trabalhei”, diz-nos, contando que o seu primeiro e único trabalho, que exerceu durante 24 anos, foi a lavar roupa de hospitais. “Gostei do Canadá, mas gosto muito de Portugal”, afirmou.

O presidente da Assembleia Municipal, Fernando Costa, lembrou a criação deste dia, por parte da Junta de Freguesia. Mostrou ainda o seu reconhecimento aos caldenses que foram em busca de melhores condições de vida, mas depois investiram na sua terra, onde construíram habitações e negócios e contribuíram para o progresso da cidade. Já o presidente da Câmara, Vítor Marques, salientou a proximidade que têm tentado criar através dos Bairros Comerciais Digitais. Na cerimónia esteve ainda Jorge Ventura, da Associação Regional Caldense. Pelas 17h00 realizou-se uma homenagem, no monumento ao Emigrante, na entrada Sul da cidade.

 

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