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AIRO espera ver projeto avançar ainda este ano

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Terreno dos Texugos está preparado para receber a instalação da centra fotovoltaica

da Região Oeste, apresentou oficialmente em 2023 o projeto da Comunidade da Rainha, uma comunidade de energia que começou a ser idealizada ainda em 2021, mas ainda não passou do projeto, sobretudo por entraves de natureza burocrática e processual.
Segundo o presidente da AIRO, Jorge Barosa, o principal fator de atraso esteve ligado ao Plano Diretor Municipal, uma vez que foi necessário alterar o propósito do terreno protocolado com a Câmara das Caldas da Rainha para a implementação da central fotovoltaica. “Uma vez aprovada a alteração do PDM, procedeu-se à limpeza do terreno e ao levantamento topográfico. Atualmente, estamos na fase de aprovação legal do projeto e esperamos que tudo esteja legalizado até ao próximo outono”, adiantou.
O projeto encontra-se estruturado em quatro fases, cada uma correspondente a um megawatt de potência instalada, sendo esta apenas a primeira. De acordo com Jorge Barosa, a primeira fase já se encontra totalmente assegurada do ponto de vista da procura. “Esta primeira fase está completa. Agora, o foco é garantir a construção.”
Os atrasos na concretização do projeto obrigaram a uma renegociação com a EDP, cujo protocolo foi assinado no início de 2023 e, entretanto, caducou.”Tivemos de renegociá-lo devido aos valores, mas conseguimos manter os preços originais. Houve resistência por parte deles em relação a certas premissas, mas após uma negociação mais firme, conseguimos dar continuidade ao contrato, com atualizações que são inexpressivas”, refere o dirigente.
Jorge Barosa espera que o processo não sofra mais atrasos e que as obras possam avançar ainda este ano. “Gostaríamos que tudo estivesse concluído enquanto Caldas da Rainha é a Capital Europeia do Comércio Local, pois este projeto faz parte dessa candidatura. O nosso objetivo é obter a autorização até ao outono para iniciar as obras e justificar a inclusão deste parâmetro no processo da Capital Europeia do Comércio Local.”
Para o responsável da AIRO, os constrangimentos burocráticos continuam a ser um problema estrutural em Portugal, sobretudo em projetos de transição energética. “Infelizmente, Portugal ainda apresenta muitos obstáculos nesta área”, afirmou, sublinhando que a evolução da procura energética exige maior rapidez nos processos de licenciamento. “Com a chegada de novas empresas tecnológicas a investir em Portugal, precisaremos de muita energia para as sustentar. Se não houver uma abertura na parte burocrática, enfrentaremos um problema grave de escassez ou de custos elevadíssimos”, comentou, acrescentando que “se fosse uma empresa privada a investir neste projeto desde 2021, como é o caso da AIRO, provavelmente já teria desistido devido à morosidade do sistema.”
Ainda assim, mantém o otimismo quanto ao projeto. “Gostaria de dizer a todos os que aguardam por este projeto que não desanimem. Ele vai concretizar-se. Será o primeiro projeto deste âmbito na Península Ibérica e a AIRO está empenhada em torná-lo realidade, apesar de todos os entraves”, concluiu.

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