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Comunidades de energia prometem revolucionar a fatura das empresas

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Projeto de 15 milhões de euros financiado pelo PRR vai revolucionar o acesso das empresas de Rio Maior à energia verde e deve ficar pronto este an
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Partilhar eletricidade verde, cortar custos fixos e acelerar a descarbonização sem precisar de investir em centenas de painéis fotovoltaicos próprios. É esta a promessa que as Comunidades de Energia Renovável (CER) estão a trazer para as empresas – mas não só – no caminho para a sustentabilidade. Projetos desta natureza estão a nascer pela região. Partem da criação de centrais que produzem energia, que é partilhada pelos membros da comunidade a uma fração do preço de mercado na rede tradicional, enquanto ajuda a reduzir as emissões das empresas e da região.
Foi precisamente para mostrar como este modelo funciona na prática e responder ao ceticismo que ainda existe junto do tecido empresarial que, no passado dia 19 de maio, o Centro de Negócios e Inovação de Rio Maior recebeu o evento “Rio Maior – Comunidades de Energia Renovável”, promovido pela SES Energia em coorganização com a Câmara Municipal de Rio Maior.
A sessão, dirigida sobretudo a empresários e industriais do concelho, destacou o potencial destas soluções para reduzir custos energéticos, facilitar o acesso à energia renovável a preços mais competitivos, acelerar metas de sustentabilidade e permitir a adesão sem necessidade de investimento direto por parte das empresas.
“O objetivo foi desmistificar o modelo de entrega de energia, apresentando projetos que já desenvolvemos pelo país, como o do Vitória Sport Club e o do Autódromo Internacional do Algarve”, disse Miguel Silva, da SES Energia, acrescentando que a empresa está também a desenvolver um projeto nas Caldas da Rainha. Trata-se de uma CER de 1 megawatt que será implementada na Lagoa Parceira, numa área de até dois hectares e que deverá entrar em fase de construção ainda este ano.
“Produzimos energia numa localização e, através de acordos locais, os consumidores podem integrar o projeto e receber a energia gerada via rede, sem necessidade de instalações próprias”, explicou, sublinhando que o funcionamento depende do operador da rede de distribuição, a E-REDES, nos sistemas de baixa e média tensão.
A lógica das comunidades energéticas estende-se ainda, segundo explicou, à dimensão social do consumo. “As empresas produzem e consomem durante a semana, mas, ao fim de semana, quando estão fechadas, os colaboradores podem receber o excedente de energia nas suas casas.”
Se as Comunidades de Energia Renovável procuram alterar a forma como empresas e consumidores acedem à eletricidade, o projeto que está a ser desenvolvido pelo Município de Rio Maior pretende ir mais longe e aplicar esse conceito à escala de uma área empresarial inteira.
Designado “Rio Maior New Generation Business”, o investimento está a ser implementado na Área de Acolhimento Empresarial do concelho, que integra a zona industrial e o Parque de Negócios. O objetivo passa por transformar este espaço numa infraestrutura preparada para responder aos desafios energéticos, tecnológicos e ambientais dos próximos anos.
O vereador com o pelouro da Atividade Económica e Desenvolvimento Empresarial, Miguel Santos, enquadrou a iniciativa na dinâmica económica do concelho. Em 2024, as empresas de Rio Maior ultrapassaram os mil milhões de euros de volume de negócios e registaram exportações de 126 milhões de euros, números que sustentam a aposta municipal.
“A nossa Área de Acolhimento Empresarial tem crescido e precisava de um passo em frente em termos de inovação, eficiência energética, tecnologia e comunicações”, disse à Gazeta das Caldas.
Para concretizar essa ambição, o município avançou com uma candidatura ao PRR de 15 milhões de euros, num projeto que Miguel Santos descreve como único na região de Lisboa e Vale do Tejo pela sua dimensão e características.
A intervenção assenta em quatro pilares. O primeiro é a produção de energia renovável através de uma central fotovoltaica com 5,5 hectares e seis megawatts de capacidade. O segundo é o armazenamento energético, com baterias de sete megawatts destinadas a acumular excedentes e equilibrar consumos. O terceiro eixo está ligado à mobilidade sustentável, prevendo postos de carregamento elétrico que vão ficar disponíveis para as frotas das empresas, colaboradores e público geral, e uma estação de hidrogénio verde para veículos pesados. O quarto passa pela criação de infraestruturas digitais, incluindo cobertura 5G em toda a área empresarial.
Toda esta operação será coordenada por uma plataforma inteligente e por um posto de comando central, num investimento de 1,5 milhões de euros, permitindo gerir em tempo real a produção, armazenamento e distribuição da energia.
No centro do modelo estará uma Comunidade Energética gerida através de uma parceria público-privada entre o município e uma associação de empresas. A meta é disponibilizar energia a preços mais competitivos às empresas instaladas e aumentar a sua autonomia energética.
“O objetivo é garantir condições muito mais vantajosas para as empresas da zona, aumentando a sua competitividade”, explicou o vereador.
Mas o município vê neste projeto mais do que uma redução da fatura elétrica. “Ganha o concelho e ganham as empresas”, sintetizou Miguel Santos, defendendo que a combinação entre energia renovável, carregamento elétrico, conectividade e novas soluções tecnológicas permitirá valorizar toda a área empresarial.
Apesar da dimensão do investimento, o autarca sublinha que Rio Maior decidiu avançar. “Somos um município de média dimensão, com cerca de 23 mil habitantes, mas não tivemos medo de abraçar um projeto desta envergadura, que vai garantir um posicionamento de Rio Maior na sustentabilidade, melhorar as condições às empresas que cá estão e na atração de investimento”, afirmou.
O interesse das empresas no projeto parece acompanhar essa ambição. Das 60 empresas atualmente instaladas na área, 30 já manifestaram formalmente intenção de integrar a futura Comunidade Energética, ainda antes da conclusão do projeto.

Óbidos também tem projeto
Também em Óbidos, a energia renovável está a ser encarada como uma ferramenta de competitividade económica e de redução de custos para famílias, empresas e instituições. O município prepara a criação de um parque fotovoltaico no Codorno, junto às Gaeiras.
O investimento deverá rondar os 15 milhões de euros e permitir uma capacidade de produção entre 15 e 20 megawatts. A expectativa do município é que a energia gerada tenha impacto direto na fatura elétrica dos aderentes, com poupanças entre 35% e 45%.
O parque está previsto para terrenos da antiga lixeira do Codorno. O Município “vai contratar o Estudo Geotécnico e Geofísico, e estamos a reunir – através da Câmara e da Agência OesteSustentável – com várias entidades, de forma a verificar candidaturas e financiamentos possíveis”, adiantou Filipe Daniel, presidente da Câmara.
A estratégia energética de Óbidos não se limita, contudo, a esta infraestrutura. Estão previstos investimentos em produção própria de energia nos complexos escolares, complexo logístico, piscinas municipais e estádio municipal, onde as estruturas poderão passar a funcionar simultaneamente como cobertura e superfície de geração elétrica.

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