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Mariscadores preocupados com futuro da pesca na Lagoa

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A interdição da pesca de bivalves na Lagoa é por “tempo indeterminado”

A proibição da apanha de ameijoa boa, berbigão e ligueirão por tempo indeterminado por elevados teores de E. coli (bactéria cuja deteção na água sinaliza contaminação por esgotos) decretada recentemente está a preocupar a Associação de Pescadores Mariscadores Amigos da Lagoa de Óbidos (APMALO). Numa carta dirigida aos pescadores e mariscadores, a associação que os representa alerta para o facto da sua profissão estar em “vias de extinção” pois sente que a “apanha de bivalves para os profissionais da lagoa de Óbidos ficou exterminada”.
A APMALO questiona de quem é a responsabilidade de existir ainda esgoto a correr para a Lagoa de Óbidos e pede ação às autoridades. Recorda o protocolo que possui com o IPMA, que faz recolhas de marisco e água para analises semanais e que já pediu, aos diversos organismos locais, para ser informada sobre derrames de esgoto nos afluentes da Lagoa, sem que nunca o tenham feito.
Preocupada com a sobrevivência dos cerca de uma centena de mariscadores no ativo na Lagoa de Óbidos, a APMALO alerta também para o perigo para a saúde pública da apanha dos bivalves por parte dos pescadores lúdicos e turistas, bem como para a continuidade da “apanha ilegal” para fornecer os restaurantes e festivais que acontecem durante o verão.
A direção da associação queixa-se também de não ter resposta a nenhuma das suas pretensões, nomeadamente de melhores condições de trabalho para os pescadores e mariscadores, com a criação de balneários e a limpeza do ancoradouro da asa branca (canal do Bom Sucesso). Também sem resposta continua a proposta, apresentada às entidades que tutelam a lagoa, para o rebaixamento de cerca de 30 hectares do cabeço do areinho, para a criação de bivalves, bem como o desassoreamento do corpo inferior da Lagoa, para permitir uma melhor renovação das águas.
A associação pede a união de todos os mariscadores e pescadores na “luta” pela atividade e diz sentir que a “pesca profissional não conta para as entidades que têm responsabilidade quer na lagoa ou [a nível] local”, destacando ainda a sua importância para o turismo.
Na reunião que teve com a ministra do Ambiente, na semana passada, o presidente da Câmara das Caldas alertou para as interdições à apanha de bivalves durante vários meses, o “grave” assoreamento no corpo da lagoa, o decréscimo da entrada de água doce e a existência de focos de poluição “pontual e difusa”.

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