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Convívio tem nova gerência e acrescenta comida de Cabo Verde

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José César esteve ligado à restauração durante 55 anos

José César vai deixar o Convívio, após 55 anos dedicado ao setor da restauração. Espaço já tem nova gerência

José César, 72 anos, vai deixar o Convívio. O empresário da restauração, natural de Figueiros, no Cadaval iniciou a sua carreira aos 17 anos, no Hotel Estoril Sol, em Cascais pois foi chamado pelo seu irmão, que era cozinheiro. Começou como ajudante de cozinha naquele hotel de cinco estrelas e foi aprendendo o ofício observando o que faziam os outros chefes. Posteriormente, José César também passou pelo Restaurante Sagres, que era marisqueira e cervejaria,também em Cascais.

Cumprido o serviço militar na Pontinha, José César muda-se para as Caldas em 1977 e vai trabalhar como cozinheiro na Pensão Cristina, situada na Cova da Onça. Ali laborou durante um ano até se mudar para o Convívio, na Praça da Fruta, restaurante onde foi o cozinheiro durante 13 anos. “Fazia um pouco de tudo o que se relacionava com a comida portuguesa”, disse José César que acabou por sair na um pouco antes do estabelecimento encerrar para dar lugar ao Banco Montepio Geral.

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“Ainda servi os cantores Zeca Afonso, Paulo de Carvalho e Marco Paulo enquanto trabalhei no Convívio”, recordou o cozinheiro que destacou, entre pratos tradicionais, o Bife à Convívio que os clientes tanto pediam. “Vendia muitos rissóis de camarão ao balcão”, recordou o empresário.

Entre 1991 e 1992, José César teve uma sociedade com Manuel Conde e ambos geriram o Pic Nic no espaço onde hoje é o Convívio, na Rua do Sacramento.

“Trabalhei que nem um louco e consegui comprar a parte dele”, relembrou José César que, a partir de então, passou a ter o seu próprio restaurante.

“Passei a contar com ajuda do meu filho”, afirmou o empresário, acrescentando que este faleceu em 2011, algo que o deixou devastado. Passou a contar apenas com a ajuda da sua mulher. Ao todo, José César empregou no local cinco a seis pessoas em diferentes fases.

“Arranquei com pratos de cozinha tradicional”, contou referindo que o seu prato de Queixadas ganhou o primeiro prémio do Concurso de Gastronomia em 1996.

No ano seguinte concorreu com o prato “Sabores do Mar à Convívio” e voltou a ganhar o melhor prato. Também inovou no que diz respeito às sobremesas com a sua Pera Bêbada, acompanhada por uma trouxa. Continuou a ser distinguido, e hoje os troféus estão num espaço seu, na sua aldeia cadavalense.

Ao longo da carreira foi sempre inovando a ementa com pratos como Crepes de Pescada ou Choquinhos com camarão e batata a murro, que também foi premiado. Numa das últimas edições do concurso, em 2015, foi galardoado com o prémio de melhor cozinheiro e, mais uma vez, de melhor prato com nova proposta de Queixadas, desta vez recheadas com farinheira.

“Tive um grande sucesso nestes 35 anos aqui neste espaço e no total, 55 anos neste ramo”, comentou o empresário que diz que não sabe o que é passear pois dedicou a sua vida ao ao seu negócio.

E não esquece os dias em que vinha do Cadaval de motorizada nos invernos frios e chuvosos, recordando assim os dias de sacrifício e de luta para conquistar os seus objetivos. Chegou a servir uma centena de refeições num só dia no seu restaurante.

Aposta nos sabores lusófonos
Atualmente, no Convívio vive-se a passagem para uma nova gerência.

Jesuína Pina e Elizete Semedo são as novas responsáveis do restaurante, ambas são de Cabo Verde e que vieram para as Caldas em 2024. Jesuína Pina, mais conhecida por Ji, laborou anteriormente em Lisboa e em Óbidos como cozinheira.

A empresária também trabalhou com alguns chefes portugueses em Cabo Verde e explicou que a diferença entre as duas cozinhas se prende com um simples facto: “nós usamos muito mais temperos do que os cozinheiros de cá”.

Quando chegou às Caldas, Jesuína Pina teve a noção de que havia pouca oferta de comida cabo-verdiana nas Caldas. E, por isso, com a sua sócia, Elizete, decidiu “unir os nossos sabores à ementa portuguesa”. Ambas asseguram a gestão do restaurante Convívio, desde meados do passado mês de setembro.

A casa mantém os pratos os pratos do dia de sempre como as Queixadas, Pá de Porco, Cozido à Portuguesa, Cachaço de Bacalhau e ainda as Sardinhas Assadas durante o verão.

Têm sopa diariamente e também asseguram vários pratos para take-away.

Novidade é que há Cachupa, um prato típico de Cabo Verde que tem feito sucesso entre os clientes do Convívio. Trata-se de um prato que leva milho estufado e vários tipos de feijão, várias carnes e enchidos.

Jesuína Pina quer ainda mandar vir moreias de Cabo Verde pois já teve vários pedidos de clientes por este prato de peixe.

E há vontade em continuar a acrescentar pratos tradicionais como Bife de Atum, Guisado de Carne de vaca com mandioca que é tipicamente servido com arroz branco por paragens cabo-verdianas.

Às sobremesas lusas como, por exemplo, o Pudim de Ovos, juntam-se outras cabo-verdianas,como o Pudim de Queijo e de Pão, feitas pelas responsáveis. O menu do prato no Convívio custa entre os 12 e os 16 euros.

As novas sócias, contentes por poder dar continuidade ao trabalho do sr. Zé, por quem os seus clientes ainda perguntam, têm mais duas pessoas que as ajudam no serviço e na cozinha.

Contam com o apoio do empresário que está a ajudar nesta fase de transição do espaço.

Jesuína Pina está a passar os seus conhecimentos de cozinha a Elizete Semedo que está a gostar desta nova experiência que une os pratos dos dois países.

ºO restaurante Convívio, situado na Rua do Sacramento, 26 abre às 9h00 até às 15h30 e depois para os jantares volta a abrir as suas portas entre as 19h00 e as 21h00, entre as segundas-feiras e os sábados.

As novas sócias, Jesuína e Elizete mostram um dos pratos típicos de Cabo Verde que tem feito sucesso junto dos clientes: a Cachupa
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