Francisco Rita assume candidatura ao Montepio Rainha D. Leonor

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Candidato critica últimos elencos diretivos da entidade e rejeita ligações ao PSD da lista que encabeça

Médico encabeça lista que pretende destronar atuais corpos sociais da instituição. Ato eleitoral foi agendado para o próximo dia 12 de fevereiro.

O médico Francisco Rita encabeça uma lista às eleições para a associação mutualista Montepio Rainha D. Leonor, assumindo-se como alternativa aos atuais corpos sociais da instituição. O ato eleitoral chegou a estar agendado para 18 de dezembro, mas foi adiado, devido ao estado de emergência e foi, entretanto, marcado para 12 de fevereiro.
O ex-presidente do Conselho de Administração, José Luís Ferreira, integra o elenco ao Conselho Geral numa lista que conta com João José Nogueira como candidato à presidência da Assembleia Geral e Sabrina Ribeiro ao Conselho Fiscal.
À Gazeta das Caldas, Francisco Rita assumiu que a candidatura que encabeça pretende configurar-se como “uma alternativa” ao Conselho de Administração liderado por João Marques Pereira
“Estou aposentado e não estava nos meus horizontes candidatar-me. Não parti voluntariamente para este combate, mas acabei por ceder às pressões de um grupo de sócios e por ver que o Montepio precisava de um projeto alternativo”, declarou o médico.
No manifesto com que se pretende apresentar a votos, a lista assume que a instituição “teve um grande desenvolvimento com a construção do Lar Dr. Ernesto Moreira e com as residências assistidas”. Porém, para Francisco Rita, a entidade sofreu um desvio nos últimos anos.
“Se olharmos para as cúpulas diretivas do Montepio, percebemos que a área médica deixou de ser o foco. Isso tem levado a uma degradação a nível de instalações e de dificuldade na prestação de serviços da Casa da Saúde”, lamenta o clínico, que trabalhou durante três décadas na instituição.
De resto, para o candidato, que deverá formalizar a entrega da lista nas próximas semanas, cumprindo os estatutos, o Montepio perdeu o estatuto de referência na prestação de cuidados de saúde à população que teve durante muitos anos. “Passámos para uma situação em que os próprios caldenses, quando têm um problema de saúde, já não pensam em ir ao Montepio ou ao Hospital, escolhendo Torres Vedras, Leiria ou Santarém”, observa.
“Caldas, os caldenses e os sócios do Montepio merecem mais do que as indecisões destes elencos diretivos”, considera Francisco Rita, rejeitando, por outro lado, a existência de ligações políticas ao PSD da lista que lidera. “Esse é um facto com que convivo bem, porque não tenho qualquer pedra do sapato. As pessoas ou são ligados ao PSD ou ao PS ou a outros partidos, mas isso não tem interesse para mim. Nunca olhei para a politiquice. Interessa-me é em ter pessoas disponíveis para elaborar uma ação de conjunto em prol da instituição”, frisa o candidato, de 69 anos, que nasceu em Aljustrel e começou a trabalhar em 1981 no Montepio, quando instalou o primeiro aparelho de ecografia geral.
Entretanto, as eleições no Montepio Rainha D. Leonor foram marcadas para 12 de fevereiro, sendo um dado adquirido que os corpos sociais em função se vão recandidatar. A lista deve ser apresentada nos próximos dias.
A construção de um novo hospital no edifício adquirido à EDP, à entrada da cidade, é um dos temas centrais em discussão no futuro da instituição, fundada em 1860. ■