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Nobel Jon Fosse estará em Óbidos em outubro

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O festival que na sua 11ª edição irá refletir sobre o corpo, o território, o cuidado e a ecologia, no âmbito da temática “Para além da Pele”, inspirado na filósofa Silvia Federici, foi apresentado a 13 de julho no Teatro Inatel, em Lisboa. Durante 11 dias autores, artistas e criadores irão juntar-se em Óbidos, para participar em centenas de atividades.
Logo no primeiro fim de semana estará na vila o escritor e dramaturgo norueguês, Jon Fosse, prémio Nobel da literatura em 2023. Pedro Sousa, curador do FOLIO Autores, apresentou mais 10 autores já confirmados, entre eles a escritora basca Aixa de la Cruz e a francesa Catherine Millet, as brasileiras Ana Maria Gonçalves e Vera Iaconelli, a indiana Kiran Desai, o canadiano Yann Martel, a franco-marroquina Leila Slimani e o argelino Kamel Daoud. A eles juntam-se os portugueses Valter Hugo Mãe, Ricardo Araújo Pereira, António Cabrita e Marco Neves, entre outros. Também Candela Varas, curadora do FOLIO Mais, apresentou diversas presenças internacionais já confirmadas, numa programação híbrida, que se propõe a juntar literatura, escuta e ecologia. Em conjunto com o FOLIO Educa, “promoveremos uma intervenção participativa de recuperação ecológica através da plantação de árvores, envolvendo escolas e também os mais velhos”, disse, referindo-se à plantação de 200 árvores. A participar pela primeira vez no FOLIO como curador do capítulo Educa, João Couvaneiro, explicou que a edição deste ano contará com 75 oficinas para as escolas, dos primeiros anos de idade ao secundário, mas também aos lares, numa lógica de educação permanente e ao longo da vida. Nas escolas estarão escritores, ilustradores, músicos, ceramistas, cenógrafos, que” irão percorrer com os nossos alunos e séniores os bastidores do ato criativo”, ao serem convidados a escrever.
O FOLIO Tec, que tem pela primeira vez uma curadoria autónoma, assumida por Nuno Gaio, diretor executivo do Parque Tecnológico, apresenta um programa organizado em oito mesas e quatro eixos: humano, trabalho e organização; corpo ciência e tecnologia; Inteligência Artificial (IA), decisão e futuro; IA como mente pensante.

175 criadores na Nova Ogiva
Mafalda Milhões volta a assumir a curadoria do FOLIO Ilustra e leva consigo cerca de 175 criadores ao festival. Na sua “casa”, a Galeria Ogiva, fará um trabalho curatorial que se propõe a “pensar a relação que constitui o corpo, uma construção simbólica e cultural”. Flávia Bonfim, será co-criadora, co-curadora, e é também a ilustradora residente, na edição que conta com mais países representados. “Vamos trazer a ilustração a habitar outros suportes, outros lugares. A criação de diálogos entre imagem, materialidade e leitura no espaço na Casa da Ilustração que é a Galeria Nova Ogiva”, referiu Mafalda Milhões.
A programação do FÓLIO BD – Flexágono será liderada pela exposição “Retaliation First”, de Christopher Sperandio (Pinko Joe), que dará também origem ao lançamento de um livro durante o festival, explicou o curador, Pedro Moura, acrescentando que nesta edição será incluída uma pequena mostra de filmes curtos de animação.
Parceira do festival desde 2016 e desde 2018 sua coorganizadora, a Fundação INATEL assume, a programação musical com a curadoria Folia, com a presença de diversos artistas, como Ricardo Ribeiro, Royal Bermuda, Cristina Clara ou Bateu Matou. A música estará também em destaque na programação do FOLIO Boémia.
Durante a apresentação do festival, o vereador Ricardo Duque apresentou o Conselho Estratégico da Literatura e do Conhecimento, que tem entre os seus conselheiros fundadores Pilar del Río, José Luís Peixoto, Mia Couto, Afonso Cruz, Valter Hugo Mãe, Tatiana Salem Levy, José Eduardo Agualusa, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares e Pedro Freitas e pretende “fixar as bases científicas, metodológicas e estratégicas do ecossistema literário de Óbidos”. Um passo que “dá suporte institucional ao compromisso assumido com a candidatura de Óbidos a Capital Portuguesa da Cultura 2028”. Também presente, Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, manifestou o desejo de tentarem que Óbidos seja Capital Portuguesa da Cultura, mas assumindo que, na realidade, “já o é”.
O presidente da Câmara, Filipe Daniel, realçou que em Óbidos a cultura não é vista “como um evento sazonal, mas sim como um eixo central de desenvolvimento”, destacando que o investimento na área representa 17% do orçamento municipal. Esta edição do FOLIO terá um orçamento de 535 mil euros.

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