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José Correia dedicou a sua vida à dança tendo ensinado várias gerações

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José Correia vivia num Lar em Pousos (Leiria)

José Correia faleceu a 29 de maio, com 92 anos. O bailarino e professor de dança estava num lar em Pousos (Leiria) e é agora recordado pela Gazeta das Caldas e por alguns amigos e antigos alunos que partilharam vivências com este coreógrafo, responsável pela formação de várias gerações de bailarinos nesta região.
Chegou às Caldas em finais dos anos 60, quando tinha 34 anos e contou em entrevista à Gazeta das Caldas- para um suplemento de dança que foi publicado em 2003 – que vinha descansar da “barafunda que se vivia em Lisboa”.
Teresa Marques foi amiga do bailarino e conta que José Correia ficou instalado na Pensão Daniel que pertencia à sua família com mais três jovens.
“Eram todos solteiros e foram saindo quando casavam e iam fazer a sua vida. O Zé Correia foi o único que foi ficando”, contou Teresa Marques, que também fez parte, desde pequena, dos grupos de bailado que ele coordenou, foi uma das participantes de uma reunião de partilha que decorreu na Gazeta das Caldas, a 11 de julho, com o objetivo de recordar a vida do professor-bailarino nas Caldas.
Mesmo depois da Pensão Daniel ter encerrado, José Correia “veio viver para uma quarto alugado na casa da minha mãe e era como se fosse família”, lembrou Teresa Marques acrescentando que ele passava connosco os Natais, as passagens de Ano e “também estava em todas as festas de aniversário e casamentos da família”, contou. Recordou que ele sempre viveu nas Caldas, tendo morado também no Bairro da Ponte. Só saiu quando foi para o lar, em Pousos.
Para esta amiga do bailarino, ele não veio para as Caldas com a intenção de dar aulas até porque quando chegou integrou as aulas de Isabel Affonseca. “Eu teria uns cinco anos e ele levou-me para as aulas de ballet”, contou. Mas a vida dá muitas voltas e logo no ano seguinte, José Correia que já era então conhecido com o sr. Piruetas começava a dar aulas de dança na Columbófila. “Depois passou para os Pavilhões do Parque”, contou Jorge Sales, um dos bailarinos dos seus grupos.
Em 1975 passa a lecionar Dança na Casa da Cultura com destaque para o ballet.
O Grupo de Bailado da Casa da Cultura, sob a coordenação de José Correia apresentou espetáculos em várias localidades como recordou Jorge Sales acrescentando que apresentaram espetáculos em Maiorga, na Benedita, Vila do Conde, Bombarral, Fundão, Leiria e Santarém.
“O que se fazia nessa altura era levar as artes em localidades onde a dança nunca tinham entrado”, acrescentou o ator Zé Carlos Faria salientando que aquele era um trabalho pioneiro na época.
Este lidou com José Correia várias vezes, sempre que havia momentos de dança nas peças do Teatro da Rainha que esteve durante vários anos na Casa da Cultura.
José Carlos Faria recorda que José Correia além do conhecimento técnico das várias modalidades, “era um homem que amava a dança e além da formação também ensinava noções gerais sobre esta arte”. Manuela Baroso foi bailarina dos vários grupos de José Correia. “Ele teve um papel muito importante pois abriu os horizontes para a Cultura pois até víamos filmes e discutíamos textos sobre a dança no mundo”.
Além do mais ele era também um coreógrafo o que implicava “conhecimento mas também vocação”, contou.
Todos recordam que ele era um professor “exigente”e que relhava muito quando sentia que os alunos não se dedicavam. “Não era uma pessoa doce, mas tinha bom humor”, lembraram os seus antigos estudantes. O professor estabeleceu ligações de amizade sobretudo com o primeiro grupo que constituiu na Casa da Cultura.
Vanda Aguiar, em 1981, ingressou na Escola de Bailado da Casa da Cultura e foi bailarina de muitas das suas coreografias. A seu pedido começou também a dar aulas aos mais pequenos e era referida nos programas dos espetáculos como assistente do coreógrafo. Recorda também idas à Benedita e ao Bombarral, lugares onde José Correia ensinava dança e que depois acabava por promover espetáculos entre os grupos da região.
Isabel Barreto cresceu na Casa da Cultura onde a família também frequentava ateliers de outras artes como de fotografia e do coro. E como tal, cedo integrou o Grupo de Bailado e recorda-se de ter feito estágios de dança em Lisboa, através de contactos que José Correia.
A professora de dança lembra-se que chegaram inclusivamente a fazer ações de formação na Companhia Nacional de Bailado. Manuela Baroso sublinhou que fez formações específicas que decorreram por exemplo na Madeira. “Lembro-me de ter integrado o estágio internacional de dança do Funchal”, contou.
Antes de Zé Correia, só Isabel Affonseca dava aulas de dança, mas não tinha a mesma dinâmica dele. “Ele de facto teve um papel central no ensino da dança nas Caldas”, disse Jorge Sales acrescentando que tudo o que era teatro de revista “era ensaiado na íntegra por ele ou dava a parte relacionada com a dança”.

Biblioteca oferecida à Escola Vocacional
A Casa da Cultura que encerrou a sua atividade no início dos anos 90 do século passado. Mas esse facto não o fez esmorecer pois “ele continuou a lecionar dança num ginásio nas Caldas, além de manter os grupos que tinha na Benedita e na Bombarral”.
Apesar de ensinar a grupos de amadores, José Correia ensinava normas e técnicas que os seus alunos não esqueceram.
Algumas das alunas são hoje professoras de dança como Vanda Aguiar e Isabel Barreto, reponsáveis pela Escola Vocacional de Dança.
Vanda Aguiar e Manuel Baroso ainda lecionaram turmas de dança nas instalações dos Bombeiros e a primeira, mais tarde, abriu o Atelier da Criança e o Atelier da Dança. José Correia ainda lecionou nesse espaço.
Mais tarde, com Isabel Barreto, Vanda Aguiar criou a Escola Vocacional de Dança das Caldas que funciona nas instalações dos Pimpões. “E ele ainda lecionou lá algumas aulas”, contaram das docentes.
Além do mais, José Correia ofereceu a esta escola o espólio de livros de dança. “Ele foi um grande incentivador para todas nós”, disseram as docentes que hoje se orgulham de dar aulas a
“Hoje damos aulas a filhas de alunas que frequentaram as aulas de José Correia na Casa da Cultura”, referiram as docentes acrescentando que nalguns casos, a Escola Vocacional de Dança das Caldas já acolhe também netas dessas bailarinas da Casa da Cultura.
José Correia viveu várias décadas nas Caldas da Rainha, tendo-se dedicado de corpo e alma à dança. O bailarino, professor e coreógrafo, apesar de já estar no lar em Pousos ainda veio assistir a algumas matinés de bailado ao CCC.

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