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AD Óbidos faz história e sobe à Divisão de Honra de futsal

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A equipa em comunhão no final da partida. Na bancada, os adeptos não arredaram pé para os festejos da equipa

Clube alcançou o principal objetivo da época e garante presença no escalão maior do futsal distrital apenas cinco anos após a fundação

A Associação Desportiva de Óbidos escreveu uma das páginas mais importantes da sua ainda curta história ao garantir a subida à Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria. O feito foi alcançado na derradeira jornada do campeonato com uma vitória por 6-2 sobre o Juventude, que ditou a subida apenas no segundo ano da equipa sénior e cinco anos após a fundação do clube.

A festa fez-se no Pavilhão Municipal de Óbidos, completamente lotado para assistir a uma conquista que era assumida como prioritária pela direção. Para o presidente da AD Óbidos, Telmo Bernardino, a promoção representa a concretização de um objetivo definido desde o início da temporada.

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A partida nem começou da melhor forma, com a equipa leiriense a adiantar-se ao minuto 5. Mas Daniel Urbano, Miguel Costa e Tomás Aniceto voltaram a colocar a AD Óbidos no trilho certo. Na segunda parte, o Juventude voltou a marcar primeiro, mas Martinho, Miguel Costa e Diogo Tomás colocaram o resultado em 6-2.

“Já no ano passado tínhamos este sonho de subir, mas não fomos capazes. Recuperámos baterias e definimos outra estratégia. Este era o nosso segundo ano nos seniores e sabíamos que tínhamos de subir. Era fundamental para o projeto que queremos e para o que ambicionamos para o futuro”, afirmou.

O dirigente destacou o crescimento sustentado do clube, que celebrou recentemente o quinto aniversário e conta já com cerca de 210 atletas distribuídos por todos os escalões. “No ano passado os nossos juniores subiram à Divisão de Honra logo no primeiro ano. Agora conseguimos o mesmo com os seniores”, explicou.

A subida surge como resultado de um projeto que alia a aposta nos jovens à experiência de jogadores veteranos. Segundo Telmo Bernardino, essa combinação foi determinante para o sucesso alcançado numa competição que considera particularmente exigente.
“Costumamos dizer que é muito mais difícil subir na 1.ª Distrital do que a permanência na Divisão de Honra. Esta divisão tem equipas com muita qualidade. Terminámos o campeonato com três equipas na luta pela subida, separadas por apenas um ponto”, salientou.
Um dos aspetos que mais orgulha a direção é a ligação criada entre a equipa sénior e os escalões de formação. O presidente destacou o papel dos jogadores mais experientes como referências para os mais novos.

“O que mais me orgulha é ver que os miúdos já não pedem o número 7 ou o 10. Querem o 13 do Rosa, o 18 do Careca ou o 76 do Aniceto. Ver os jovens da formação quererem usar os números dos seus ídolos nos seniores da AD Óbidos é o maior orgulho que podemos ter”, referiu.

A próxima época trará novos desafios e uma responsabilidade que o dirigente encara com orgulho. “É muito importante para a AD Óbidos fazer parte do leque regional e representar bem a vila de Óbidos”, sublinhou.

“Xá” Morais despede-se após cumprir a missão
A subida ficou também marcada pela despedida de Artur “Xá” Morais, treinador que liderou o projeto sénior desde o seu arranque e que anunciou o fim da ligação ao clube e uma pausa na carreira de treinador.

O técnico considerou ter cumprido a missão que o levou a aceitar o desafio. “O objetivo do clube era subir à Divisão de Honra e conseguimos. É a primeira subida do escalão de seniores, portanto, a história está feita”, afirmou.

Artur Morais recordou as dificuldades do primeiro ano, marcado por lesões e por um plantel ainda em fase de construção, contrastando com a realidade desta temporada. “Este ano foi diferente. O clube recrutou jogadores com mais qualidade e experiência, o que permitiu este desfecho”, destacou.

O treinador revelou que inicialmente nem sequer pretendia regressar ao ativo, mas acabou convencido por antigos jogadores seus que hoje fazem parte da estrutura do clube. “O meu intuito foi retribuir ao Careca, ao Telmo e ao Marco Oliveira aquilo que eles me deram enquanto jogadores”, explicou.

Cumprida a missão, a decisão agora passa por voltar a focar na vida familiar e profissional, mas também com o desgaste acumulado após mais de quatro décadas ligado ao futebol e ao futsal. “Tenho mais de 40 inscrições na Associação de Futebol de Leiria como praticante e treinador. Isso desgasta”, reconheceu.

Ainda assim, fez questão de valorizar o trabalho da restante equipa técnica, em particular de Luís Carapucinha. “O treinador principal foi, na verdade, o Carapucinha; ele fez o trabalho praticamente todo. Eu era apenas o interlocutor”, afirmou.
Apesar da alegria da promoção, Artur Morais admite que ficou a sensação de que a equipa podia ter ido mais longe. “Por um ponto, esta equipa merecia o título. Tanto individual como coletivamente, éramos a melhor equipa”, considerou.
Sem o campeonato, mas com o principal objetivo alcançado, a AD Óbidos encerra uma época histórica e prepara-se agora para enfrentar o desafio da Divisão de Honra, num percurso de crescimento que continua a surpreender pela rapidez, mas também pela solidez das bases construídas.

O encontro começou mal para os obidenses, mas terminou com uma vitória robusta e em festa
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