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Cinema foi mote para mais uma noite de gala do Acrotramp

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Um dos momentos dos “mais pequenos”, em Mary Poppins

Sarau reuniu cerca de 300 ginastas e mais de 1400 pessoas no pavilhão. Município anunciou ampliação do espaço e homenagem a Stélio Lage

As luzes apagaram-se, a música tomou conta do Pavilhão Rainha Dona Leonor e, durante cerca de duas horas e meia, as Caldas da Rainha transformaram-se numa montra para o melhor que se faz na ginástica, com uma viagem ao mundo do cinema a servir de fio condutor.

No final da noite, o sentimento era de missão cumprida para Stélio Lage, presidente do Acrotramp, que não escondia a satisfação pelo resultado alcançado. “O que me estão a dizer é que este foi um dos melhores saraus que já realizámos”, afirmou, destacando a qualidade das equipas convidadas e o nível técnico apresentado.

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A primeira parte do espetáculo foi dedicada aos atletas do clube e ao trabalho desenvolvido ao longo da época. As classes do clube, desde os mais pequenos da iniciação aos da competição, pontuaram alguns dos momentos marcantes do mundo do cinema, desde a invenção dos irmãos Lumière aos efeitos especiais, passando por clássicos como Música no Coração e Mary Poppins, a animação com as Princesas Disney e outros clássicos Disney, Harry Potter, Avatar, a comédia, os super-heróis…

Entre os convidados da segunda parte esteve o acrodance do AM Dance Studio, que apresentou o mesmo esquema com que venceu o Got Talent de Espanha. Além do grupo da Póvoa do Varzim, contaram-se equipas de ginástica acrobática do Sporting, que proporcionaram momentos sempre muito especiais, e vários especialistas de trampolins e tumbling, incluindo o português campeão europeu, Vasco Peso.

Para Stélio Lage, o evento vai muito além de uma simples exibição. O festival assume-se como um momento de celebração do trabalho realizado ao longo do ano e, simultaneamente, como uma oportunidade para os mais jovens contactarem com a excelência da modalidade. “É importante que os nossos ginastas vejam campeões do mundo e da Europa para se inspirarem”, sublinha.

O Acrotramp conta atualmente com cerca de 200 atletas na formação e atravessa um período de renovação interna, tanto na estrutura técnica como na direção. “Tivemos um ano difícil, mas o clube obteve 10 pódios nacionais, realizou um sarau desta dimensão e mantém 200 jovens na formação. Cumprimos as nossas metas de formação, competição e divulgação”, resumiu.

O único travão ao crescimento continua a ser a falta de espaço. Um problema que poderá ficar resolvido nos próximos anos. O presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques, anunciou que o município vai avançar com a reabilitação e ampliação do Pavilhão Rainha Dona Leonor. “O objetivo passa por criar mais espaço para a ginástica e para outras modalidades”, realça o autarca. A intervenção enquadra-se na estratégia municipal de reforço das infraestruturas desportivas, tendo em vista a candidatura das Caldas da Rainha a Cidade Europeia do Desporto em 2029, pelo que esse é o objetivo temporal para a concretização da intervenção. “Admito que vai ser árduo e complexo, mas vamos trabalhar para que isso aconteça”, garantiu.

Além dessa novidade, Vítor Marques anunciou que a sala de ginástica vai passar a ter o nome de Stélio Lage, em homenagem ao trabalho por este desenvolvido na modalidade. “Foi uma surpresa total e sinto-me muito honrado”, confessou.

Vasco Peso foi um dos convidados mais aplaudidos da noite. O ginasta teve uma das ovações, depois de ter pedido para repetir a sua série de encerramento, que não lhe correu bem à primeira. Para o atleta, campeão europeu de tumbling, participar numa exibição perante centenas de pessoas tem um significado diferente da competição.

“O Stélio faz um esforço enorme para demonstrar a ginástica ao concelho e ao país. É sempre uma experiência incrível e fico muito feliz por poder estar cá praticamente todos os anos”, afirmou.

Depois de conquistar o título europeu, o ginasta encara o reconhecimento como o resultado de um longo percurso. “Já são 17 anos como atleta de tumbling. Saber que estes 17 anos finalmente deram algum resultado é muito gratificante”, referiu.

Vasco Peso aproveitou também para defender uma maior valorização das modalidades menos mediáticas. “Portugal tem falhado bastante com modalidades que não são olímpicas e que não são futebol”, considerou. Na sua opinião, dar visibilidade a estas disciplinas é essencial para atrair novos praticantes e evitar o abandono precoce dos atletas.

“Se o país começar a valorizar mais estas modalidades, já é uma vitória gigante. Mais atletas motivam-se para entrar no desporto e mais atletas se motivam para continuar”, sustentou.

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