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Caetana Santos transformou desilusão em sonho mundial

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Aos 13 anos Catena Santos conseguiu o apuramento no seu aparelho de eleição, o duplo minitrampolim

Há um ano, Caetana Santos saiu da Scalabis Cup, em Santarém, com a desilusão de ter falhado o apuramento para o Campeonato do Mundo por Grupos de Idades por apenas duas décimas. Este verão, voltou ao mesmo palco e transformou a frustração em alegria. A ginasta de 13 anos do Acrotramp Clube das Caldas garantiu um dos quatro lugares nacionais em duplo mini-trampolim e vai representar Portugal no Campeonato do Mundo por Grupos de Idades, que decorrerá entre 9 e 15 de novembro, em Nanjing, na China.
“O apuramento aconteceu no mesmo pavilhão onde, no ano passado, não tinha conseguido a vaga. Fiquei muito feliz”, recorda a jovem atleta, admitindo que a memória desse momento lhe serviu de motivação. “Pensei muito nisso e acabou por me dar forças”, afirma.
A qualificação representa a concretização de um objetivo antigo. “Eu tinha o sonho de ir aos Campeonatos do Mundo e este ano consegui concretizá-lo. Abdiquei de muito tempo pessoal porque era algo que queria muito”, realça a jovem atleta, natural da Benedita.
O percurso de Caetana na ginástica começou em 2019, na sua terra natal, onde praticava a modalidade por lazer. Como ali não existia competição, foi encaminhada para o Acrotramp Clube das Caldas, onde, um ano depois, aceitou o convite dos treinadores Stélio Lage e Margarida Alexandra (Xana) para integrar a vertente competitiva. Desde então, tem evoluído tanto no duplo mini-trampolim – aparelho onde diz sentir-se “mais à vontade e natural” – mas também no trampolim.
A rotina da jovem é exigente. Entre escola e treinos praticamente diários, sobra pouco tempo livre. “Às vezes saio da escola e venho logo para o treino, sem conseguir passar por casa. Noutros dias, vou a casa apenas meia hora para me vestir e lanchar antes de vir para o ginásio. É duro, mas como é o meu sonho, compensa”, diz, convicta.
Depois de conquistar o título nacional de trampolim individual na categoria Base em iniciados, no ano passado, estreou-se esta época na primeira divisão de juvenis, alcançando o terceiro lugar nacional. O apuramento para o Campeonato do Mundo foi a cereja no topo do bolo.
O treinador Stélio Lage considera que o apuramento recompensa a dedicação da atleta e a capacidade de recuperação demonstrada ao longo da época. “O trajeto dela não começou bem na prova nacional, onde teve uma falha. Como o apuramento dependia dos dois melhores resultados em três momentos, perdeu a primeira oportunidade”, explica.
A resposta surgiu nas duas competições decisivas, a Coimbra Fest e a Scalabis Cup. “Esteve excelente, chegando às finais tanto em duplo mini como em trampolim. Na última prova somou 88 pontos, superando largamente a marca necessária para o apuramento”, destaca o treinador, lembrando que a disputa envolveu entre duas e três dezenas das melhores ginastas nacionais do escalão, para apenas quatro vagas.
Para Stélio Lage, o potencial da atleta vai muito além desta qualificação. “A Caetana tem muita facilidade em assimilar, está a realizar movimentos técnicos com um nível de dificuldade muito superior ao habitual para a sua idade. Se não houver lesões e mantiver o foco na preparação física e na alimentação, poderá chegar rapidamente às seleções nacionais absolutas”, afirma.
O técnico acredita mesmo que essa evolução poderá acontecer já no próximo ano. “Ela tem todas as condições para atingir a Elite com apenas 14 anos, algo muito raro em Portugal”, acrescenta.
Apesar da alegria pelo apuramento, a participação no Mundial representa também um desafio financeiro. Até integrarem as seleções absolutas, os ginastas e respetivas famílias suportam integralmente as despesas com viagens, alojamento e participação nas competições internacionais.
“O esforço vai ser muito grande. Vamos procurar apoios junto da autarquia, das juntas de freguesia e das empresas privadas”, explica Stélio Lage, lamentando que a ginástica continue a ter menos capacidade de atrair patrocínios do que outras modalidades, como o futebol.
Quanto às expectativas para a estreia mundialista, o treinador prefere manter os pés assentes na terra, sem esconder a ambição. “Vamos competir contra potências como a China, os Estados Unidos e a Inglaterra. O principal objetivo é ganhar experiência, mas estamos a preparar séries de elevada dificuldade. Se a Caetana conseguir executá-las bem, poderá ficar ao nível das melhores ginastas do mundo.”
Também Caetana olha para novembro como mais um passo no seu percurso. “Vai ser uma experiência incrível”, diz. A jovem já prepara as duas séries que pretende apresentar na China e acredita que, com trabalho, conseguirá executá-las ao mais alto nível. “Se continuar a trabalhar e a acreditar, creio que vou conseguir”, afirma, assumindo outro objetivo para o futuro: chegar às seleções nacionais absolutas e afirmar-se entre as melhores ginastas portuguesas.

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