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“Febre” do Mundial também se vive com intensidade nas Caldas da Rainha

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Sentados no chão, nos bancos da Praça ou nas esplanadas, centenas de caldenses optam por ver os jogos da seleção na Praça 5 de Outubro

A iniciativa da ACCCRO e da Câmara leva os caldenses para a rua, promove o convívio e dá nova vida à Praça 5 de Outubro durante o Mundial. Dos adeptos aos comerciantes, todos aprovam o ecrã gigante e sonham com uma caminhada de Portugal até ao dia 19 de julho

Por estes dias, e esperemos que até ao dia 19 de julho, a Praça 5 de Outubro transforma-se a cada jogo da Seleção Nacional num mini estádio de futebol, onde os caldenses se juntam para “tratar a febre do futebol” e apoiar Ronaldo e companhia rumo ao tão ansiado título de campeões do mundo. Na praça juntam-se miúdos e graúdos, uns só a ver e a vibrar com a “bola”, outros a aproveitar as esplanadas dos bares para acompanhar o jogo com uma fresquinha e qualquer coisa para entreter o estômago.

A iniciativa é da ACCCRO – Associação Empresarial das Caldas da Rainha e Oeste, em parceria com a Câmara das Caldas. Ao fundo da antiga Praça do Peixe é colocado um ecrã LED gigante, que possibilita que se assista em boas condições às partidas em qualquer ponto do tabuleiro, com um sistema de som a condizer.

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Os adeptos juntam-se uns à frente do ecrã, como que numa pequena bancada, outros ficam a assistir “de camarote”, que é como quem diz nas esplanadas dos bares.

O ambiente é o mesmo de um miniestádio. Antes, depois e nas pausas dos jogos, é garantida música e animação. Vibra-se em conjunto com os melhores lances, suspira-se com as oportunidades falhadas, protesta-se, mas também se grita em uníssono quando há golo.

João Campinas mora nas Caldas da Rinha e acha “fantástica” a iniciativa da ACCCRO e da Câmara de promover que se assista aos jogos da seleção de todos nós em comunidade, até porque o espaço oferece condições para tal. “Esta praça é, por excelência, o espaço para este tipo de eventos, e não só. Considero que tem estado subaproveitada e esta iniciativa é um passo excelente no sentido de agregar mais gente das Caldas em torno de eventos que dizem respeito a todos nós”, considera.

Não pôde estar no jogo contra o Congo, mas não quis perder o segundo, contra o Uzbequistão e veio na companhia do filho, “precisamente para estarmos juntos. O objetivo é estarmos todos unidos para ver e desfrutar. Toda a alegria e a emoção em comum têm outra intensidade e energia. Sejam as notícias boas ou más, se estivermos juntos é sempre melhor”, atira. E acrescenta:

“Podíamos ver em casa, mas aqui é mais fresco e vive-se o jogo de uma forma diferente. Este é o sítio certo para ver futebol”.

A mesma opinião tem Álvaro Teixeira, que veio do Bombarral de propósito para assistir ao Portugal-Uzbequistão nas Caldas. “Acho uma excelente iniciativa. No Bombarral não há muitos espaços para estarmos, a não ser nos cafés, mas não queremos estar fechados, queremos estar ao ar livre”, considera, acrescentando que também prefere desfrutar do jogo em grupo do que em casa. “As pessoas estão todas juntas e é muito mais agradável”, sublinha.

Os dois adeptos acreditam que Portugal tem boas hipóteses para fazer uma boa campanha neste Mundial disputado no México, Estados Unidos da América e Canadá. “Tenho esperança que vá longe”, diz João Campinas. “Acho que Portugal é uma das seleções candidatas, mas não a favorita. Se ganharmos o Mundial, nunca deixará de ser uma surpresa, apesar de todo o entusiasmo que se criou, mas temos boas condições para o fazer”, acredita.

Para António Teixeira, “chegar aos quartos de final é o mínimo, menos do que isso não será um bom desempenho”, defende. Atingido esse patamar, há ordem para sonhar. “Temos jogadores para isso, mas também há seleções muito fortes”, aponta.

João Campinas acha que o precalço no primeiro jogo até pode ser positivo. “Mostra aos jogadores que temos de estar no nosso melhor. Se os jogadores cumprirem o seu potencial, que é fabuloso, terão uma alegria fantástica e nós também”, diz, manifestando o desejo de que a iniciativa se possa estender até ao dia 19 de julho, o que será sinal de que Portugal está na final!

Bares aprovam
A iniciativa de transmitir os jogos da Seleção Nacional na Praça 5 de Outubro foi recebida de forma positiva pelos proprietários dos bares daquela zona, que veem no evento uma oportunidade para dinamizar o espaço com um público diferente e em horários em que não é habitual o movimento ser tão forte, sobretudo nos primeiros jogos.

Paulo Mendes, do Bar 120, diz que “a ideia foi bem pensada e se tudo correr bem com a nossa seleção será uma mais-valia”. No entanto, lamenta que a decisão não tenha sido mais atempada.

“Coloquei cabos e rede de internet na véspera e cheguei a investir 500 euros num televisor, duas horas depois ligaram-me a dizer que haveria um ecrã gigante. Andei três dias a tentar, mas consegui devolver o televisor porque nem sequer o tinha tirado da caixa. Isto devia ter sido planeado com mais antecedência, pois todos sabemos quando há um Mundial… Ainda assim, é melhor do que não haver nada”, disse.

De resto, elogia a iniciativa de dinamizar a praça. “Numa terça-feira, sabe sempre bem trabalhar um pouco mais do que o habitual. Acaba por animar a praça. Estes dois jogos às 18 horas trazem um movimento diferente. No sábado será mais tarde e depois veremos se conseguimos avançar na competição”.

O empresário acha mesmo que a iniciativa deve ser seguida noutras ocasiões. “Esta praça está há seis anos sem receber eventos. O Mercado de Natal estava a ganhar fôlego, no último ano teve até um carrossel para as crianças, criava aqui muito movimento com as famílias. Depois, a nova entidade à frente do município decidiu colocar essas atrações no Parque e ficámos sem o mercadinho aqui, o que foi uma perda para nós em dezembro. O Natal é comercial e deve estar perto dos comerciantes”, defende.
Paulo Mendes destaca o dinamismo da nova direção da ACCCRO, “que está disposta a criar eventos. Está a trabalhar bem e a demonstrar o dinamismo que a associação precisa”.

Do outro lado da Praça, Sónia Nunes, do Real Sabor, também se mostra satisfeita com o fluxo de pessoas que ali acorre para os jogos. “Mais gente é sempre bom e vende-se sempre mais. À noite a Praça já tem movimento, mas estes eventos durante o dia na Praça são positivos porque trazem muito mais pessoas e este convívio é muito saudável”, diz.

Se não houvesse o ecrã gigante, Sónia Nunes não tinha planeado nada de especial para o Mundial. “Os meus vizinhos costumam colocar televisões na rua, mas eu não costumo fazer isso. Foi uma boa aposta”, resume.

E, tal como quem só vai ver os jogos, também os empresários querem que Portugal tenha um bom percurso, até porque isso significa movimento extra. Paulo Mendes acredita que a entrada em falso até pode ter sido positiva. “Se tivessem ganho [ao Congo] com facilidade, os jogadores podiam pensar que já eram campeões e não vestiriam a camisola a sério. Agora têm de se esforçar”, diz.
Mesmo não sendo grande fã de futebol, Sónia Nunes gosta de ver a seleção. “Para o nosso país é bom que a seleção vá longe. No primeiro jogo fiquei triste porque vi a bandeira, mas acho que os jogadores não estiveram presentes”, ironiza, para depois mostrar esperança e ambição: “Somos pequenos, mas queremos voar!”, exclama.

Ecrã também em Óbidos
Também em Óbidos a Câmara Municipal criou condições para que os municipes possam acompanhar o Campeonato do Mundo em comunidade. A Praça da Criatividade é, por estes dias, uma Fanzone criada em parceria com a Federação Portuguesa de Futebol, aproveitando o anfiteatro ao ar livre daquele espaço.

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