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São Martinho atrai estágios de seleções de remo de mar

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A seleção portuguesa esteve de 14 a 19 de abril em São Martinho e teve a companhia da seleção inglesa

As condições únicas da baía fazem de São Martinho um dos locais de treino preferenciais em Portugal para a modalidade

São Martinho do Porto está a tornar-se um epicentro do remo de mar em Portugal. As condições únicas que o mar no interior da concha proporciona para a prática desta modalidade fazem com que seja um dos locais de treino preferenciais da seleção nacional de remo de mar, que ali esteve em estágio de 14 a 19 de abril, mas também de seleções estrangeiras, como a inglesa e a alemã, esta que já é “cliente assídua”.

O último estágio realizado pela seleção lusa nas águas calmas da baía insere-se na preparação para as provas do circuito internacional Filippo, em Itália, e surge numa fase estratégica do calendário. “Optámos por vir estagiar agora em abril para aferir o andamento para as próximas provas”, explicou Pedro Fraga, selecionador nacional, à Gazeta das Caldas, sublinhando que o regresso está já agendado para o final de maio, para a realização de testes de avaliação da equipa nacional.

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O grupo presente integra alguns dos principais nomes do remo de mar português, incluindo o double misto formado por Patrícia Batista e Afonso Costa, campeões da Europa e quartos classificados no último campeonato do mundo. A estes juntaram-se Bruna Parente, que compete em skiff feminino, Allison Russo, que participou no campeonato da Europa do ano passado em skiff, e Dinis Costa, atleta inserido nos trabalhos diários da federação no centro de estágio da Figueira da Foz. A estes juntou-se Marine Taillandier, que está em processo de transição para a nacionalidade portuguesa e está a ser integrada no programa de desenvolvimento da Federação Portuguesa de Remo.

A escolha de São Martinho do Porto não é casual. As características naturais da baía são ideais para a prática da modalidade, oferecendo condições de segurança e variabilidade que permitem simular diferentes cenários de competição. “Procuramos ondas mais pequenas e vento, mas sempre com um mar que permita fazer entradas e saídas em segurança”, referiu Pedro Fraga, destacando a semelhança com as condições encontradas na Figueira da Foz, onde a equipa treina regularmente, mas no interior da barra, no Cabedelinho e na Praia do Forte. “São Martinho assemelha-se a isso, mas em vez de uma barra artificial, temos uma barra natural espetacular e muito bonita. É fantástico estar aqui”, sublinha o técnico que também foi remador olímpico.

O estágio decorreu num contexto de forte aposta na qualificação olímpica da equipa lusitana, com o foco centrado no desenvolvimento individual dos atletas que poderão integrar a seleção nos Jogos de Los Angeles, em 2028. O calendário inclui o Europeu, em setembro, e o Mundial, em outubro, na China, estando já em vista o Mundial de 2027, em Oeiras.
Mas, neste estágio, a seleção portuguesa não esteve sozinha, uma vez que o seu programa de treinos coincidiu com a presença da seleção inglesa na vila do concelho de Alcobaça, o que permitiu fazer um plano de treinos partilhado e competitivo. Nesses trabalhos, houve possibilidade de simular competição, o que proporcionou “excelentes indicadores” do nível competitivo da equipa nacional, notou Pedro Fraga.

O selecionador destacou o apoio da Junta de Freguesia de São Martinho do Porto, nomeadamente ao nível logístico, mas considera que o potencial da baía poderá ser ainda mais explorado. “Penso que o local tem ainda mais potencial; a autarquia poderia olhar para isto com mais interesse para dinamizar este recurso, que é extraordinário”, afirmou.

Um “centro” de estágios
Os trabalhos das seleções nacionais em São Martinho são recorrentes, mas a baía também já recebe seleções estrangeiras, o que resulta de um trabalho de captação e articulação desenvolvido por Luís Ahrens Teixeira, antigo remador olímpico e presidente da Federação Portuguesa de Remo. Com um percurso ligado à modalidade ao mais alto nível, o dirigente tem vindo a aproveitar a rede de contactos internacionais para afirmar a baía como destino de eleição para estágios.

Segundo o próprio, a vinda da seleção inglesa surgiu na sequência de uma relação consolidada ao longo de vários anos no remo de pista. Luís Ahrens Teixeira é proprietário da Herdade da Cortesia, conhecida por receber estágios de seleções de remo de pista de água doce. Agora, quer transportar essa realidade também para São Martinho, com o remo de mar. “Venho para São Martinho desde que nasci. O meu avô era daqui e o meu tio-avô era médico na região”, diz, reforçando a ligação com a localidade.

“Estou a transferir para São Martinho os contactos que estabeleci ao longo de 30 anos e a credibilidade que ganhei”, explicou, referindo que este modelo já permitiu trazer à região a seleção alemã, que realizou quatro estágios e deverá fixar a baía como base de preparação até aos Jogos Olímpicos de 2028.

A aposta passa por posicionar São Martinho do Porto no circuito internacional da modalidade, tirando partido das condições naturais da baía, consideradas ideais para o treino. Luís Ahrens Teixeira destaca a versatilidade do local, que permite adaptar a prática às condições do mar ao longo de todo o ano. “A baía oferece ondas moderadas e segurança, possibilitando treinar praticamente todos os dias”, sublinhou, comparando o potencial da zona, no remo de mar, ao que Peniche representa para o surf.

“Este foi o primeiro estágio dos ingleses e creio que seguirão o mesmo caminho dos alemães, pois gostaram muito da experiência. A ideia é atrair cada vez mais equipas estrangeiras”, reforça.

Para além da dimensão internacional, o responsável defende que esta dinâmica pode ter impacto direto no desenvolvimento local da modalidade, que ainda tem pouca expressão. “Não faz sentido que a juventude de São Martinho não pratique vela ou remo de mar”, afirmou, considerando que a presença de equipas estrangeiras poderá funcionar como catalisador para uma maior mobilização. “Espero que este seja o início de uma mudança”, concluiu.

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