
Sessão destacou a importância das redes de contacto, da diversidade e da colaboração para criar valor e reforçar a resiliência empresarial
A importância das redes de contacto e da construção de comunidades diversas esteve em destaque na sessão “Comunidade é Património: a tua rede de contactos é o teu maior ativo”, que decorreu a 20 de março no Prontos Impact Village, reunindo empresários, responsáveis institucionais e agentes locais para o empreendedorismo para refletir sobre o papel do networking na economia e no desenvolvimento territorial.
Logo no primeiro painel, dedicado ao valor das relações, ficou clara a ideia de que o networking eficaz vai além da lógica transacional. Para Cláudio Santos, CEO do Next Group, o verdadeiro valor nasce da capacidade de dar antes de receber: “Se a gente, enquanto comunidade, olha para o outro e entende o que eu posso fazer por ti, eu estou a entregar valor”, sublinhou, defendendo que relações baseadas apenas em interesse imediato tendem a não perdurar.
Também Ana Monteiro, coordenadora da Ponte Hub, destacou a dimensão humana das comunidades, defendendo que estas implicam vulnerabilidade e interdependência. “Eu sozinha não sou inteira”, afirmou, evocando o conceito de “Ubuntu” – “eu sou porque tu és” – para explicar que o crescimento individual resulta do contacto com a diferença. Para a responsável, a construção de redes exige “coragem e risco”, num processo que aproxima o networking da lógica empreendedora.
Já o consultor Miguel Silvestre procurou desmistificar a conotação negativa do interesse nas relações profissionais. “É tudo uma questão de interesse”, afirmou, defendendo que este deve ser entendido como um motor legítimo das ligações. “Temos que ter interesse naquilo onde estamos e com quem estamos a falar”, acrescentou, alertando para a necessidade de criar uma cultura mais aberta ao networking em Portugal, onde ainda prevalece alguma resistência.
A diversidade foi outro dos temas centrais, com vários intervenientes a destacarem o seu papel na inovação e no crescimento. Cláudio Santos deu um exemplo concreto da sua experiência empresarial, sublinhando que “a maioria dos meus negócios que deram certo foi quando tive ajuda de pessoas que não tinham nada a ver com a minha área”. Para o empresário, sair da “bolha” é essencial para identificar oportunidades.
No mesmo sentido, Dora Mendes, do Museu do Hospital e da Cidade, defendeu que o contacto com perspetivas externas permite resolver problemas de forma simples. “Às vezes basta alguém de fora para dizer: ‘já reparaste que aquilo está torto?’”, exemplificou, sublinhando que a diversidade de olhares contribui para a melhoria contínua.
O segundo painel centrou-se na sustentabilidade das comunidades e no seu impacto económico e social. Carla Branco, CEO da Partnia, destacou a importância de uma abordagem assente na proximidade e na empatia. “Temos que trabalhar para um empreendedorismo de bondade”, afirmou, defendendo que projetos orientados para o bem-estar coletivo reforçam os laços comunitários e criam valor duradouro.
A experiência recente de crises foi apontada como um momento revelador da força das redes. Jorge Barosa, presidente da AIRO, recordou o impacto da pandemia nas suas empresas, que chegaram a perder quase toda a faturação, e explicou como a resposta passou pela mobilização da comunidade. “Perguntámos: quem precisa de ajuda?”, referiu, destacando que a associação se abriu ao território e reforçou o seu papel de suporte.
Também Nuno Gaio, do Parque Tecnológico de Óbidos, sublinhou que a construção de comunidades – tal como nas empresas – exige tempo e consistência. “Não se constrói uma comunidade de um dia para o outro”, afirmou, apontando a confiança, a transparência e a liderança como fatores-chave para manter redes ativas e relevantes.
A sessão evidenciou ainda a importância do associativismo e da partilha de conhecimento. Marcos Pinto, presidente da ACCCRO, recordou o impacto da transformação digital no setor da fotografia, sublinhando que foi a colaboração entre profissionais que permitiu ultrapassar a crise. O empresário e dirigente realçou que um dos pontos para dar a volta à crise no setor foi a realização de ações de formação, mas que, nessas acções, acabaram por percerque que “aprendíamos tanto na pausa como na formação”, referiu, destacando o valor das interações informais.
Nesse sentido, Marcos Pinto anunciou que a ACCCRO vai criar um evento mensal, ACCCRO Copos e Conversas, que visa precisamente estimular o contacto entre os empresários.











