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Restaurante Mimosa está a celebrar 65º aniversário

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A Mimosa é um dos restaurantes mais concorridos das Caldas

Poucos a conhecem por Maria Celeste Agostinho, mas toda a gente sabe quem é a Letinha da Mimosa.
Filha e neta dos fundadores do restaurante, situado na Praça 5 de Outubro, Letinha conversou com Gazeta das Caldas a propósito do 65º aniversário do seu estabelecimento comercial.
Letinha, 68 anos, é a coordenadora de tudo o que se passa na Mimosa e além de cozinhar, servir à mesa e de fazer as sobremesas é também a responsável pelas compras.
Todas as manhãs, bem cedo, Letinha vai à praça abastecer-se para realizar as refeições confecionadas na Mimosa que sempre se dedicou à comida tradicional portuguesa.
Antes de abrir o restaurante vai primeiro à Praça da Fruta onde adquire todos os legumes (para acompanhar os pratos e saladas) e frutas de que precisa para as refeições. Também vai à queijaria. Só depois segue para o Mercado do Peixe. Nos dois locais tem fornecedores fixos.
“O meu pai, Francisco Almeida, já fazia esta volta exceto a compra do peixe que se fazia aqui no tabuleiro em frente ao restaurante”. Como tal, assim como a ida ao talho, o peixe era a sua mãe, Deonilde Azenha, que o adquiria.
“Lembro-me bem dos tempos áureos desta praça, com mais de 30 peixeiros a vender aqui!”, recordou a responsável que também se recorda do Teatro Pinheiro Chagas, situado ao fundo da Praça 5 de Outubro. E tenho pena que hoje tenhamos poucos peixeiros a vender no mercado”, disse Letinha que adquire por norma e diariamente peixe-espada, garoupa, carapau, salmão, douradas, pescada, linguados, robalos e goraz. Quando chega o bom tempo, “é uma loucura a época da sardinha que é de ótima qualidade e depois é assada na brasa, o que faz toda a diferença”, contou a empresária que chega a comprar 20 quilos deste peixe para grelhar.
O peixe está entre os favoritos da casa já desde os tempos idos da cidade, quando o dia forte era a segunda-feira.
Era nesse dia que as pessoas que moravam no concelho vinham à cidade comprar os bens que necessitavam. “As pessoas não tinham carro vinham de camioneta, de carroça ou até de burro. Traziam os ovos das suas galinhas, em pequenas latas e vendiam-nos para comprar peixe”, recordou Letinha.”O meu pai e o meu avô tinham fogareiros onde as pessoas podiam assar o peixe que tinham comprado”.
A sua mãe, Deonilde Azenha vendia tachadas de bacalhau com grão ou dobrada com feijão branco. “O restaurante teve uma adega e há muitos caldenses que vinham aqui conviver e jogar às cartas”, disse a empresária que diz que é um pouco conservadora pois mantém os mesmos fornecedores há vários anos.
Hoje é um espaço frequentado por toda a cidade, incluindo quem detém o primeiro cargo político do país. “Aqui vem toda a gente, dos vários quadrantes políticos e toda a gente é tratada da mesma forma”.
Há também uma outra caraterística que diferencia a casa e que é a sua coleção de pratos, uma ideia da sua mãe e que Letinha dá continuidade. “Os estrangeiros adoram e estão sempre a fotografar”.

Letinha pertence à terceira geração da família, proprietária do restaurante que continuará a apostar na típica comida portuguesa

O nome Mimosa foi posto pois o pai de Letinha resolveu pintar o restaurante com uma cor clara e assim foi batizado. “Toda a vida sempre vendemos produtos de qualidade e assim nos vamos manter”, disse a empresária que também não baixa na quantidade da dose.
Muito famosos são também o Arroz de Pato, o Bife com Molho de Alho, os Bitoques, o Frango na Púcara e o Cozido à Portuguesa. “É tudo feito com amor e carinho e, por isso, é apreciado pelos clientes”. Letinha é também a responsável pelas sobremesas da casa. Só não faz as Trouxas mas são suas as Farófias, o Leite Creme e o Pudim de Ovos.
A casa tem clientes que vêm de várias localidades, incluindo de Lisboa, aos sábados. “Vêm os avós, os pais, os netos e nalgumas famílias até já vêm os bisnetos também”, disse.
Letinha orgulha-se dos seus clientes e lembra que os seus filhos quando era preciso, também ajudavam. Desta forma, estiveram a laborar na Mimosa quatro gerações da família.
E qual o segredo para ter uma casa aberta há 65 anos? “Além dos produtos de qualidade acho que também se deve ao atendimento e à simpatia de quem recebe os clientes”.
Apesar de receber alguns grupos nunca quer situações em que deixa que os seus clientes fiquem sem lugar.
“Tenho muito respeito e preocupação com os meus clientes habituais, alguns dos quais vêm todos os dias”. E conta que muitos casais acabavam por ficar amigos e ao terminarem a refeição, “ficavam todos na conversa”.
É uma pessoa atenta que vive a cidade e que gostava que esta estivesse mais limpa, mais cuidada e com menos casas fechadas. E dá como exemplo o edifício da escola primária na Praça 5 de Outubro “que qualquer dia acaba por cair!”. O preço médio da refeição é de 15 euros e o restaurante serve almoços e jantares entre as terças-feiras e os sábados.

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