
David Vieira
Técnico de Comunicação
Vivemos tempos de ruído e de divisão. A velocidade da informação, a força das redes sociais e a lógica da emoção têm substituído, muitas vezes, o espaço da reflexão. O jornalismo, que sempre foi o mediador entre o acontecimento e o cidadão, vê-se hoje confrontado com o desafio maior de resistir à pressa e à polarização. E, mais do que nunca, é preciso voltar a falar de ética e de responsabilidade.
A ética jornalística não é um acessório, nem uma lista de boas intenções. É o fundamento de um jornalismo que se quer livre e credível. Como defende Paulo Faustino no livro “Ética e Responsabilidade Social dos Media”, os meios de comunicação não são apenas empresas inseridas num mercado competitivo. São instituições sociais com deveres éticos perante o público. A liberdade de informar implica responsabilidade. Ouvir. Verificar. Contextualizar. E respeitar.
O lucro e a sobrevivência económica não podem ser desculpa para abdicar do rigor ou para transformar o jornalismo num mero produto. A ética, lembra o autor, não é um adorno moral, mas o coração da credibilidade e da confiança pública.
Ser ético no jornalismo é saber resistir ao ruído e manter a integridade quando a tentação é ceder ao imediatismo. É confirmar antes de publicar. É ouvir todas as partes. É perceber que o impacto de uma notícia mede-se não apenas pelo número de partilhas, mas pela sua utilidade pública. A ética é o antídoto contra a desinformação e o sensacionalismo.
Num contexto de polarização crescente, em que as opiniões se transformam facilmente em certezas absolutas, o jornalismo deve ser um espaço de equilíbrio. O contraditório, de que já falei noutros artigos, é um dos seus pilares. O jornalista não é um militante, nem um adversário. É um mediador. E é nessa mediação que reside a sua força.
A imprensa regional, pela proximidade que tem com as comunidades, deve ser exemplo dessa responsabilidade. É nela que a ética se faz todos os dias. Na escolha das palavras, na atenção às pessoas e na verdade dos factos. É ela que mostra que o jornalismo pode ser um serviço público, mesmo sem o ser formalmente.
Num tempo em que tudo parece urgente, a ética lembra-nos o que é importante. E o importante é não desistir de fazer jornalismo. Com responsabilidade. Com consciência. Com verdade.






