Notas urbanas

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Luiz Rolim
engenheiro civil

A cidade das Caldas da Rainha tem assistido a um muito apreciável desenvolvimento ao nível das obras particulares, decorrente do empreendedorismo privado, mantendo bom nível, pese embora os tempos conturbados que atravessamos.
Percorrendo as ruas da cidade, poucas não terão um ou dois edifícios em construção ou remodelação. Numa observação mais cuidada podem verificar-se algumas dificuldades no que concerne a alinhamentos e linhas de cércea. Implantações e volumetrias que parecem desadequadas. A conciliação entre a promoção e o licenciamento é e será sempre difícil e nunca poderá ser apoiada por um PDM, que urge rever e que parece estar em fase de resolução, nem tampouco pelo Plano do Centro Histórico, também este ainda em falta.
Estamos convencidos que as entidades se têm preocupado com a falta desses instrumentos de planeamento urbanístico que, por um lado, lhes aliviaria o ónus da arbitrariedade e concederia aos promotores e demais interessados na coisa pública, as linhas orientadoras bem definidas, por outro, lançaria outras perspectivas modernas de requalificação.
Para além das situações apontadas, relativamente à falta de Revisão do PDM e do Plano do Centro Histórico, estou convicto que um instrumento intermédio, “Plano de Urbanização”, permitiria lançar as bases de um desenvolvimento citadino para o Século XXI, com visão de futuro, sustentado e adequada estabilidade.
Por outro lado, temos assistido a um notável esforço nas repavimentações e requalificação de várias artérias, com desenhos coloridos nos passeios, assinalando os locais para as passadeiras de peões, que embelezam a apresentação do projecto, mas para o transeunte, nada adiantam porque se degradam, quer pela utilização quer pela exposição solar. De notar que os tempos de execução, destas obras, se prolongam, criando dificuldades aos utentes a que se destinam.
Todas estas obras de regeneração urbana, de notório e elevado interesse para os munícipes, mereciam ser antecipadamente apresentadas em exposição, abrindo à opinião e quiçá colaboração dos mesmos, sendo que lançaria aqui a ideia do aproveitamento do piso térreo do edifício sito na Rua Capitão Filipe de Sousa, conferindo utilização e partilha com a população.
Assinala-se a excelente e muito aguardada obra de alargamento da avenida circular, junto à Rotunda das Morenas. Em complemento, refere-se a contribuição que esta, bem como as suas rotundas, têm conferido à mobilidade.
Todas as rotundas apresentam diâmetros adequados contudo, privilegiam a sinalização vertical, esquecendo a horizontal que deveria e merecia ser implementada por marcas rodoviárias, sinalizadoras de proximidade e prioridade, com elementos de redução de velocidade. Nos casos em que a avenida prevê mais do que uma faixa dever-se-ia sinalizar, com marcas pintadas no pavimento, orientando e disciplinando. ■