Hum … é para fazer ou não!

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Mónica Gaspar
psicóloga

Passamos o tempo a pedir ao nosso filho determinado comportamento e depois em diferentes ocasiões temos atitudes estranhas … Nem sempre somos justos, moderados e imparciais. Por vezes, educamos num sentido e depois pedimos comportamentos opostos.
A professora vem queixar-se que o teu filho fala demasiado na sala de aula e está sempre à conversa com o colega do lado … ralhas e depois apercebeste que passas o tempo a dizer-lhe que deve responder quando lhe fazem perguntas!!!
O miúdo compra gomas no bar e andou a distribuir pelos colegas … lembras-lhe que não são ricos e depois apercebeste que durante muito tempo lhe disseste que tinha de saber partilhar.
Pedes ao teu filho que não ande a cochichar e falar baixinho à frente das outras pessoas, pois não é educado e depois falas baixinho com o teu companheiro(a) para ele não perceber ou ouvir. Ou então até falas noutra língua ou por gestos!!!!
A criança para te explicar de quem está a falar aponta e tu automaticamente dizes: “Não se aponta que é feio!” … e tu muitas vezes para lhe chamar a atenção de algo, desces ao seu nível, encostas o braço à sua cara e pedes-lhe que siga o teu dedo com os olhos … “estás a ver ali”.
O teu filho vem para casa a dizer que o colega fez e aconteceu, acabas por lhe dizer que não se devem julgar os amiguinhos … em conversas com os teus amigos acabas por contar o que te foi segredado para mostrares que alguém não está a educar como deve ser ou não é grande espetáculo como mãe!
Nos dias que estás mais stressada, ou cheio de pressa, reclamas e reclamas que a criança não faz nada sozinha, nos dias que tens mais tempo vestes o teu filho, sem que te passe pela cabeça que ensiná-lo seria a atitude mais correta.
É fundamental ensinar a importância de dar a sua palavra, de cumprir sempre o que prometemos, mas a nós às vezes não nos dá jeito, não temos tempo, estamos cansados … pedimos desculpa e explicamos que afinal temos de quebrar a promessa.
Ensinamos, muitas vezes, que não se deve confiar em toda gente e não devem falar com estranhos, depois encontramos alguém na rua que não víamos há muito tempo e pedimos para cumprimentar.
Pedes ao teu filho para que te conte sempre tudo, que as suas ideias e opiniões são importantes e válidas e quando ele se mete nas conversas de adultos não gostas e chamas a atenção.
Sabes que é importante lembrá-lo de que somos todos iguais, que devemos ser amigos dos nossos colegas ou no mínimo respeitá-los … e por vezes chegas a casa a queixares-te de algum colega do trabalho, do teu chefe!
Dizes, vezes sem conta, que deve usar sempre as palavras mágicas – por favor, obrigada – de preferência acompanhadas com um sorriso. Quando pedes algo, usas?
Conclusão: É importante ter em conta, que as crianças se inspiram nos pais e nas pessoas próximas. Aprendem muito com base nos exemplos vistos ou sentidos no dia-a-dia. Desta forma é importante, na educação e transmissão desses valores, estar atento ao nosso próprio comportamento enquanto adulto, para que espelhem e imitem alguém que pratica exatamente as atitudes que queremos que levem consigo durante toda a vida. ■