
Teresa Lemos
Coordenadora do GEOTA
Os insetos polinizadores desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas e na sobrevivência de muitas espécies de plantas. Abelhas, borboletas, besouros e outros insetos transportam pólen entre flores enquanto procuram alimento, permitindo que as plantas se reproduzam. Apesar de muitas vezes passarem despercebidos, estes pequenos seres são responsáveis por um processo essencial para a vida na Terra: a polinização.
Grande parte dos alimentos que consumimos depende diretamente do trabalho dos insetos. Estima-se que cerca de 80% das culturas utilizadas para consumo humano necessitam de polinizadores para se reproduzirem. Frutas, legumes e sementes existem em grande parte graças à atividade diária destes animais.
Ao permitirem a reprodução das plantas, os insetos polinizadores ajudam a manter o funcionamento dos ecossistemas. As plantas realizam a fotossíntese, absorvendo dióxido de carbono da atmosfera e libertando oxigénio, essencial para a vida. Num contexto de alterações climáticas e aumento dos níveis de carbono, garantir a sobrevivência das plantas — e consequentemente dos polinizadores — torna-se ainda mais importante.
Estes insetos também contribuem indiretamente para a cadeia alimentar. As plantas são a base da alimentação de muitos herbívoros, que por sua vez sustentam os carnívoros. Sem a ação dos polinizadores, muitas plantas não se conseguiriam reproduzir, o que teria um impacto profundo nos ecossistemas.
Apesar da sua enorme importância, os insetos polinizadores enfrentam atualmente várias ameaças, provocadas sobretudo pelas atividades humanas. A destruição de habitats devido à expansão urbana e agrícola reduz os locais onde estes insetos podem viver. A agricultura intensiva e o uso de pesticidas também afetam diretamente estas espécies, podendo provocar a sua morte ou contaminar o ambiente em que vivem. A poluição, as espécies exóticas invasoras e as alterações climáticas agravam ainda mais esta situação.
Perante este cenário, torna-se essencial proteger os insetos polinizadores. Reduzir o uso de pesticidas, nunca pulverizar flores abertas, permitir que as “ervas daninhas” dos relvados e dos nossos jardins floresçam, preservar habitats e plantar espécies autóctones são algumas das medidas que podem ajudar. Ao proteger estes pequenos insetos, estamos também a proteger os ecossistemas e a garantir a produção de alimentos no futuro.






