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Velhos são os trapos…certo?

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Se tudo correr bem, chegarei a velha! Mas será a palavra “velha” a mais adequada? Quero mesmo que olhem para mim e em vez de uma mulher, uma pessoa, vejam somente um “trapo velho”?

Num Portugal cada vez mais envelhecido, sente-se um grande distanciamento entre gerações. A Covid-19 não ajudou e aumentou ainda mais a desconexão da terceira idade com o resto da sociedade. Além de “velhos”, os idosos, tornaram-se o “grupo de maior risco”, “frágeis” e “doentes”, sendo constantemente recordados da sua própria mortalidade. Isolados e silenciados, limitam-se a existir.

É isto que me espera depois dos 65 anos? Felizmente a resposta é “não”!

Muitos idosos se têm revoltado e desmistificado esta ideia. No caso das Caldas, recorrendo cada vez mais à Universidade Sénior Rainha D. Leonor, que auxilia a nossa terceira idade na luta contra o preconceito e na manutenção de uma vida ativa, através de um variado leque de atividades e disciplinas, abrangendo áreas artísticas, musicais, linguísticas e sociais. A aposta na formação tecnológica, assim como a interação e utilização das redes sociais, abrem portas à integração social e à relação com os mais novos. Sendo este um tipo de formação com mais procura nestas instituições, provando que os idosos têm interesse, curiosidade e acima de tudo vontade de aprender.

Demonstrando que o ditado “Burro velho não aprende línguas” está completamente desatualizado e errado.

A idade é apenas um número e não uma identidade!

E como podemos provar esta exclamação de modo que a terceira idade tenha um lugar na “mesa dos grandes”? Será que os media deveriam ter um papel mais ativo na sua representação?

Tanto na televisão, como na literatura, são poucas as personagens principais com mais de 60 anos. Onde está o amor e as relações, o sonho, a amizade ou o regresso às aulas na terceira idade? Será que a única representação desta faixa etária é através de memórias, luto, solidão ou na figura do avô/da avó, que aparece de vez em quando no meio do drama familiar?

Não!

Inúmeros autores já escrevem contra essa “corrente”, dando a conhecer ao mundo quem são verdadeiramente os nossos idosos, por isso creio poder afirmar com segurança que estamos no caminho certo, ainda que lento, para provar que “velhos são os trapos” e que é assim que deve de ser.

Valérie Agostinho

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