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A diversidade da vida subaquática da lagoa mostra-se na Avenida do Mar

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Exposição é composta por 20 imagens, de grandes dimensões, que mostram as espécies que vivem dentro da lagoa

Exposição fotográfica, patente até finais de setembro, mostra as várias espécies que habitam o interior da Lagoa de Óbidos

O Dia do Ambiente (5 de junho) foi a data escolhida para a inauguração da exposição fotográfica “Lagoa Subaquática – Um Casulo de Biodiversidade”, da autoria da fotógrafa e videógrafa de natureza Sylvie Dias. Ao longo de 10 painéis, expostos pela Avenida do Mar, é possível ver cerca de duas dezenas de peixes e bivalves, como a enguia, o polvo, o lingueirão, a vinagreira negra, o choco, a santola, o caranguejo e a ostra, no seu habitat natural.

A autora, que já conhecia a Lagoa de Óbidos de passeio, teve conhecimento do projeto CaSuLO (que visa contribuir para uma gestão mais integrada e sustentável deste ecossistema lagunar, através da articulação entre autoridades públicas, setor científico, comunidades locais e utilizadores do território) e propôs-se a colaborar, fotografando e filmando o interior da Lagoa. A maioria das imagens foram captadas em outubro do ano passado e, algumas delas, “têm a água tão azul e transparente, que vão achar que não foram tiradas na Lagoa”, brincou a autora, garantido que tanto as imagens como o filme são “100% Lagoa de Óbidos”.

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Sylvie Dias queria ter captado mais imagens subaquáticas já este ano, para encontrar mais espécies, mas a falta de visibilidade debaixo de água não o permitiu. “Eu gosto de as ver lá dentro [as espécies], a fazer a sua vidinha, e de ter até aquele espaço em que eu não as incomodo e que elas não fogem de mim”, contou a fotógrafa, que pretende continuar a captar imagens na Lagoa. “As pradarias são algo realmente muito importante, porque eu vejo a quantidade de vida que existe entre as ervas”, destacando a diversidade de espécies que encontrou.

A mostra, patente na Avenida do Mar, vem no seguimento da que foi feita sobre as aves da Lagoa, no ano passado. António Vidigal, da Câmara das Caldas, explicou que o projeto CaSuLo pretende estudar a biodiversidade e dar conhecer o que existe debaixo de água, nomeadamente das pradarias marinhas e sobre como as espécies são afetadas, para, com base nesse conhecimento, poderem ser tomadas as melhores decisões relativamente à lagoa.

Esta iniciativa integra o Programa Municipal de Educação Ambiental 2026, no âmbito do Programa Bandeira Azul da ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação, e associa-se também às comemorações dos 40 anos da Bandeira Azul (1987-2027) e ao Projeto CaSuLO. Já no interior do Centro de Interpretação para a Lagoa de Óbidos (CILO), foi exibido o vídeo de promoção do Projeto CaSuLO, filmado ao longo dos últimos meses na Lagoa de Óbidos.
A exposição estará patente até 30 de setembro.

Em 10 anos a lagoa esteve interdita 64% do tempo
Presentes na cerimónia, alguns pescadores e mariscadores alertaram para alguns problemas com que se deparam, nomeadamente a proibição da apanha de três espécies de bivalves da Lagoa devido a elevados teores de E.coli. Diogo Franco partilhou a dificuldade que sentem os cerca de uma centena de profissionais da pesca, ao verem que a sua “atividade está em perigo”. Destacou ainda que fazem parte de um ecossistema e que, ao pedir proteção para os pescadores, estão também a pedi-la para todas as espécies de peixes, aves e flora da lagoa. Os pescadores dizem que as fontes de contaminação “estão identificadas” e que há necessidade de resolver essas situações. No caso das descargas das ETARs, provocadas pelas fortes chuvas que se registaram, pedem que avisem as entidades que fazem as análises à água.

O presidente da Câmara, Vítor Marques, lembrou aos presentes que a parametrização dos indicadores das análises foi alterada e que atualmente estes mais exigentes. Lembra que, nos últimos 10 anos, não se pôde pescar na lagoa durante 64% do tempo”, o que é “preocupante”, considera, deixando o apelo para que trabalhem todos juntos na tentativa de resolução do problema.

Para o autarca, os resultados destas análises são consequência das intempéries do início do ano, que “criaram um conjunto de embaraços”, nomeadamente com as estações de tratamento a deixar de funcionar devido à falta de energia e, depois, a forte pluviosidade levou a que não tivessem capacidade de resposta.

Vítor Marques explicou à Gazeta das Caldas que têm sido feitas “visitas regulares” a algumas empresas da Zona Industrial, onde verificaram procedimentos que não eram os adequados, ao nível do tratamento de águas residuais e saneamento, que estão a alterar.
Também presente na cerimónia, Cláudio de Jesus, presidente do Conselho de Administração da Águas do Tejo Atlântico, corroborou que há uma “comunhão de vontades”, pois sentem que é necessário fazer mais, e que depois de já terem reunido este mês, ficou o compromisso de continuarem a ter reuniões periódicas, a próxima a decorrer no início de julho, procurando envolver as diversas entidades ligadas à lagoa.

Os pescadores e mariscadores mostraram a sua preocupação com o futuro
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