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Eclipse no Oeste foi vivido como é hábito no Verão: com esperança de que “ainda vai abrir”

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Centenas de pessoas distribuíram-se pelos diversos miradouros ao longo dos passadiços das arribas

Centenas de pessoas escolheram a Foz do Arelho para assistir ao eclipse solar, distribuindo-se pelos vários miradouros da vila, enquanto muitos dos que já ali passavam o dia de praia decidiram prolongar a estadia para acompanhar o fenómeno. Mas, num verão marcado por muitos dias de calor e céu limpo, o clima acabou por pregar uma partida aos observadores.
A partir das 18h00, o dia de Sol radiante começou a dar lugar a um céu cada vez mais encoberto e instalou-se aquela esperança bem conhecida de quem frequenta as praias do Oeste: a de que “ainda vai abrir”. Não abriu. Na Foz do Arelho, as nuvens apenas permitiram alguns breves vislumbres da Lua a avançar sobre o Sol, através de pequenas brechas no céu.
Ainda assim, havia sinais de que algo de diferente estava a acontecer. O horizonte foi ganhando tonalidades alaranjadas e o ambiente começou a escurecer, como se o pôr do sol tivesse chegado cerca de duas horas mais cedo do que o habitual.
Algumas pessoas acabaram por abandonar a Foz do Arelho, procurando outros locais onde o céu pudesse oferecer melhores condições de observação. A maioria, porém, permaneceu. Havia famílias e grupos de amigos, alguns munidos de telescópios e outros com máquinas fotográficas preparadas para tentar registar um fenómeno que, para muitos, representava uma oportunidade única na vida.
Foi o caso de Ewerton Pereira, que viajou de Aveiras de Baixo, no concelho da Azambuja, acompanhado por oito familiares. A escolha da Foz do Arelho não foi casual. O fotógrafo procurou vários locais antes de decidir que a vista sobre o Atlântico poderia proporcionar a composição ideal para uma imagem especial.
“Segundo as minhas pesquisas, o maior impedimento seria a questão das nuvens, que é o que está a acontecer no momento. Esse é o risco”, reconheceu, enquanto mantinha a máquina preparada para aproveitar qualquer aberta. “Assim que houver uma aberta, efetuamos o clique.”
Fotógrafo de paisagem, Ewerton Pereira pretendia captar uma imagem que pudesse mais tarde transformar num quadro decorativo. Para ele, esta era também uma estreia num eclipse com esta dimensão. “É o primeiro que tenho oportunidade de ver nesta proporção de 95% ou 96%”, explicou. E a viagem à Foz tinha tido apenas um duplo objetivo: assistir ao fenómeno; e aproveitar a noite para conseguir ainda algumas imagens proporcionadas pela Perseídas, uma das mais populares “chuvas de estrelas”, que acontece todos os anos quando a Terra atravessa a cauda do cometa Swift-Tuttle.
Também Rodrigo Augusto e a família decidiram aproveitar a tarde para esperar pelo eclipse. Quando chegaram, ainda conseguiram observar o Sol durante uma pequena aberta e perceber a progressão da Lua. Depois, restou esperar. “Mesmo não vendo o eclipse total, já se percebe que está a ficar mais escuro”, comentou.
Para Rodrigo, a raridade do acontecimento justificava a espera. “É uma tarde diferente e uma experiência única”, disse, lembrando que uma oportunidade semelhante só voltará a acontecer na região dentro de muitas décadas. E, mesmo com o eclipse escondido pelas nuvens, a escolha da Foz continuava a fazer sentido. “Esta vista é belíssima e, mesmo sem eclipse, vale sempre a pena vir aqui.”
Joaquim Santos também chegou à Foz do Arelho já consciente de que o habitual clima do Oeste poderia não colaborar. Ainda assim, veio com os filhos e netos e preparou-se para observar o fenómeno, com óculos próprios e informação sobre os cuidados a ter. “Foi apenas desta vez, por termos tido a oportunidade”, explicou sobre o interesse pela observação astronómica.
As nuvens impediram a observação plena, mas não retiraram por completo a sensação de se estar perante algo invulgar. “Vamos ter quase dois pores do sol hoje”, antecipava Joaquim Santos, enquanto a luz começava a mudar sobre o mar.
No final, o típico clima do Oeste não permitiu tirar todo o proveito de um fenómeno que muitos esperavam testemunhar em pleno. Mas, entre breves abertas, um horizonte alaranjado e a expectativa de que o céu pudesse finalmente abrir, o eclipse proporcionou, ainda assim, um final de tarde diferente e uma memória que ficará para sempre.

Outros pontos de encontro
A Foz do Arelho não foi, contudo, o único local onde se pôde contemplar o eclipse. Um pouco por todo o lado, pessoas reuniram-se, de forma organizada ou casual, para acompanhar o fenómeno. Na freguesia caldense de Salir de Matos, o Miradouro de São Domingos também recebeu habitantes e amigos da freguesia, que se juntaram para observar o eclipse.
A Junta de Freguesia de Salir de Matos descreveu o local como um ponto de encontro para uma tarde marcada por “olhares atentos para o céu, muita curiosidade, partilha e boa disposição”. Apesar das limitações impostas pelo estado do tempo, o fenómeno acabou por proporcionar também ali um momento de convívio entre a comunidade, num dos pontos de observação com vista privilegiada, não sobre o mar, mas os verdes vales. Em relação à Foz, por se encontrar numa zona mais interior, o local permitiu alguns minutos mais de observação, uma vez que as nuvens demoraram um pouco mais a chegar.
Também noutros concelhos, locais e visitantes rumaram aos locais mais propícios para a observação. Na Nazaré, a praia da vila e o seu paredão ficaram repletos de gente, assim como os vários miradouros.
A região não será tão depressa revisitada por um eclipse com esta magnitude, mas para quem ficou com interesse para repetir, dentro de um ano (2 de agosto de 2027) haverá uma nova oportunidade aqui perto, um eclipse total que irá incidir sobre o Norte de África e que ainda poderá ser visto parcialmente no Algarve.

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