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Hospital Termal continua encerrado

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Os tratamentos termais estão suspensos desde 20 de agosto

Encerramento leva oposição a querer ouvir em audição a empresa responsável pela instalação e manutenção dos equipamentos termais

Uma colónia da bactéria Pseudomonas na Central Técnica do Hospital Termal, a jusante das captações, originou a suspensão dos tratamentos no Hospital Termal desde 20 de agosto. De acordo com o presidente da Câmara, Vítor Marques, a “situação está a ser acompanhada pelas autoridades de saúde e não está em causa a saúde das pessoas que frequentam as Termas das Caldas da Rainha”.

As análises que revelaram este foco bacteriano foram feitas na sequência de intervenções técnicas para a substituição da bomba submersível, do furo AC2, que se encontrava com anomalias e que levou ao encerramento do Hospital Termal. Ainda de acordo com a autarquia, os utentes que tinham marcações agendadas já foram alertados da necessidade de reagendamento das suas sessões.

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O encerramento do Hospital Termal foi abordado na reunião de Câmara da passada segunda-feira, com a oposição a tecer críticas à gestão daquele equipamento e a alertar para a “gravidade da situação”. A Câmara viria a aprovar uma proposta apresentada pelo PSD (aprovada com os votos a favor do PSD e Chega e contra do executivo Vamos Mudar) para ouvir em audição a Artecer, empresa responsável pela instalação e manutenção dos equipamentos termais.

“A situação do Hospital Termal preocupa-nos seriamente”, refere a concelhia caldense do PSD em comunicado. Os vereadores social-democratas pediram também acesso às comunicações trocadas, desde outubro de 2025, entre a empresa e a Câmara Municipal e entre a empresa e a direção técnica das Termas. “Embora o presidente da Câmara considere que a audição da empresa já não faz sentido, por os serviços terem sido entretanto suspensos, entendemos que é indispensável apurar o que aconteceu nas intervenções realizadas ao longo dos últimos dois anos”, refere a concelhia, acrescentando que, de acordo com o edil, “algumas dessas intervenções terão causado danos à atividade termal e afetado a qualidade dos serviços prestados”.

O PSD considera que é “importante esclarecer” em que equipamento ou componente do sistema foi identificada a bactéria “Pseudomonas”, em que data, através de que análise e quando foi transmitida essa informação ao município. Defende que é preciso assegurar que existem planos de manutenção preventiva, procedimentos adequados, recursos técnicos e humanos suficientes e mecanismos de controlo capazes de identificar problemas antes de estes obrigarem ao encerramento.

Quer, por isso, conhecer a sequência exata dos acontecimentos e esclarecer quantas vezes foi utilizada a captação JK1 (furo de reserva), que foi usado em alternativa ao AC2 (furo concessionado) desde outubro de 2025, por que motivos e durante quanto tempo.

Chega quer “mais ambição” do executivo
Na sua intervenção, na reunião de Câmara, o vereador do Chega, Luís Gomes, falou da sua preocupação “que estes episódios microbiológicos surjam com regularidade cirúrgica sempre que nos encontramos em momentos decisivos de avançar para novos investimentos”. Considera que a justificação de que a temperatura da água (32 a 33 graus) “favorece naturalmente bactérias não pode servir de escudo para falhas de gestão”, nem as características da água, nomeadamente o teor de enxofre, para o desgaste dos equipamentos. “Não podemos aceitar que intervenções fiquem limitadas a remendos internos; impõe-se uma auditoria técnica independente a toda a rede e aos circuitos de distribuição para eliminar de vez os pontos de estagnação”, salientou.

Para Luís Gomes, a saída do atual diretor clínico e a contratação de um novo responsável a 1 de setembro vêm demonstrar que o problema não reside apenas na canalização, mas no próprio modelo de liderança e acompanhamento. Defende que esta mudança não seja “apenas mais uma troca de nomes administrativa”, mas “a viragem para uma direção clínica com autonomia, presença diária efetiva e capacidade técnica para alargar a oferta de tratamentos e garantir a segurança do complexo”.

O vereador do Chega que ver mais ambição por parte do executivo e defende a existência de sinalética turística e promocional nos acessos principais e autoestradas, assim como a construção do novo balneário termal. Entende que a “eventual abertura de novos furos para substituir o AC2 e o JK1 não pode servir de pretexto para travar a decisão” e que espaços como o Parque da Parada apresentam-se, “à partida, como a solução mais lógica e integrada com o edificado histórico envolvente”.

Comissão cívica emite comunicado
Depois de ter conhecimento do encerramento do Hospital Termal, a Comissão Cívica Proteção Hospital Termal R.D. Leonor e Património questionou o presidente da Câmara sobre as circunstâncias do aparecimento da referida bactéria. Em comunicação, a comissão explica que a bactéria apareceu no sistema de distribuição, “situação menos grave do que ter sido detetada nas nascentes ou nos furos de captação que abastecem o Hospital Termal”.

Esclarece que a origem desta situação continua a ser investigada pelos técnicos que estão a executar as medidas corretivas e bem assim desmontagem e desinfeção das tubagens e equipamento, continuando-se a fazer novas análises até que sejam negativas. De acordo com a comissão, a “situação não é alarmante uma vez que a água dos furos não apresenta qualquer problema e a situação está a ser acompanhada pelas as autoridades de saúde através de analises de rotina e controles adicionais”. As entidades competentes estão a fazer as respetivas análises e a reabertura do Hospital Termal está “dependente dos resultados das análises depois da conclusão da desinfestação de todo circuito da água termal, que está a ser realizada pelos técnicos da Camara Municipal”, conclui.

No passado o Hospital Termal já esteve, por várias vezes encerrado. Em 1997 os tratamentos estiveram suspensos por três anos e meio devido à presença de ‘pseudomonas’ nas canalizações e, mais tarde, voltaram a registar-se, vários encerramentos (em 2004, 2005, 2009 e 2012), embora por períodos mais curtos, o que levou à colocação de uma nova rede de distribuição de água termal, substituindo as canalizações antigas.

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