Início Sociedade Linha do Oeste vai abrir de forma faseada e começa entre Caldas...

Linha do Oeste vai abrir de forma faseada e começa entre Caldas e Torres

0
129
A Linha do Oeste continua encerrada das Caldas da Rainha para sul

Quatro meses após as intempéries, decorrem as obras para a reabertura, com prazos entre quatro e nove meses

A Linha do Oeste deverá reabrir de forma gradual, iniciando-se pelos troços entre Torres Vedras e Caldas da Rainha e entre Mafra e Malveira, seguindo-se posteriormente o troço entre Malveira e Torres Vedras. De acordo com a Infraestruturas de Portugal (IP), as obras, nos troços afetados pelas intempéries, encontram-se em diferentes fases e apresentam um prazo de execução entre quatro e nove meses, em função da complexidade e dimensão de cada intervenção. Assim, “prevê-se que a reabertura possa ocorrer até ao final do corrente ano, sem prejuízo das validações posteriores, dependentes da evolução concreta das diferentes frentes de obra”, explica a IP à Gazeta das Caldas.

As intervenções no troço entre Torres Vedras e Caldas da Rainha estão, na sua maioria, já em desenvolvimento no terreno, entre Mafra e Torres Vedras, “onde se concentram as intervenções de maior complexidade técnica, os trabalhos preparatórios têm vindo a decorrer de forma contínua. Já foram concluídos os estudos prévios e as sondagens geotécnicas, encontrando-se atualmente em curso a elaboração dos vários projetos de execução”, explica a empresa.

- publicidade -

A IP justifica que após a suspensão da circulação, foi realizado um “levantamento exaustivo” das ocorrências, que permitiu “caracterizar com rigor as situações identificadas e priorizar os pontos mais críticos, criando a base técnica necessária ao dimensionamento e definição das soluções estruturais mais adequadas”. O valor estimado para a intervenção entre Mafra e Caldas da Rainha ronda os 60 milhões de euros e parte “significativa” dessa verba (aprovada no âmbito dos 400 milhões de euros disponibilizados pelo Conselho de Ministros para situações de emergência e reabilitação de infraestruturas) “já foi canalizada para as intervenções identificadas, encontrando-se estas em fase de execução ou de contratação, consoante o respetivo grau de maturidade técnica”.

Na sequência dos estragos provocados pelas intempéries de final de janeiro, foi suspensa a circulação dos comboios na Linha do Oeste. Após mais de um mês sem comboios ou serviços alternativos, em meados de março, foram disponibilizados autocarros, como transporte alternativo, entre Mira Sintra – Meleças e Caldas da Rainha, e retomada a circulação ferroviária entre as Caldas e o Louriçal.

Comissão critica atrasos
Para a Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) “é uma vergonha” que se esteja há quase cinco meses sem comboios, entre Caldas da Rainha e Meleças, “a somar às anteriores interrupções, supressões e atrasos de horas que marcaram o final do ano de 2025 e os primeiros meses de 2026”. Em comunicado, lembra que os comboios são utilizados por muitas pessoas para trabalhar e que, embora a linha tenha ficado danificada com as intempéries, “não se conhece” quais as medidas para resolver o problema e o prazo para que tudo volte à normalidade.

Em alguns dos locais em que a intempérie teve mais impacto, como o Outeiro da Cabeça, com muitas dezenas de metros de linha levantada e arrastada, “aparecem apenas agora os trabalhos iniciais de reparação. E, em locais onde os danos foram menores, como no Pinhal (entre Óbidos e A-da-Gorda) não houve qualquer preocupação em reparar rapidamente, contrariamente ao que aconteceu próximo de Valado de Frades”, explica.

Conforme tem vindo a denunciar, as soluções alternativas disponibilizadas, para o percurso entre Caldas inha e Meleças, “são indignas e revelam a total desconsideração e desrespeito para com quem precisa de utilizar o comboio regularmente para ir trabalhar ou estudar”, especificando que o percurso em autocarro demora 2 horas e 45 minutos, “com atrasos sistemáticos no cumprimento dos horários”.

A comissão considera que “estão a enganar os utentes”, pois os nove meses anunciados pelo ministro das Infraestruturas “esgotam-se sem que as obras relativas aos danos das intempéries fiquem feitas e muito menos ficarão as referentes à modernização e eletrificação do troço Caldas da Rainha/Meleças”. Exige a “reparação, urgente”, do troço entre Caldas e Torres Vedras, para que seja reativada a circulação ferroviária entre aquelas duas estações e entre a Malveira e Meleças, ficando apenas a ser assegurado em autocarro o percurso entre Torres Vedras e a Malveira. “É preciso exigir do Governo, designadamente do Ministro das Infraestruturas, uma postura de respeito e consideração pelos utentes da Linha do Oeste, abandonando a posição de “empurrar com a barriga” os investimentos que têm de ser feitos na ferrovia”, conclui.

- publicidade -