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O termalismo como um “pilar estratégico” do modelo europeu de bem-estar e desenvolvimento sustentável

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O grupo de participantes na Assembleia da Associação das Cidades Termais Históricas da Europa (EHTTA)

Sessenta e cinco participantes, oriundos de 16 países europeus, encontraram-se nas Caldas, durante três dias para discutir o futuro do termalismo. Neste encontro da Associação das Cidades Termais Históricas da Europa (EHTTA) foi confirmada a atual equipa de liderança, que mantém as Caldas no conselho executivo

Criada em 2009, a EHTTA representa 53 membros em 20 países europeus e dois parceiros internacionais, promovendo as cidades termais com património histórico na Europa. Entre os dias 6 e 8 de maio, decorreu nas Caldas a assembleia geral desta associação que, além de confirmar a atual equipa de liderança, incluindo o presidente Riccardo Mortandello (prefeito de Montegrotto Terme), mantém o município caldense como membro do conselho executivo nos próximos quatro anos.

Fortalecer o reconhecimento da EHTTA como uma Rota Cultural do Conselho da Europa e sua presença e reconhecimento entre as instituições europeias são objetivos de Riccardo Mortandello. “É condição necessária para defender e valorizar a identidade térmica histórica das nossas cidades, para aceder a instrumentos de financiamento específicos e para influenciar as políticas europeias em matéria de saúde, turismo e património cultural”, considera.

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Esta assembleia geral, que se realizou pela primeira vez nas Caldas da Rainha, contou com a presença de 65 participantes de 16 países europeus. Na cerimónia de boas vindas, Riccardo Mortandello destacou que defender o termalismo significa defender a saúde pública, o emprego, o património cultural e a coesão territorial em centenas de comunidades europeias. “Das Caldas da Rainha, as cidades termais da Europa falam a uma só voz”, disse, apelando às instituições europeias para que reconheçam o termalismo como um “pilar estratégico do modelo europeu de bem-estar e desenvolvimento sustentável”.
Depois do presidente da Associação das Termas de Portugal, Vítor Leal, ter destacado as Caldas da Rainha como “uma das maiores e mais importantes localidades termais em Portugal”, o presidente da Câmara, Vítor Marques, reconheceu que a oferta ainda é pequena, mas que estão a trabalhar para disponibilizar mais respostas do ponto de vista terapêutico e do bem-estar. “Atualmente a oferta que temos é pequena, para 2000 aquistas por ano, o que queremos projetar é uma alteração para 20 mil aquistas”, disse, contando que essa evolução para um termalismo “mais moderno e mais capacitado” possa acontecer nos próximos dois, três anos.

Vítor Marques falou também da aposta na investigação, através de doutoramentos e mestrados, para aportar mais conhecimento sobre as termas.

Novo perfil de serviços termais
João Gomes, gestor na área da Saúde e Termalismo na Câmara das Caldas, reconhece que há uma necessidade das termas revisitarem o seu modelo de prestação de serviços e de se posicionarem junto às comunidades. No acaso das Caldas, passa por uma apresentação do património histórico, que está intimamente ligado à sua criação, e também de um novo perfil de serviços termais, “mais abrangente”.

De acordo com o responsável, o perfil demográfico e familiar dos utilizadores das termas alterou-se. Atualmente um termalista não tem 12 dias disponíveis para fazer um tratamento termal completo, alugando alojamento na cidade, como acontecia no passado. “Nós temos termalistas que estão em circuito, vão visitar várias cidades do país e passam nas Caldas, onde ficam duas noites”, exemplifica João Gomes, realçando que tem de haver uma oferta integrada, com parceiros da economia local, envolvendo a estância termal, restauração, hotelaria, as unidades de desporto, museus…

A autarquia está também a delinear um projeto com o Geoparque para integrar as termas nas suas experiências territoriais, e com a gastronomia, em colaboração com a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.

E, porque o Hospital Termal não está a ser utilizado na sua plenitude, estão a ser reabilitados espaços para ser utilizados, por exemplo, para terapias complementares ao termalismo, como uma sessão de reflexologia, de yoga ou mindfulness, numa vertente de bem-estar.

Na vertente terapêutica, “a preocupação é manter todos os equipamentos a funcionar de acordo com aquilo que são as boas práticas”, explica o responsável, destacando que cada vez mais as pessoas procuram “qualidade, segurança e rastreabilidade”.

Em 2025 os serviços termais foram procurados por 2100 termalistas nas vertentes terapêutica e de bem-estar. No que respeita à primeira, é comparticipada a 35% pelo Estado, num montante máximo de 110 euros por ano por termalista. Um valor “reduzido”, considera João Gomes, tendo em conta que, em média, um tratamento de vias respiratórias (12 dias) ronda os 200 a 300 euros, e o musculosquelético poderá rondar os 300 a 400 euros. Para além disso, implica que a prescrição seja emitida pelo médico de família do utente e, nas Caldas da Rainha, “existem quase 20 mil pessoas sem acesso a médico família”, o que leva a autarquia a estudar uma resposta, do ponto de vista social.

Jovens aquistas
A perceção de um setor já não associado exclusivamente a uma ótica médica, mas a saúde, bem-estar, recuperação, equilíbrio mental e qualidade de vida “reflete uma profunda transformação na própria sociedade”, realçou Vítor Leal, presidente da Associação das Termas de Portugal. Na sua intervenção, durante o fórum da EHTTA, destacou que os consumidores não “esperam ficar doentes”, antes procuram formas de preservar a vitalidade, a energia e o bem-estar emocional. E os dados mostram-no: mais de 80% dos visitantes são motivados pelo bem-estar e lazer e apenas uma minoria procura as termas exclusivamente por razões terapêuticas.

Outro dado partilhado pelo responsável foi que os “Millennials e a Geração X já representam a maioria dos usuários, e que a Geração Z está a começar a entrar nesse ecossistema”, deitando, assim, por terra a ideia de que as termas são procuradas sobretudo pelas gerações mais velhas. De acordo com Vítor Leal, o futuro do termalismo deve ser estruturado em torno de três eixos complementares: a dimensão médica e terapêutica, a da prevenção e o bem-estar e a do turismo e o lazer. Neste encontro, que juntou diversos especialistas, foram ainda abordados a exploração e proteção da água mineral natural enquanto recurso, a formação superior em termalismo, a evolução do quadro jurídico no setor e a estratégia a nível turístico.

Um passeio de roupão pela cidade
O encontro nas Caldas começou com um passeio de roupão pela cidade. A iniciativa, ainda que original não é nova. Em 2016, a La Route des Villes d’Eaux du Massif Central, uma associação que reúne 17 cidades termais daquela região francesa, decidiu alterar a perceção do público sobre as cidades termais, tornando-a mais atrativa. O movimento “viciados no roupão” em francês “Les Accros du Peignoir” e em inglês “The Bathrobe Addicts”) foi criado exatamente nesse sentido, de revitalizar a imagem e o apelo dos destinos termais. “Trata-se, ao mesmo tempo, de um conceito, um movimento, uma comunidade e uma marca oficial”, explicou Éric Brut, diretor geral da associação La Route des Villes d’Eaux du Massif Central, acrescentando que, pouco a pouco, este “fenómeno” tem vindo a afirmar-se, espalhando-se como uma “onda de bem-estar” e tornando-se um emblema reconhecido das cidades termais europeias.
Tendo o roupão como denominador comum de todas as visitas às cidades termais, ele apresenta-se como “símbolo perfeito do bem-estar; envolve-nos num abraço suave e quente, um casulo protetor que representa o “slow life”, a cura interior, o autocuidado, a paz e a tranquilidade. É o teu “fato de super-herói” para enfrentar as dificuldades da vida”, referiu Éric Brut antes de entregar, oficialmente, um roupão ao presidente da Câmara das Caldas, tornando-o membro desta comunidade.

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