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Santa Catarina já tem Oficina do Cutileiro e agora quer o museu

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Os artesãos com os representantes da Os artesãos com os representantes da CCDR Centro, da Junta de Freguesia de Santa Catarina e da Câmara das Caldas

Santa Catarina deu, no passado sábado, mais um passo na valorização de uma das suas mais antigas tradições com a inauguração da Oficina do Cutileiro. A cerimónia reforçou a ambição de criar um futuro museu da cutelaria e ficou marcada pelo desafio lançado pela vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, Sofia Carreira, para que o saber-fazer dos cutileiros seja reconhecido como património cultural imaterial.
A nova oficina, instalada no espaço onde funcionou a antiga telescola de Santa Catarina, recria o ambiente das antigas oficinas, onde, durante gerações, se moldou o ferro e se produziram navalhas e outros utensílios que deram fama à região, quando ainda nem havia eletricidade.
José Pisco nunca foi cutileiro – forjou a sua primeira peça no passado sábado -, mas foi um dos principais dinamizadores da oficina, juntamente com os artesãos António Norte, António Gonzaga e João Morgado e com o apoio da Junta de Freguesia e da associação Freguesia em Movimento.
“É um momento importante porque venho de uma família de cutileiros e tinha muita pena que a freguesia não tivesse algo para preservar esta arte”, disse. Apesar de não ter sido cutileiro, José Pisco fez várias tentativas para criar esta oficina, nas Tasquinhas e num evento nas Relvas. “Fiz as peças para expor e contactei a Junta, que acabou por adquiri-las para que não se perdessem. São essas peças que, na sua maioria, estão agora aqui”, disse, feliz por ver concretizado este “sonho”. “Quando me abordaram para fazer este trabalho e fomos escolher o sítio, eu já trazia tudo elaborado na minha cabeça. Espero que isto se perpetue e que surjam novos projetos. Seria interessante termos visitas escolares e workshops para que as pessoas percebam o sacrifício dos nossos antepassados para chegarmos onde estamos hoje”, afirmou.
O presidente da Junta de Freguesia, Fernando Fialho, recordou a forte ligação histórica da localidade à indústria da cutelaria e prestou homenagem às gerações que construíram este legado. “Estas pessoas levantavam-se de madrugada para malhar o ferro”, afirmou, lembrando os tempos em que os “navalheiros” trabalhavam junto ao Rio das Penas, na Granja Nova, na Mata Porto Mouro, nas Relvas “e em outros locais que estamos agora a estudar para enriquecer o espólio regional”.
O autarca destacou que a freguesia alberga atualmente a maior empresa de cutelaria do país, a Ivo Cutelarias, e que o setor continua a ter um peso económico significativo, exportando mais de 90% da produção. “Hoje é um dia memorável para os nossos industriais e para todos os que vivem desta arte”, sublinhou. O próximo passo será a constituição do Museu da Cutelaria, um “sonho de há muitos anos”, que começou a ganhar forma com esta oficina e com a aquisição de um edifício contíguo a esta. “Será o futuro e o primeiro museu de cutelaria no país”, afirmou, solicitando o apoio da Câmara das Caldas e da CCDR para que o projeto se concretize.
Num fim de semana em que a CCDR Centro promoveu o primeiro encontro de Património Imaterial, a vice-presidente Sofia Carreira afirmou que “no segundo encontro, esta oficina terá de estar presente”. A dirigente desafiou a Câmara e a Junta de Freguesia a formalizarem uma candidatura do conhecimento tradicional dos cutileiros a património cultural imaterial, garantindo que a CCDR prestará o respetivo apoio técnico. Essa candidatura “poderá reforçar a legitimidade do futuro projeto museológico”, acrescentou, mesmo que não pudesse garantir um compromisso financeiro.
Também o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Vítor Marques, reafirmou o empenho do município em concretizar o projeto. “Garanto que o projeto do museu, ou centro interpretativo, irá avançar; não é apenas uma promessa política, mas um compromisso de realização”, afirmou. Para o autarca, a cutelaria é o elemento que mais distingue Santa Catarina além-fronteiras, conjugando um importante peso económico com um património artesanal único.
Além da inauguração da oficina, o programa incluiu uma exposição temporária no Centro Social Pastoral de Santa Catarina. A mostra reuniu mais de mil peças, muitas delas inéditas, provenientes de empresas, colecionadores e antigos artesãos da região.
Carlos Vicente, da associação Freguesia em Movimento, explicou que a iniciativa nasceu da necessidade de preservar um património que corria o risco de desaparecer. “O grande objetivo é que estas peças não voltem às gavetas”, afirmou. Segundo o responsável, a exposição permitiu perceber a dimensão do espólio existente e reforçou a necessidade de o catalogar e preservar para as gerações futuras.

O Jardim do Cutileiro mostra maquinaria antiga
A exposição temporária contou com cerca de  de 1000 peças
Na oficina mostra-se como se faziam as peças antigamente

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