Início Opinião A história Peregrina dos Dias da Semana Em Português

A história Peregrina dos Dias da Semana Em Português

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António Marques
Técnico de Turismo

Um Bispo de seu nome S.Martinho de Dune, chegou da Panónia (actual Hungria), no ano de 550 à Região da Galécia Romana que hoje representaria a Galiza, as Astúrias, Leão e o Norte de Portugal acima do Douro, e tornou-se Bispo de Braga, na época um dos maiores centros de influência da Cristandade.

São Martinho foi a figura central da evangelização dos Suevos, o povo germânico que governava o norte da Península Ibérica naquele momento.

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Em 561, presidiu ao Primeiro Concílio de Braga.

Entre as decisões tomadas estava uma que teria consequências linguísticas únicas a nível mundial, a substituição dos nomes pagãos dos dias da semana por um sistema baseado em festas litúrgicas. A partir do Concílio de Braga, os dias passaram a ser Dominica dies, Feria Secunda, Feria Tertia, Feria Quarta, Feria Quinta, Feria Sexta e Sabbatum.

Feria não significava mercado — significava festa, no sentido de celebração religiosa. Daí vem, aliás, a palavra feriado.

Com a evolução da língua, Feria Secunda foi-se contraindo e transformando. Feria tornou-se feira, e os números latinos foram-se adaptando à pronúncia Portuguesa.

A única excepção notável é terça-feira em vez de terceira-feira — porque o nome manteve a pronúncia latina original de Tertia, em vez de adoptar a forma portuguesa do numeral.

Nenhuma outra língua o seguiu.

O Português ficou com os numerais a designar os dias da Semana.

Em Espanha, os dias da semana chamam-se Lunes, Martes, Miércoles, Jueves, Viernes, dia da Lua, de Marte, de Mercúrio, de Júpiter, de Vénus. Em Francês, Lundi, Mardi, Mercredi, Jeudi, Vendredi.

Em Italiano e Inglês e nos outros idiomas os dias da semana seguem os Astros que, por sua vez, significavam os Deus da Antiguidade,

Mas na Galécia passámos a ter, Segunda-Feira, Terça-Feira, Quarta-Feira, Quinta-Feira, Sexta-Feira, Sábado e Domingo.

Nenhuma referência aos Deuses ou aos Planetas da mitologia romana. Há apenas números e uma palavra “Feira” que neste contexto não significa mercado, mas sim festa litúrgica.

É um sistema completamente diferente de todos os outros, e existe apenas numa língua em todo o mundo, o Português. A razão tem um nome-São Martinho de Dume.

Mas os outros cinco dias continuaram a chamar-se como sempre — com os nomes dos Deuses Pagãos — em quase toda a parte.

Quando Portugal se tornou reino independente no século XII, o sistema de São Martinho tinha já mais de quinhentos anos de uso — era simplesmente a forma como as pessoas diziam os dias. Não havia razão para mudar.

E quando a Língua Portuguesa se espalhou pelo mundo com os Descobrimentos, levou consigo os dias da semana como os tinha herdado de Braga.

Um bispo Panónio (hoje Hungria) do século VI, numa cidade do norte de Portugal, tomou uma decisão num concílio que a maioria dos europeus ignorou — e criou a única língua do mundo onde os dias da semana não têm nenhum Deus Romano.

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