Início Cultura Quarta edição da MESTRA reúne grande consenso e está cada vez melhor

Quarta edição da MESTRA reúne grande consenso e está cada vez melhor

0
220
Os participantes

Caldas da Rainha foi a capital da cerâmica nacional durante o fim de semana. Evento quer continuar a crescer

Foi numa grande tenda com 900 metros quadrados que foi possível conhecer o trabalho de mais de uma centena de ceramistas de todo o país. Estiveram nas Caldas, entre os dias 19 e 21 de junho representantes de 16 cidades de Norte a Sul num certame que atraiu gente de todas as idades ao longo dos três dias.

A mostra mercado Mestra abriu na sexta-feira, 19 de junho, com uma sessão que contou com a presença de alguns representantes autárquicos dos concelhos vizinhos, como de Alcobaça e do Bombarral.

- publicidade -

“Este é um momento muito feliz”, disse a vereadora caldense, Conceição Henriques que ainda recordou que a Mestra descende das feiras de cerâmica que terminaram no início dos anos 90 e eram as maiores do país daquela época. “Agora temos um evento de características diferentes”, informou a autarca, acrescentando que a Mestra começou de forma tímida e que acabou por dar um grande salto qualitativo a partir da terceira edição.

Agora a quarta edição “já aponta para o que queremos deste evento onde temos representada a cerâmica de Norte a Sul de Portugal”.

Pedro Brás, o presidente da União de Freguesias de N. Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório também é defensor da Mestra e só lamenta não ter tempo para participar, dado que este autarca é também um conhecido ceramista.

Fernando Costa, presidente da Assembleia Municipal, recordou as antigas feiras de cerâmica que eram dirigidas sobretudo à indústria e que agora deram lugar a um evento voltado sobretudo “para a indústria criativa”.

Para o vice-presidente da Câmara, Joaquim Beato este “é um dia de enorme alegria” pois “este projeto é fantástico e tem muita classe”. O autarca que esteve em representação do presidente Vítor Marques também tem uma forte ligação à cerâmica pois anteriormente esteve ligado à indústria cerâmica.

Além da grande tenda do mercado de Autor, o evento contou com uma segunda tenda onde marcaram presença os Agrupamentos de Escolas D. João II, Rafael Bordalo Pinheiro e Raul Proença, bem como a Escola Técnica e Empresarial do Oeste, que apresentaram projetos desenvolvidos no âmbito do Plano Nacional das Artes.

Marcou igualmente presença a Associação de Bordados das Caldas. E foi neste espaço que decorreram as oficinas criativas lideradas por vários autores e que encantaram sobretudo os visitantes mais novos.

Ao longo dos três dias, a Mestra contou com um programa de eventos culturais, exposições e visitas a museus, experiências criativas, teatro, música, animação de rua e conversas em torno da arte cerâmica.

O ceramista Vitor Pires apreciou fazer parte desta quarta edição que conta agora “com uma tenda muito maior”. Para o ceramista caldense, a Mestra “é um bom evento e mostra empenho por parte da autarquia na área da cerâmica”.

O autor acha que o setor sofre com o encerramento do Museu de Cerâmica e até deixou a sugestão para o Museu Malhoa abrir uma área com peças de cerâmica para que os visitantes “possam ver o espólio que a cidade possui”.

Já para o colecionador Alexandre Correia, a Mestra “está a crescer de forma sustentada e tem conseguido fazê-lo com qualidade”. Há, na sua opinião, mais expositores e o mercado mostra “consegue manter autores com trabalhos de qualidade assinalável”.

Fernando Miguel também considera que o evento tem vindo a crescer pois “tem cada vez mais gente a expor”. Por um lado, este auto, que é também descendente de uma família de ceramistas,, considera que seria bom que houvesse um evento ligado à cerâmica pelo 15 de maio. Mas, por outro, “uma edição grande por ano é bem bom”, reconhece. Este artista também gostava que se organizassem iniciativas de média dimensão na Expoeste ou no antigo espaço que albergava a loja da Secla.

Fernando veio acompanhado pela sua mulher, a também ceramista Milene Miguel, e são presenças regulares desta mostra mercado.

É a segunda vez que João Lourenço marca presença neste evento. Veio de Barcelos e trouxe as suas peças contemporâneas feitas em grés.

“Continuarei a vir e a recomendar a vinda a outros entusiastas”, referiu o ceramista, que frisou que há uma componente interessante de convívio, de partilha e de troca de ideias entre quem se dedica a esta área.

Já para Patrícia Ribeiro – que está presente na Mestra desde a primeira edição – tem sido agradável assistir ao crescimento progressivo desta iniciativa.

“Este ano há trabalhos de grande qualidade”, comentou a autora que acha que este ano “a fasquia está muito elevada”. Patrícia Ribeiro também notou uma mudança na atitude dos visitantes que não se limitam a passar e a ver as peças. A maioria pára, conversa e pergunta como é que são feitas as obras.

Ana Novais veio estudar para a ESAD.CR há sete anos e decidiu ficar pelas Caldas. Depois da licenciatura em Artes Plásticas fez um curso de joalharia e também começou a trabalhar na área da cerâmica, tendo aprendido com a ceramista Ana Cabral.

“Faço o meu trabalho com base no figurado tradicional”, disse a jovem que participou no intercâmbio de mulheres ceramistas que decorreu em Deruta, em Itália. Esta foi a primeira vez que a autora integrou a Mestra e ficou muito feliz por fazer parte do evento que atraiu milhares de pessoas ao longo dos três dias.

Miguel Neto venceu concurso Mestria
“Almotolia” foi a peça vencedora do concurso Mestria que foi promovido pela primeira vez por este certame e que pretende reconhecer a excelência da criação cerâmica apresentada no evento. O ceramista distinguido foi Miguel Neto que realizou uma peça de um metro e oitenta de altura “que faz uma homenagem a quem me ensinou cerâmica: Armindo e João Reis”.

Trata-se de uma obra que se inspira na tradição da peça que antes guardava o azeite e que guarda a particularidade de ter sido cozida ao vivo no evento “Domar o Fogo” que decorreu em março no Centro de Artes.

“Foi muito bom! E foi a oportunidade para muita gente, que assistiu à cozedura, poder também ver o resultado final”, disse o autor que já tinha conformado esta peça anteriormente e que estava num estúdio de um seu amigo no Bombarral.

Para o vencedor do concurso, a Mestra “correu muito bem” e está no bom caminho para continuar a crescer e a ter cada vez mais qualidade”.

Este ceramista e oleiro, que é também formador no Cencal, considera que há um interesse renovado pela área da cerâmica por parte dos jovens conforme comprovaram várias bancas presentes neste certame. Para o autor, as peças concorrentes feitas por Teresa Alves e por Bolota também teriam sido boas opções para vencer este prémio.

Património, paisagem e cultura viva
No âmbito do ciclo de conversas As Mãos Pensam, a Mestra recebeu Clara Bertrand Cabral, antropóloga, investigadora e responsável pelo sector da Cultura da Comissão Nacional da UNESCO esteve nas Caldas no sábado, 20 de junho, a participar numa conversa conduzida por Celeste Afonso. A conversa foi sobre o papel do património cultural — material e imaterial — na construção dos territórios, das identidades e do futuro.

A conversa também se estendeu às cidades, ao património, à criatividade e às formas de como se deve manter viva a cultura sem a cristalizar.

Na primeira parte desta conversa Celeste Afonso apresentou Sean Silva, artista que usa barro que vai buscar às margens da Lagoa de Óbidos. Depois coze as suas peças num forno construído pelo próprio. “Vamos continuar a dar oportunidade aos autores de apresentarem como é o processo das suas obras”, contou Celeste Afonso, responsável por estas conversas.

Foi mostrado também um vídeo sobre a produção deste autor que vive e trabalha na região.

No próximo dia 4 de julho, às 18h00, haverá nas Caldas uma última conversa da programação da Mestra com Joana Cardoso, comissária de Portugal na Expo Osaka 2025 e membro do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian.

A convidada virá conversar sobre “O que mostramos quando nos mostramos?”, num encontro sobre cultura, património, criação contemporânea e os desafios de representar um país num mundo cada vez mais interligado.

Próxima edição já em preparação
Para Conceição Henriques, a Mestra “é uma história feliz que cresceu em qualidade e em tamanho”.

A vereadora da Cultura está otimista quanto ao futuro da iniciativa que recebeu “alguns dos melhores ceramistas do país. Temos belíssimos participantes”, referiu a responsável, para quem esta é uma aposta “ganha” e que prova que a cerâmica poderá contribuir para o desenvolvimento do território.

Na sua opinião, o binómio cerâmica e água termal têm um papel central na identidades das Caldas da Rainha.

Em jeito de balanço, a vereadora considera que ao longo das edições da Mestra, “temos tido a sensibilidade de corrigir o que correu menos bem e de manter o que está certo”. A autarca está em crer que este é o modelo a seguir e “já estamos a pensar na próxima edição!”. Sem querer levantar o véu afirmou só que na próxima edição desta mostra mercado haverá uma grande aposta na inovação.

 

- publicidade -
Visão Geral da Política de Privacidade

Este website utiliza cookies para que possamos proporcionar ao utilizador a melhor experiência possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu browser e desempenham funções como reconhecê-lo quando regressa ao nosso website e ajudar a nossa equipa a compreender quais as secções do website que considera mais interessantes e úteis.