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Vítor Reis celebra década na cerâmica

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O Espaço Concas, no Centro de Artes, acolhe a mostra de Vítor Reis que abriu portas no sábado, 27 de junho.
A inauguração de “Dançar na Lama” foi concorrida, com a presença de familiares e amigos do autor que vieram celebrar com o artista a sua primeira década de trabalho dedicado à cerâmica.
O também docente na ESAD.CR descende de uma família de oleiros e o título acaba por refletir também uma homenagem às anteriores gerações.
Por outro lado, também reflete sobre os dias atuais que se vivem e sobre a forma de ser portuguesa, “quando as coisas não estão bem e nós continuamos a dançar por cima desses assuntos”.
A mostra de trabalhos em cerâmica – que o autor realizou entre 2017 e 2026 – acolhe várias propostas pontuadas pelo humor. “É um lado que vem desde miúdo e que acaba por surgir no meu trabalho”, disse Vítor Reis que tem, por exemplo, várias peças que “flutuam” como plantas ou correntes, símbolos de marcas como da Macdonald’s transformadas, urinóis e uma série de pequenos cocós decorados com bandeiras da UE, trabalho realizado pelo autor no tempo em que Portugal foi intervencionado pela Troika. Não faltam cinzeiros ondes as beatas fazem equilíbrio, uma bomba de dinamite “colada” à parede ou ainda um dinossauro que serve de suporte a pequenos pratos.

Técnicas de escultura na cerâmica
Presente está ainda uma série de obras que o autor criou com tijolos refratários, oriundos dos fornos da fábrica Secla quando aquela unidade foi demolida.
“Algumas delas nunca tinham sido apresentadas ao público e relembram memórias relacionadas com a própria fábrica”, disse o autor. Nas peças de maior escala, Vítor Reis usa técnicas da escultura em pedra nas peças de cerâmica como aconteceu numa das obras onde usou os tijolos da Secla. Estes ganharam formas redondas, com recurso ao uso de rebarbadoras.
O artista, formado em Escultura na ESAD.CR, usa vários tipos de cerâmica e tanto trabalha em cerâmica líquida, barro vermelho e até grés para as propostas mais resistentes.
No trabalho em cerâmica este autor procura obter leveza algo que contrasta com o peso habitual que tem a escultura em pedra á qual se dedicou antes do desenvolver o seu trabalho no barro.
“Mesmo quando faço pequenas peças continuo a ter em conta a escultura”, disse o autor que acha que as peças de cerâmica são à dimensão da mão enquanto que as obras escultóricas e de maior escala “têm a escala do corpo”.
“Dançar na Lama” vai ficar patente no Espaço Concas – no Centro de Artes – até ao dia 16 de agosto e vai contar com um programa de atividades que incluirá conversas e até workshops para os mais novos.
Vítor Reis integra a mostra coletiva “Criaturas da Noite” que se dedica à cerâmica contemporânea e que está patente na galeria Plato, em Évora. A mostra, com curadoria de João Muchagata, possui três peças do autor caldense e pode ser apreciada até ao próximo dia 22 de agosto.

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