A Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO) alertou hoje que os 40 milhões de euros (ME) anunciados para fazer face aos prejuízos do mau tempo na agricultura não escassos.
“Acho os 40 ME muito curtos para o que é necessário, dada a dimensão dos prejuízos no país”, afirmou o presidente da AIHO, Sérgio Ferreira, à agência Lusa.
O dirigente chamou também a atenção que o teto máximo elegível de 400 mil euros para os apoios e o facto de ter de haver 30% de prejuízos por parcela “vão deixar de fora vários agricultores”.
“Temos vários casos em que os apoios não vão ser suficientes, porque os 400 mil euros não dão para reconstruir um hectare de estufas”, explicou Sérgio Ferreira, acrescentando que nesses casos restam os seguros das estruturas, empréstimos bancários ou capitais próprios.
Os prejuízos atingem estruturas, como estufas, e culturas parcial ou totalmente destruídas.
“Há agricultores cujas explorações foram afetadas pela tempestade Martinho, em março, que se candidataram a apoios, que as candidaturas estão ainda a ser analisadas e que voltaram a ter estragos”, de acordo com o presidente da AIHO, lembrando que os produtores de morangos não têm seguros possíveis para assegurar as respetivas estufas.
Depois da depressão Kristin e Leonardo, os estragos do mau tempo na agricultura afetam sobretudo as produções de hortícolas, nomeadamente couves e tomate, em estufa ou ar livre.
A situação pode ainda agravar-se porque “se não conseguirem entrar nos terrenos, por estarem encharcados, para os preparar para fazer outras culturas, como batatas e couves, vai afetar as campanhas seguintes”.
A AIHO, que está a ajudar os agricultores nos pedidos de apoio, estimou que os prejuízos sejam “muito acima” dos cinco milhões de euros a 10 milhões de euros indicados na semana passada.
O ministro de Agricultura anunciou uma linha de apoio de 40 milhões de euros destinada à reposição do potencial agrícola que teve estragos provocados pelo mau tempo.
José Manuel Fernandes anunciou “um apoio adicional ao que tem sido anunciado de 40 milhões de euros para a reposição do potencial produtivo. Para se aceder a esse apoio, é necessário que o prejuízo seja superior a 30% em termos da exploração”.
Os apoios a fundo perdido destinam-se aos agricultores dos 68 concelhos onde foi declarada calamidade.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
*com agência Lusa








