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Bareo: a marca da Benedita que aposta no calçado barefoot

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A Bareo foi desenvolvida para oferecer um calçado que proporciona um andar natural, como se o pé estivesse descalço. O catálogo tem sneakers, sandálias e botas

Nova marca resulta de uma década de investigação clínica. A produção é assegurada pela Jomarpi, empresa familiar com 50 anos de história

A indústria de calçado da Benedita conta com uma nova aposta no segmento do calçado sustentável e focado na saúde. A Bareo, marca criada pela Jomarpi há cerca de um ano, é especializada em calçado barefoot, apostando num nicho de mercado concebido para respeitar a anatomia natural do pé. O projeto resulta de uma década de investigação clínica e posiciona-se no mercado com um produto focado na saúde podopostural, assumindo funções preventivas e corretivas de lesões, mas indicado para toda a gente.

O conceito barefoot tem registado um crescimento acentuado a nível global nos últimos anos. De acordo com Amílcar Pimenta, administrador da empresa, a marca surge para dar resposta a esta procura crescente, unindo o conhecimento industrial à medicina. “É fruto de uma investigação que iniciámos há cerca de dez anos”, refere o responsável. “A indústria do calçado e têxtil é muito acelerada pela moda, com coleções semestrais. Mas o que é feito para a moda nem sempre é bom para o corpo. Nós invertemos isso. A nossa filosofia é fazer produtos que não agridam o pé”.

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O calçado da Bareo distingue-se por características técnicas específicas, validadas por uma equipa médica com a qual a empresa mantém parceria. O design inclui uma “toe box” (caixa para os dedos) mais larga do que a do calçado convencional, permitindo a expansão natural dos dedos. Em contraste com os sapatos tradicionais, que apresentam um salto de 12 a 20 milímetros, o drop (desnível entre o calcanhar e a ponta) da Bareo é nulo ou mínimo, variando apenas entre 0,7 e 1,2 por indicações clínicas. A construção privilegia o minimalismo, eliminando costuras que possam causar atrito, e utiliza solas maleáveis em TPU que simulam a pele, aliadas a forros de lã natural e à ausência de tacão.

Atualmente no seu primeiro ano de comercialização, a Bareo adota uma estratégia de vendas exclusivamente online (em https://bareoshoes.com), num modelo direto ao consumidor. O produto, que se encontra em fase de patenteamento devido à componente clínica, está já numa versão 2.0, com a terceira iteração em desenvolvimento. Amílcar Pimenta sublinha a recetividade do público. “Temos casos de clientes com limitações físicas ou pós-operatórios que compraram vários pares após experimentarem o primeiro. É um excelente indicador”, constata o administrador. A empresa pretende reforçar a comunicação assente em dados factuais, envolvendo podologistas e osteopatas, sublinhando que as funções preventivas do calçado promovem um bem-estar geral benéfico para o indivíduo e para o Estado.

A estratégia comercial, delineada por uma equipa de marketing digital, visa a expansão internacional. O fator “Made in Portugal” tem sido decisivo para a confiança dos consumidores. Os sapatos já são exportados para a Europa e para os Estados Unidos. O plano a curto prazo inclui parcerias internacionais e a penetração no mercado da Austrália, onde o conceito barefoot regista elevada maturidade. Além do lançamento da coleção de verão de 2026, a marca prepara a introdução de uma linha de calçado infantil, que pode chegar ao público ainda este ano. Este segmento é visto como crucial para a empresa, visando criar soluções que auxiliem o desenvolvimento natural do pé das crianças desde os primeiros passos.

Empresa com 50 anos
A marca Bareo é comercializada pela Walking, empresa de distribuição do grupo, sendo a totalidade da produção assegurada pela Jomarpi, a unidade industrial familiar sediada na Benedita. Trata-se de um grupo com meio século de atividade no setor do calçado, cuja origem remonta ao avô do atual administrador. O grande desenvolvimento da oficina original foi impulsionado por José Marques Pimenta, pai de Amílcar Pimenta. A partir de 1983, com a integração da segunda e terceira gerações, a empresa iniciou um processo de mecanização e orientação para a exportação, acumulando vasta experiência no regime de private label, ou seja, fabricando para marcas de clientes.

Atualmente, a Jomarpi emprega meia centena de trabalhadores e detém uma capacidade instalada que permite produzir 700 pares de sapatos por dia. A unidade industrial fornece cerca de duas dezenas de clientes distribuídos por 20 países. Contudo, as recentes crises e rápidas mudanças do mercado global ditaram uma reestruturação estratégica. O grupo iniciou um processo de racionalização produtiva, priorizando a sustentabilidade e o valor acrescentado do produto em detrimento da produção massificada.

Ao contrário do paradigma atual, em que diversas marcas subcontratam a produção premium em Portugal e as linhas económicas na Ásia, a empresa da Benedita concentra todo o processo nas suas instalações. “Isso dá-nos uma versatilidade que muitos outros negócios perdem”, explica Amílcar Pimenta.

A Bareo foi desenvolvida para oferecer um calçado que proporciona um andar natural, como se o pé estivesse descalço. O catálogo tem sneakers, sandálias e botas
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