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Exigências Sociais e a Parentalidade

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Lurdes Pequicho
Educadora de Infância

Os dias de hoje são marcados pela azáfama e pela correria. Focar no presente e valorizar o momento que estamos a viver torna-se cada vez mais difícil de alcançar, devido às inúmeras tarefas que acumulamos diariamente. O trabalho é cada vez mais exigente; os filhos, a família, a escola e a própria sociedade também o são, tornando-se, simultaneamente, cada vez menos tolerantes ao erro, à simples condição de sermos seres humanos em construção. Só a perfeição é valorizada, só os resultados parecem importar.
E como fica uma mãe ou um pai perante esta pressão, este stress diário? Se errar, é considerado incompetente. É um profissional incompetente, porque está cansado e não produz o que seria esperado; é um pai ou uma mãe incompetente, porque não sabe educar o filho nem consegue que ele lhe obedeça; é um filho incompetente, porque não visita os pais todos os fins de semana. É incompetente aqui, não é suficiente ali.

No final de tanta exigência e de tantas falhas sentidas, a autoestima, a autoconfiança e o acreditar em si, se existiam, descem a níveis preocupantes, e começamos a desistir. Desistimos de ser melhores pais, porque não temos energia para lidar com uma birra; desistimos de ser melhores trabalhadores, melhores filhos, de sermos melhores… e passamos apenas a sobreviver.

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Depois de pensar em todos, talvez, lá no fim, nos lembremos de nós e reconheçamos que estamos a fazer o melhor que conseguimos. Se estas vozes críticas estivessem realmente dispostas a ajudar, se mostrassem empatia, talvez percebessem que, para os nossos filhos estarem bem, nós, enquanto pais, também precisamos de estar bem, de cuidar do nosso bem-estar mental.

Assumir que podemos fraquejar, sabendo que temos quem nos apoie e nos ajude a levantar; errar, vendo o erro como uma oportunidade de aprender e fazer diferente; chorar e mostrar vulnerabilidade, ensinando aos nossos filhos que é legítimo sentir e pedir ajuda, tudo isto faz parte de educar.

Lembremo-nos: ninguém nos substitui no nosso papel de pais. Não tenhamos dúvidas. O que quer que fique registado na memória dos seus filhos?

Tudo o que nos acontece é, em grande parte, consequência das nossas escolhas e decisões. Somos nós que decidimos o que queremos fazer connosco e com os nossos filhos. Como diz Augusto Cury, “seja o autor da sua própria história”. Defenda a sua saúde mental, proteja-a das pressões e opiniões externas e seja consciente das suas escolhas.

Com amor.

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