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Celebrações do centenário da elevação das Caldas a Cidade até maio de 2028

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O comissário das comemorações, João Paulo Feliciano, ladeado por representantes da Câmara e da Assembleia Municipal

O dia 26 de agosto de 2026 (99º aniversário da elevação das Caldas da Rainha a cidade) marcou o início das celebrações do centenário, que irão prolongar-se até 2028, comissariadas pelo artista plástico caldense João Paulo Feliciano. O programa será conhecido em outubro

O centenário das Caldas “muito mais do que uma efeméride, que é, é uma oportunidade”, considera João Paulo Feliciano, o artista plástico de 63 anos a quem foi feito o desafio de programar as comemorações. “Aquilo que fizermos é o que vai marcar o futuro das Caldas da Rainha. Se não fizermos nada, isso também marca”, salientou, reconhecendo tratar-se de um desafio complexo, que pretende abraçar “de forma holística”. O programa está a ser construído e será conhecido em outubro. De acordo com João Paulo Feliciano vai ser marcado por momentos-chave e coisas que vão acontecer, como espetáculos ou exposições”, mas sobretudo “por iniciativas que são para ficar para o futuro, como um programa de edições e publicações” nas quais ele irá contribuir, para que “não seja simplesmente uma reflexão avulso de obras, que haja um esqueleto e que haja sentido nessas publicações”. Quer dar “atenção” a alguns momentos-chave como o 15 de maio do próximo ano, o dia do Centenário da Cidade (26 de agosto) e o 15 de maio de 2028 que fechará as comemorações deste ano de centenário.
No arranque das comemorações, que decorreram a 26 de agosto, dia em que se cumprem 99 anos da elevação de Caldas da Rainha a cidade, João Paulo Feliciano lembrou os planos estratégicos elaborados para as Caldas, nomeadamente o masterplan do termalismo, que lhe “parece um excelente instrumento de trabalho”. O comissário destas comemorações deixou ainda uma provocação: “a imagem do ponto de maturidade das Caldas enquanto urbe, enquanto cidade que decide sobre o seu destino e o que quer ser, seria quando os cidadãos decidissem demolir três edifícios e assumir os custos dessa demolição”. Os edifícios em questão são o prédio de vários andares existente na Rua dos Loureiros, dentro da malha da Mata Rainha D. Leonor, e os dois edifícios de seis andares existentes junto à Praça da Fruta.

Caldas quintuplicou a população em 99 anos
Atualmente existem 159 cidades em Portugal. Em 1927, data de elevação das Caldas da Rainha de vila a cidade, existiam em Portugal, cerca de 30 cidades e, destas, 18 eram capitais de distrito e 4 capitais de distritos insulares. Em 1974 não chegavam a 5 dezenas o número das cidades portuguesas, sendo Caldas da Rainha a única cidade da Região Oeste. Os dados foram apresentados pela vereadora Conceição Henriques, para quem “os últimos 99 anos comprovaram sem margem para dúvida que foi certeira a visão que identificou Caldas como urbe merecedora do que, à época, seria tão elevada distinção”. Neste período, a cidade multiplicou por cinco a sua população e subiu de um quinto para mais de metade o seu peso percentual relativo na população total do concelho. Entre as realizações, a autarca destacou a construção do Campo da Mata (1934), a requalificação do Teatro Pinheiro Chagas (1939), a construção Museu José Malhoa (1940) e a requalificação e ampliação do Parque D. Carlos I (1948-1951). Foram ainda elencadas a construção da Igreja de N. S. da Conceição (1951), do novo quartel do Exército (1953) e do atual tribunal (1959), a construção da nova Escola Comercial e Industrial, atual Escola Rafael Bordalo Pinheiro (1964), a construção do novo Hospital Distrital de Caldas da Rainha (1967), a inauguração da ESAD (1990), a construção do conjunto de museus municipais congregados no centro de artes, entre 1985 e 2017, e a inauguração da ESAD (1990).
Conceição Henriques destacou ainda a construção do CCC, inaugurado em 2008 entre as consecuções que respeitam os traços distintivos da cidade. Um “olhar sobre o passado, nos aponta a necessidade de transformar a cidade mediante planeamento integrado”, defendeu a autarca, mencionando o master plan do Termal, que contempla a construção de um novo balneário termal e a reconfiguração da zona su-sudeste da cidade numa lógica de território com os olhos postos num urbanismo do futuro.
Para Conceição Henriques o centenário deve ser aproveitado para, mais do que para a realização de eventos delimitados no tempo e no espaço, “refletir sobre o futuro do território, contando com as forças nele existentes, que decorrem do passado e se concretizam no presente”.

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Cidade Revisitada, Vivida e Imaginada
O início da celebração do centenário teve como “princípio e objetivo pensar e refletir sobre esta cidade”, salientou o presidente da Câmara, Vítor Marques. As comemorações assentarão em três eixos prioritários: Cidade Revisitada, Cidade Vivida, Cidade Imaginada, “procurando estabelecer uma ligação entre a memória, a realidade atual e o futuro da cidade”. No primeiro eixo, as iniciativas integram a valorização da memória e do arquivo, a recolha e organização de fontes, exposições e leituras históricas, publicações, roteiros e a revisitação de protagonistas e momentos marcantes da história caldense. O segundo eixo refere-se à “cidade contemporânea, nas suas pessoas, comunidades, instituições e dinâmicas”, procurando promover “o envolvimento da comunidade na construção das comemorações”. Num terceiro eixo incluem-se as iniciativas de “promoção do pensamento estratégico, da experimentação e da criação de propostas com continuidade para além de 2027”, como debates, encontros temáticos, laboratórios de futuro, projetos-piloto e intervenções artísticas.

A cerimónia decorreu na sala Dr. Mário Gonçalves, no Hospital Termal, “um edifício que marca a nossa identidade”, salientou o autarca, lembrando as obras de reabilitação e de melhoria de imagem de que está a ser alvo. O autarca apelou à tomada de opinião dos cidadãos, para ajudar à decisão no investimento a fazer, a curto prazo, no termalismo. “Existe vontade, existe financiamento, é só preciso decidir! E que o diálogo não seja obstáculo à decisão”, disse, apelando à “ambição” para a construção do futuro.
Para o presidente da Assembleia Municipal, Fernando Costa, comemorar os 100 anos da cidade “é uma obrigação”. Na sua opinião, “quem não conhece o passado, os seus antepassados, a origem da terra onde vive, não é digno do presente que o rodeia”.

Dirigindo-se a João Paulo Feliciano, Fernando Costa falou do “trabalho difícil que terá pela frente”, mas que acredita que, com a ajuda de todos, será um êxito.

Lembrou que as Caldas da Rainha passam, de uma vila, quase só conhecida pelas termas, para uma terra de grande importância também industrial e cultural. Numa “viagem” pela história, do último século, Fernando Costa lembrou momentos e personalidades marcantes e também como a cidade, que em 1930 tinha 7 mil habitantes, num concelho com 29 mil, cresceu para os 57 mil atuais.

Também presente na cerimónia, Pedro Brás, presidente da União de Freguesias Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, destacou a história “rica” da cidade, que pode ser contada em cinco grandes identidades: as águas termais, a cerâmica, o comércio, a agricultura e as artes. “A vila das Caldas nasceu das termas de D. Leonor, cresceu com o caminho de ferro e a indústria, ganhou projeção através das suas feiras e do comércio e afirmou-se pela cerâmica e suas artes”, especificou, elencando alguns dos principais acontecimentos do último século.

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