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“Comboio” faz a ligação da Green Hill à praia da Foz do Arelho de borla

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Comboio faz 14 voltas diárias, cada uma de cerca de meia hora e com oito paragens

Objetivo é retirar trânsito da zona de praia, com o shuttle entre as 10h00 e as 19h00

Este ano há uma novidade na praia da Foz do Arelho: a circulação de um “comboio” que faz a ligação entre a zona da antiga Green Hill e a praia. Este é um serviço assegurado pela Rodoviária do Oeste, mas suportado pela Câmara das Caldas, que investe perto de 20 mil euros para criar esta oferta, que vigorou em três fins de semana de julho e diariamente durante o mês de agosto.

O objetivo é principalmente retirar o trânsito da zona da praia, mas também facilitar a vida às pessoas que encontram, frequentemente, dificuldades em estacionar as suas viaturas.

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A viagem a bordo deste “comboio” italiano da Dottotrains, com um motor a diesel de quatro velocidade com as suas três carruagens (num total de 54 lugares), é agradável. Entre os abanões e os solavancos, o guinchar das carruagens e os apitos e buzinadelas do motorista, uma volta dura 28 minutos, desde que sai da Green Hill até voltar, com oito paragens. Deste ponto à rotunda da praia são oito minutos e até à zona do antigo cais da Lagoa de Óbidos são cerca de 13 minutos. Entre as 10h00 e as 19h00 são 14 viagens (com uma pausa entre as 11h30 e as 12h30).

Lá dentro sentimos os cheiros do gasóleo, mas também da própria Lagoa de Óbidos. A vista para a praia e para as águas lagunares e do Oceano Atlântico é de tirar o fôlego e, pela baixa velocidade, é apreciada com calma, conferindo ao serviço um carácter turístico (até porque passa, por exemplo, pelo Penedo Furado ou pela escultura do Búzio).

Nesta viagem há duas dificuldades óbvias: uma é a inclinada subida para a Green Hill, exigente para o motor reduzido da máquina. Outra é a falta de civismo de algumas pessoas que estacionam fora dos lugares indicados, em segunda fila ou na própria estrada, dificultando a passagem de um veículo tão comprido (tem 18 metros).

Ao volante está o bem-humorado Edmilson Freitas, que veio do Brasil há dois anos, mas que já na sua terra natal era motorista de passageiros. “Está no sangue, já o meu pai e o meu irmão eram motoristas”, conta à Gazeta das Caldas. Edmilson já tinha conduzido esta viatura em serviços no Santuário de Fátima e no Sabugal, sendo que este é também o comboio utilizado no Natal das Caldas. A sua grande preocupação é sempre com a segurança das pessoas e nota-se que gosta do trabalho que faz ao longo de todo o dia, durante este mês de agosto. O calor, esse, é suportável graças ao ar condicionado na cabine do condutor.

“Temos tido muita gente”, nota Edmilson, acrescentando que nos fins de semana a procura multiplica. “Também é uma novidade”, frisa, notando que crianças e adultos acham piada ao veículo e ao seu apito. Da Foz do Arelho conhecia pouco, “tinha vindo uma vez à praia aqui há três anos”, conta-nos, antes de apitar para partir novamente.

Aproveitamos para falar com João Pinto que reside nas Caldas e que elogia a criação deste serviço, numa praia onde o estacionamento é uma das principais dificuldades. “É uma excelente ideia”, resume, elogiando a rapidez e o conforto da viagem. No entanto considera que “é muito cedo a última saída da praia às 18h38” e que “podia ir até perto das 20h00”. Além disso, na sua opinião, o shuttle poderia ser alargado a mais meses, defendendo que “fazia todo o sentido” que fosse diariamente logo a partir de meados de julho e que fosse prolongado nesses moldes até meados de setembro.

O presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, explicou à Gazeta das Caldas que o objetivo era “criar mais e melhor mobilidade” e que faz parte de “um processo integrado”, que com o Passe M permite aos oestinos ter acesso a transportes gratuitos. Acresce que além das ligações normais, existe uma linha de reforço, que apenas pára na Expoeste. A ideia é fomentar a utilização de transportes públicos, até porque o autarca admite a escassez de estacionamento na praia. O edil caldense nota que o serviço tem tido bastante procura e destaca o carácter turístico do mesmo.

Na passada sexta-feira o veículo sofreu uma avaria no motor, rapidamente reparada, voltando a circular logo no sábado, com o serviço assegurado por um autocarro durante esse tempo.

O shuttle representa um investimento de 510 euros por dia para a autarquia, esclareceu Vítor Marques.

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