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Gazeta das Caldas debateu desafios do jornalismo no La Vie

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Os intervenientes das “Conversas La Vie” sobre a Gazeta e a direção do centro comercial atribuíram um donativo à CRAPAA

Sessão “Conversas La Vie” refletiu sobre a proximidade e o futuro da imprensa regional, no âmbito da exposição “Um 100 Número de Gazetas”

A celebração do centenário da Gazeta das Caldas passou, no passado dia 6 de maio, pelo centro comercial La Vie Caldas da Rainha, com uma sessão “Conversas La Vie” dedicada à história, ao presente e aos desafios do jornal regional. A iniciativa integrou a programação da exposição fotográfica “Um 100 Número de Gazetas”, patente naquele espaço até 10 de maio, e reuniu elementos ligados ao jornal e à Cooperativa Editorial Caldense, proprietária do título, para refletir sobre o papel da comunicação social regional numa época marcada pelo imediatismo, pela desinformação e pela transformação dos hábitos de consumo de notícias.

A conversa, moderada por João Carlos Costa, contou com José Luís Almeida e Rui Vieira, administradores da Cooperativa Editorial Caldense, Fátima Ferreira, jornalista e diretora do jornal, e Jorge Sobral, um dos fundadores da cooperativa que foi também um dos chefes de redação no pós-25 de Abril. Os intervenientes sublinharam o peso histórico da Gazeta na região e a responsabilidade de manter um projeto centenário ligado à comunidade.

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José Luís Almeida começou por recordar que a Gazeta “é um produto da cooperativa editorial caldense”, destacando a importância da estrutura no percurso do jornal, mas também “tem uma relevância histórica, social e cultural nas Caldas”. O responsável considerou que gerir a cooperativa representa “uma responsabilidade muito grande”, também como forma de homenagem “a pessoas como o Jorge [Sobral], que há 50 anos arranjaram uma solução para um jornal que tinha 50 anos e que se queria que continuasse a ter muitos mais”.

Essa ligação entre passado e futuro foi igualmente destacada por Jorge Sobral. A fundação do jornal, em 1925, não aconteceu “por acaso”. “Se formos ver quem foram os fundadores da Gazeta, vamos ver replicados os seus nomes em vários acontecimentos que seguiram a 1925”, disse, associando o jornal ao desenvolvimento social, económico e cultural das Caldas da Rainha.

Jorge Sobral evocou também o período do 25 de Abril como um momento determinante para a liberdade da imprensa. “Era a liberdade, era a possibilidade da Gazeta poder dizer tudo aquilo que é possível dizer, sem censura, sem repressão”, afirmou, lembrando, contudo, que ao longo das décadas nem sempre o jornal foi consensual junto do poder político local. “Houve combate contra a Gazeta”, disse, apontando casos de “asfixia económica” como forma de pressão.
Fátima Ferreira realçou que as formas de pressão continuam a existir, “não acredito que haja algum jornalista que não receba recados, mas há uma linha que não pode ser transposta e nós, na Gazeta, não a transpomos”, afirmou.

O debate centrou-se também na importância do jornalismo de proximidade e na necessidade de preservar espaços de informação credível. Fátima Ferreira considerou que o jornal “faz parte do património da região” porque permite acompanhar “a evolução das Caldas e da região”, bem como as mudanças políticas e sociais ocorridas ao longo de um século.

A diretora do jornal defendeu que o principal desafio atual passa por manter o rigor num contexto dominado pela velocidade das redes sociais. “Nós vamos sempre “a perder”, porque as pessoas querem saber as coisas o mais rapidamente possível”, admitiu. Ainda assim, alertou que “o escrutínio e a confirmação dos factos” estão “inversamente ligados a esse imediatismo” e é nesse espaço que o jornalismo tem que fazer a diferença.

Também Rui Vieira reforçou essa ideia, apontando à necessidade de defender a informação credível. “Sem informação correta nós não temos boas decisões”, afirmou. O responsável recorreu à alegoria do quadro “A Verdade saindo do poço”, de Jean-Léon Gérôme, para ilustrar o impacto da desinformação. Nessa história, a mentira rouba as roupas da verdade e entra na cidade “vestida de verdade”, enquanto a verdade surge “nua e crua” e acaba rejeitada, aludiu, acrescentando que “há um movimento de verdade” e que os leitores tenderão a valorizar cada vez mais “plataformas verdadeiras” e conteúdos credíveis.

A questão da sustentabilidade económica dos jornais regionais é hoje um dos principais desafios do setor. José Luís Almeida salientou que a continuidade da Gazeta depende não apenas do trabalho dos jornalistas, mas também dos leitores e assinantes. “São eles que fazem que a Gazeta seja algo vivo”, afirmou.

Rui Vieira criticou a partilha ilegal de edições em PDF. “Quem faz a pirataria da Gazeta não está só a partilhar um PDF, está a pôr em causa vários postos de trabalho”, alertou.

José Luís Almeida encerrou a sessão deixando um desejo para o futuro do jornal. “Que mantenha o seu compromisso com a verdade, com a região e com os leitores”, afirmou.

Na iniciativa “Conversas La Vie”, o centro comercial convida os convidados a escolher uma causa para apoiar com um donativo de 200 euros e a escolha foi a CRAPAA.

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