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Oleiro Armindo Reis completaria 100 anos amanhã

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O mestre oleiro Armindo Reis, que faleceu a 11 de janeiro de 2012 completaria 100 anos amanhã, 20 de julho. Este autor – que foi vítima de ataque cardíaco, descende de uma família local com várias gerações de ceramistas e ensinou muitos outros de todo o país.
O oleiro e rodista, participou numa das edições do Céu de Vidro que se realizou no dia da Cidade, 15 de Maio de 2011. Foi a última vez que Gazeta das Caldas conversou com o autor, considerado como o último oleiro da vertente da louça tradicional das Caldas. Questionado se já tinha vendido muitas peças, Armindo Reis não soube responder. “Não sei…é o meu sobrinho Mário que agora é o tesoureiro”, dizia divertido à Gazeta naquela que seria a sua última entrevista a este semanário.O sobrinho, ceramista também, contou que o seu tio era o autor que mais tinha vendido naquela iniciativa.
Nessa última conversa, Armindo Reis reviu um pouco do seu percurso para se recordar que o seu mestre tinha sido o seu pai João dos Reis e o primeiro patrão, Germano Luís da Silva, que era também o dono do Hotel da Copa. “Foi na sua oficina que completei 10 anos”, contou. Lembrava-se que nestas pequenas oficinas os fornos eram a lenha e que havia uma enorme fumaceira e “nós, para evitar reclamações, cozíamos de noite e desse modo não incomodávamos tanto”.
Armindo Reis completou 86 anos no mês de julho de 2011, e ainda partilhou na época que dedicou perto de sete décadas de dedicação à cerâmica. Em março de 2012 foi feito um evento no Casa da Eira Branca que homenageou Armindo Reis.
Na altura Herculano Elias, artista da mesma geração, afirmou que “com a morte do Armindo Reis desaparece irremediavelmente a tradicional olaria caldense”. ainda designou como “um homem simples, sem pretensão a honrarias, mas consciente da sua mestria como oleiro”.
Herculano Elias (1935-2015) lamentava que a própria cidade não tenha providenciado um espaço que permitisse a passagem do conhecimento da olaria às novas gerações mas referiu que Armindo Reis, com o seu irmão João Reis acabaram por “influenciar muitos dos actuais ceramistas caldenses”.
Ambos ensinaram no Cencal várias gerações de ceramistas, e que hoje são reconhecidos profissionais desta área.
Nessa sessão de homenagem feita a Armindo Reis, no Casal da Eira Branca, a filha do oleiro – reconhecido pelo público e entre os pares pelo rigor e minúcia com que executava o seu trabalho de olaria -afirmou que a homenagem feita ao seu familiar foi “bonita” e “o meu pai teria gostado”. Já naquela altura, a filha do ceramista caldense lamentou o facto do poder local não ter reconhecido o mérito do pai ainda em vida.

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