InícioEducaçãoRobótica põe alunos do 1.º ciclo da Raul Proença a contar histórias

Robótica põe alunos do 1.º ciclo da Raul Proença a contar histórias

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Uma história, um cenário construído em sala de aula e um pequeno robô capaz de percorrer autonomamente o percurso definido pelos alunos. Foi desta forma que cerca de 200 crianças do 4.º ano do Agrupamento de Escolas Raul Proença participaram no RoboRaul, uma competição de robótica idealizada e organizada por dois alunos finalistas do Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos.
O projeto, desenvolvido ao longo de todo o ano letivo por Maria Sousa e Kauã Lima, culminou na passada segunda-feira com a apresentação dos trabalhos. No final, o primeiro lugar foi atribuído ao 4.º A do Centro Escolar de Santo Onofre, seguindo-se o 4.º A da Escola Básica de Santo Onofre, enquanto o terceiro lugar foi conquistado pela turma do 3.º e 4.º ano da Escola Básica da Foz do Arelho.
Mais do que uma competição, o RoboRaul procurou aproximar os alunos mais novos da tecnologia, da programação e da robótica.
A ideia nasceu durante uma competição externa de robótica em que os dois estudantes participaram no ano passado, pelo Clube de Robótica do agrupamento. “Participámos numa prova de dança, na qual o objetivo era controlar o robô para que fizesse movimentos de acordo com o som. Pensámos que este conceito poderia tornar-se o nosso Projeto de Aptidão Profissional”, explicou Maria Sousa.
A partir dessa ideia, os dois alunos desenvolveram um projeto que envolveu diretamente as turmas do 4.º ano. Cada grupo recebeu um veículo robótico e foi desafiado a criar uma história, construir um cenário e programar o percurso que o robô deveria percorrer durante a apresentação final. “Construíram um cenário nas aulas, com os professores. Enquanto alguns alunos fazem uma atuação em redor do cenário, o carro, que é a personagem principal da peça, percorre o trajeto de acordo com a história”, descreveu a aluna.
Maria Sousa e Kauã Lima conceberam e construíram eles próprios os veículos robotizados, através de impressão 3D. Ao longo do ano, deslocaram-se às escolas para ensinar os conceitos básicos de programação e apoiar as turmas no desenvolvimento dos projetos.
“Nós ensinámos a programação nas escolas e, posteriormente, muitos alunos conseguiram fazê-la sozinhos”, referiu Maria Sousa, destacando ainda a dimensão multidisciplinar da iniciativa, que envolveu o Português na criação das narrativas, a Educação Visual na construção dos cenários e a Robótica na programação dos veículos. “Criámos algo divertido e interativo para que pudessem trabalhar em equipa, uma competência importante para a vida”, complementou Kauã Lima.
O RoboRaul surgiu também como resultado da experiência acumulada pelo Clube de Robótica do Agrupamento de Escolas Raul Proença, que funciona desde o ano letivo de 2016/2017. Segundo o professor Luís Fernandes, coordenador do clube, a iniciativa pretendeu replicar uma experiência já existente noutros agrupamentos e despertar o interesse dos mais novos pela área tecnológica. “Este é o nosso primeiro evento, para testarmos o formato e a organização”, explicou, acrescentando que o objetivo é dar seguimento com futuras edições. O objetivo passa por criar uma ligação precoce dos alunos à robótica e incentivar futuras participações no clube.
O clube, que conta com cerca de 45 alunos, tem vindo a ganhar notoriedade nos últimos anos, com vários prémios conquistados, e prepara-se para representar Portugal nas Olimpíadas Mundiais de Robótica pelo terceiro ano consecutivo.
O docente destacou os benefícios que estas atividades têm trazido aos jovens participantes. Além das competências técnicas, sublinhou a importância da dimensão social. “Eles fazem muitos amigos e interagem entre diferentes idades; temos alunos do 7.º ao 12.º ano a trabalhar em conjunto”, afirmou.
Para Maria Sousa e Kauã Lima, a experiência ajudou a consolidar a intenção de prosseguirem estudos e carreiras ligadas à informática e à robótica. “É um setor com muita procura. Embora a Inteligência Artificial consiga fazer muito, a manutenção de máquinas requer intervenção humana especializada. A robótica abriu as nossas mentes para as necessidades reais do mercado de trabalho”, realça Kauã Lima.

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