Quarta-feira, 12 _ Agosto _ 2026, 11:54
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Alvorninha registou marcas do Mercado de Santana e de Capital da Cebola

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Iniciativa decorreu junto ao mural “Alvorninha” e contou com convidados do ramo da política, administração pública e empresarial

A Junta de Freguesia de Alvorninha quer transformar a sua identidade numa ferramenta de desenvolvimento. Através da criação e valorização de marcas associadas ao território, o executivo liderado por Filipe Caetano apresentou uma estratégia que passa pela candidatura a Vila Histórica, pelo reforço da notoriedade do Mercado Santana e pela afirmação de Alvorninha como Capital da Cebola. A visão foi apresentada no colóquio “Proximidade Desenvolve Territórios”, que se realizou na passada segunda-feira junto ao mural no centro da localidade.
Filipe Caetano apresentou cinco eixos para o desenvolvimento da freguesia de Alvorninha a partir dos recursos do território que não se encontram devidamente valorizados. O primeiro eixo passa pela candidatura de Alvorninha a Vila Histórica. O autarca sustenta a pretensão pelo património que considera “singular”. Em 1143, a vila recebeu a passagem de D. Afonso Henriques, teve depois governo próprio durante mais de seis séculos e acolheu a primeira escola agrícola do país, fundada pelos monges de Cister. “Alvorninha não pede um lugar, retoma o seu”, afirmou o presidente da junta.
A junta concluiu recentemente o registo da marca do Mercado de Santana e do slogan “Todos os domingos nasce uma cidade”, procurando consolidar a associação entre o maior mercado semanal do concelho e a freguesia onde se realiza. O objetivo passa por eliminar dúvidas sobre a sua localização – que muitos atribuem a Rio Maior – e afirmar definitivamente o mercado como um ativo de Alvorninha e do concelho das Caldas da Rainha. “São 479 lugares de venda, 311 feirantes e mais de 17 mil metros quadrados de área comercial concentrados num único dia da semana”, realçou Filipe Caetano, num mercado que se realiza há cerca de 40 anos sem interrupções e atrai visitantes de vários pontos da região. Para a junta, trata-se de um ativo económico, turístico e identitário que merece uma estratégia própria de promoção, com reforço da comunicação digital, sinalização, melhoria dos acessos e valorização da experiência dos visitantes.
“Criámos sinalética, um pórtico de entrada e estacionamento para autocarros de excursões, aproveitando também o fluxo de visitantes das Rotas de Fátima”, realçou o autarca.
Além da marca Mercade do Santana, a junta registou igualmente a marca “Alvorninha Capital da Cebola”, procurando associar ao território uma produção que, segundo o executivo, abastece grande parte dos mercados e feiras da região. A iniciativa pretende valorizar os produtores locais, reforçar a ligação entre agricultura e identidade territorial e criar novas oportunidades de promoção económica. “A produção é nossa, o nome hoje é de outros”, sintetizou Filipe Caetano, defendendo que Alvorninha deve assumir o protagonismo de uma atividade que faz parte da sua história.
A estratégia foi desenvolvida com o apoio do projeto “Ser e Ter Freguesia”, criado pela socióloga Carla Branco e pela professora Marta Gesteiro. A iniciativa visa trabalhar a valorização do património material e imaterial da freguesia, procurando transformá-lo em fator de competitividade e desenvolvimento sustentável.
Para Carla Branco, a afirmação de marcas territoriais pode desempenhar um papel decisivo na atração de investimento e no combate ao despovoamento. A responsável considera que tanto o Mercado Santana como a cebola representam ativos diferenciadores capazes de gerar valor económico e notoriedade. “A melhor forma de comunicação de uma freguesia é quando os fregueses falam do seu território com orgulho”, defendeu.
A especialista sublinhou ainda que a criação de emprego e a fixação de população dependem cada vez mais da capacidade de os territórios se distinguirem. “Para criar emprego e fixar pessoas, especialmente os jovens, é necessário criar uma narrativa que explique muito bem o que este território tem de singular”, afirmou, apontando o Mercado Santana e a tradição agrícola como pontos de partida para essa construção identitária.
Além destas iniciativas, a junta pretende valorizar a barragem de Alvorninha e desenvolver uma rota turística que integre património, paisagem, gastronomia e atividades económicas locais.
O colóquio contou com a presença de Vítor Marques e Fernando Costa, presidentes da Câmara e da Assmbleia Municipal das Caldas, do vereador e deputado na Assembleia da República Hugo Oliveira, de Vasco Costa, responsável pelo acompanhamento do projeto da barragem de Alvorninha na CCDR LVT, e de Jorge Soares, empresário agrícola e presidente da Maçã de Alcobala. A iniciativa, que contou com cerca de 150 participantes, teve ainda uma mostra de produtos da freguesia.

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