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Óbidos “revive” os tempos de incerteza e intriga do reinado de Leonor Teles

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Os combates na liça são um dos grandes atrativos

É D. Fernando quem governa Portugal, mas é de Leonor Teles que se fala: a mulher que ousou desafiar a coroa e dividir a “alma de um reino” e que ficou marcada pelo nome de Aleivosa. Óbidos recua, por estes dias, ao “turbulento” século XIV, onde se desenrola o reinado de D. Fernando e da enigmática Leonor Teles, que despertou amor no rei e ódio no povo.
O mercado medieval traz de volta, nesta edição e inspirado no enredo de D. Leonor Teles o “Assalto ao Castelo”, um espetáculo que conta com a participação de cerca de 40 atores, num enredo que se desenvolve ao longo de todo o recinto e que junta combates, fogo e pirotecnia, a acontecer em vários locais. “A ideia passa por criar uma imersividade totalmente diferente deste espetáculo, para que o público possa conhecê-lo em várias frentes, e que termine num espetáculo de grande formato no terreiro da pousada”, explica Pedro Rodrigues, presidente da Óbidos Criativa.
Este ano, a organização abriu, por completo, recinto do evento para acolher todas as iniciativas, que estão abrangidas pelo bilhete geral. Paralelamente a isso, no palco da Liça, para além dos torneios que decorrem diariamente, também são realizados espetáculos de música, dança e de teatro. Este passa, assim, “a ser um palco que não é exclusivo aos torneios, mas que acolhe também outra programação”, salientou o responsável.
A Igreja de S. João do Mocharro, situada na encosta do castelo, também abre as suas portas por esta altura, permitindo aos visitantes uma “vivência” de mosteiro, com um frade e freiras a celebrar “missas” periódicas. Os mais novos podem contar com o Medieval dos Petizes, um espaço cenográfico “inédito e exclusivo” para crianças, onde podem encontrar atividades e ofícios dos tempos da Idade Média direcionados para a sua faixa etária.
Na cerca do castelo há também o “Serão Real”, este ano com um formato alargado que inclui trajes da época, cortejo, assistência a torneios na bancada real e uma ceia medieval. Pelo recinto estão ainda dispostas 13 tabernas geridas pelas associações locais com propostas gastronómicas baseadas na época histórica.
A temática desta edição segue a linha cronológica, ou seja, abordando os sucessivos reinados portugueses, e também no foco que é dado às mulheres, neste caso, as rainhas. Têm sido elas as protagonistas do Mercado Medieval, potenciando as suas personalidades mais demarcadas, tendo em conta que Óbidos foi uma vila das rainhas.
Como “estratégia na valorização do evento ao longo do tempo”, a organização aposta em residências artísticas, que este ano contou com cerca de 60 inscritos, divididos entre o teatro e as artes performativas e vertente da produção.
Esta edição, cujo orçamento se situa nos 550 mil euros, conta com cerca de meio milhar de pessoas envolvidas, entre artistas, animadores, participantes nas coletividades envolvidas e recursos humanos da organização.
Nos primeiros quatro dias o evento foi visitado por cerca de 50 mil pessoas e a estimativa da organização é de que, até 26 de julho, 150 mil pessoas possam entrar no certame e “vivenciar” toda a experiência dos tempos medievais.

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