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Brecht nas ruínas da Casa da Cultura

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Ao todo estiveram em palco 22 pessoas entre atores e atrizes, profissionais, amadores e estudantes de teatro e músicos

Entre os dias 14 e 21 de julho, o teatro da Rainha representou a peça “Luz nas Trevas” de Brecht nas ruínas da Casa da Cultura. A entrada do público foi feita pelo parque e em muitas noites houve fila entre quem quis assistir a esta peça.
A plateia foi instalada no espaço que já foi o auditório da Casa da Cultura e que agora é um ruína ar livre. A peça, encenada por Luís Varela, contou com casa cheia na maioria das noites pois já é habitual que o grupo de teatro residente faça espetáculos ao ar livre no verão.
“Em palco estivemos 22 pessoas, entre atores entre profissionais, amadores e estudantes de teatro e músicos”, contou José Carlos Faria um dos responsáveis pelo grupo de teatro. Contam-se entre os participantes estagiários da Licenciatura em Teatro da ESAD e participantes das Oficinas de Formação Artística e Teatral do Teatro da Rainha, todos unidos para dar vida a esta peça de Brecht que tem vários momento musicais. Em palco estão também quatro músicos (guitarra eléctrica, clarinete, saxofone tenor e bateria) que completam a representação com música ao vivo.
A autarquia apoiou a apresentação do grupo que em “Luz nas Trevas” conta a história de Paduk, um homem que quer subir na vida e que, para tal, monta na rua dos bordéis um negócio de palestras sobre os malefícios da prostituição e as doenças venéreas associadas. Do topo do pavilhão, um potente projetor que lança luz sobre as casas de perdição. Da história ainda faz parte um ajudante mal pago que assegura as palestras, enquanto que Paduk se ocupa da bilheteira.
Uma tal “madame” Hogge, dona de uma “casa de meninas”, velha no negócio, experiente e ponderada propõe uma parceria a este empresário dado que o negócio de Paduk também não poderia viver sem o seu.
Esta peça – que é sempre apresentada ao ar livre – este ano ainda beneficiou dos quentes serões, menos habituais por terras oestinas
. “Logo nos primeiros três dias, tivemos pelo menos 500 pessoas”, referiu o ator a quem chegam sinais de agrado do público com esta peça que se dedica aos costumes.
Para José Carlos Faria “é uma dor de alma estar neste espaço…Era um auditório todo equipada e não consigo mesmo entender como se tornou nesta ruína…”, contou o ator relembrando que a certa altura, o Teatro da Rainha deixou as Caldas para se estabelecer em Évora.
“O trabalho teatral da Rainha nasceu ali, eu trabalhei na Casa da Cultura desde 1978 e até já lá andava antes”.
Por isso “é uma dor no coração ver ao estado que a Casa da Cultura chegou…Acho que houve uma atitude que merecia um outro olhar e enquadramento, porque havia um auditório da Casa que foi desfeito. Como, porquê e por quem, ….não sei responder”.
Para o ator e músico há falta de espaços para a Cultura na cidade e ainda sugeriu a recuperação do auditório do antigo edifício do GAT. “Faz falta à cidade”, referiu José Carlos Faria que espera que o espaço do Centro da Juventude possa abrir as suas portas muito em breve.
narciso@gazetadascaldas.pt

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