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ESAD.CR prepara-se para novas ofertas

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Até 2029 vão começar a funcionar doutoramentos na escola de artes caldense. A escola do IPL está a preparar-se para ser universidade

A completar 36 anos, a ESAD.CR irá mudar com a anunciada passagem do Instituto Politécnico de Leiria a universidade. Haverá mudanças e novas ofertas na escola de artes que atualmente possui cerca de 1600 estudantes e 170 professores.

Uma delas e já em curso será a possibilidade de realizar doutoramento pois o LIDA- Laboratório de Investigação em Design e Artes LIDA, o centro de investigação da ESAD.CR obteve a classificação de Excelente. Como tal dentro de alguns anos Caldas passará a ter os três ciclos académicos nas Caldas.

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A escola de artes irá também passar a conta com curso de verão,” algo que temos vindo a pensar desenvolver. Segundo a diretora Cláudia Pernencar “muitos dos nossos cursos já estão muito alinhados – na sua agenda – que com o que se faz nas universidades”.

Exemplifica com a existência de projeto, alicerçado à cadeira principal, e com o facto da escola de artes caldense possuir um conjunto de oficinas que são, simultaneamente, laboratórios letivos. “E essa é uma contaminação que não se deve perder”, disse a diretora acrescentando que é preciso também atender às especificidades relacionadas com o ensino artístico, não só na ESAD como em todo o país. “Enquanto criadores, somos inventores e muito criativos e em muitos casos já estamos à frente, do nosso tempo”.

Na sua opinião, a própria ESAD .CR terá que encontrar o seu caminho de transformação para universidade, sem esquecer o seu DNA , construído ao longo dos 40 anos, dos docentes que temos, da atratividade que a escola vai ter, e que terá que incluir novos públicos, mas também manter aquele público que é a cultura da escola.

Atenta aos novos fluxos de migrantes, a dirigente considera que será necessário acolher novos perfis de estudantes oriundos de várias latitudes com os quais a própria cidade já trabalha.

Haverá pois um período de implementação e um outro de instalação que legalmente se estende entre três e cinco anos.

A diretora crê que as alterações não influenciarão as próprias dinâmicas da escola mas têm sido feitas reuniões gerais com professores e alunos sobre as alterações que implica a passagem para universidade.

Perspetiva-se uma vontade de “olharmos para a área do design das artes e da cultura e de avançar nos três domínios. “E não era preciso passar para a Universidade para que isso acontecesse”, sublinhou a diretora dando conta que o facto do centro de investigação LIDA ter tido a classificação de Excelente “dá-nos condições para criar o terceiro ciclo de raiz”.

Mas há um desafio: em determinadas áreas existe muita oferta e algumas das escolas do IPL também já têm terceiro ciclo de estudos por causa das boas classificações dos seus centros de investigação.

“Temos a meta de abrir um doutoramento pelo menos até 2029”, concretizou a docente que continua a ser júri e a orientar doutorandos. Estamos a estudar as hipóteses entre o design, as artes e a cultura e será uma grande conquista para a região. Cláudia Pernencar sublinhou que os doutoramentos não têm que ser necessariamente teóricos, podendo apostar também na vertente prática.

Também está a ser equacionada a possibilidade de ter aulas em inglês, sem contudo esquecer os alunos de primeiro ano do primeiro ciclo do ensino superior. “Não será esquecida a nossa vertente prática, a escolha por metodologias ativas mais centradas no estudante e não tão fechada em sala de aula.

“Queremos manter a nossa forte ligação com as oficinas que pode ser vista também ao longo dos vários ciclos de estudo. “Gostava de ter no futuro uma mezzanine onde se encontram a trabalhar a e a contaminar-se alunos dos diferentes ciclos de ensino desde as licenciaturas até ao doutoramento, sem esquecer os mestrados”. A diretora diz que para já esta ideia “é um sonho” mas que é bem possível pois respeita o espírito laboratorial que a própria escola já possui.

Escola extravasa para a cidade
Cláudia Pernencar recordou que a escola, que começou com a área das artes plásticas, da escultura e da cerâmica acabou por ser “contaminada”a pela área do design e da cultura, e considera que essa contaminação “é positiva” e traduz-se na quantidade de estúdios que existem nas Caldas.

“A própria escola está a pensar em identificar de forma mais objetiva como é que estes alunos que saem da escola vão para fora, mas depois regressam para viver já com as suas famílias”.

Na sua opinião há de facto esse sentimento pertença à escola e essa ideia de “colo”, ou seja, há um sentimento de identificação com a cultura das Caldas pois quando voltam é para estabelecer os seus próprios ateliers e negócios. “Há uma cultura que se enraizou, que foi crescendo, onde se inclui a frequência na ESAD.CR. “Alguns voltam até para leccionar portanto “eu diria que essa criatividade vive em contaminação contínua de pessoas que estudaram aqui há 30 anos, hoje em dia têm aquela sensação de pertença”.

Segundo Cláudia Pernencar, a escola de artes caldense possui um método de ensino, assente na prática, que dá a liberdade e a criatividade aos seus jovens estudantes. E destaca a grande proximidade dos docentes com os estudantes e a base de trabalho na informalidade.

Há até quem refira, dos seus tempos de estudante que o que mais os marca durante o tempo de estudantes é “o que acontece fora da escola”. Há pois uma dinâmica grande de coletivos constituídos por artistas que também dão oportunidade a autores emergentes, mais independentes.

A diretora também chama a atenção para o facto da ESAD.CR hoje ter alunos muito diferentes dos estudantes de há dez ou 20 anos e constata que hoje “temos vários perfis , alunos com diferentes formas de pensar e é nessa riqueza que a criatividade nos torna uma escola única”.

Cláudia Pernencar cinsidera que existe um perfil de estudante que sabe que a escola de artes caldense valoriza o espaço criativo, os ateliês, as obras de autor, a ligação, por exemplo, com a indústria.

Por outro lado, explicou a diretora “vamos sendo confrontados aqui com outros tipos de estudantes que querem fazer coisas completamente diferentes”.
Cláudia Pernencar dá como exemplo a aproximação da ESAD.CR aos agrupamentos escolares, que têm estudantes das mais variadas nacionalidades. E dá a conhecer que a escola de artes, no futuro, irá lidar com essas latitudes e terá que pensar como poderá ser um ambiente atrativo para esses estudantes.

Na sua opinião, a criatividade “não é só aquilo que os estudantes fazem”. Na sua opinião esta também poderá ser constatada na capacidade da própria escola “ser criativa e de se reinventar”. A Cátedra em “Gestão das Artes e da Cultura, Cidades e Criatividade” – criada por João Serra foi renovada até ao final do ano e é uma chancela muito importante “para a instituição e para o território”. Para a diretora, a Cátedra permite, digamos assim, ser um alicerce.

E não só a Cátedra e as atividades realizadas no âmbito do Plano Nacional das Artes deveriam ser abertas e até comunicadas à comunidade. “Estamos a fazer o caminho, estamos a identificar também como é que podemos fazer essa ligação ao facto das Caldas ser uma Cidade Criativa da Unesco”, disse .

A diretora acrescentou que se têm realizado atividades no âmbito destes programas mas estas têm sido dadas a conhecer sobretudo entre a comunidade escolar. A responsável crê que os antigos alunos da ESAD,CR poderão ter um importante papel na difusão das ações destes programas.

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