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Memórias da cerâmica no palco do CCC

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A atriz e a ceramista dão corpo e alma a esta narrativa sobre memórias desta arte

Espetáculo trouxe ao palco a arte, as memórias e o saber-fazer da cerâmica

O espetáculo “Memória do Barro” da companhia Trigo Limpo Teatro ACERT foi apresentado no CCC a 19 de junho.

A peça, interpretada pela atriz Sandra Santos e pela ceramista Xana Monteiro que se dedica à cerâmica negra de Molelos, surpreendeu o público, apesar de quase não fazer uso da palavra.

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O espetáculo, estreado em dezembro último, tem sido apresentado em várias localidades do país e também nas escolas do concelho de Tondela. Trata-se pois de “uma homenagem a quem se dedicou e quem se dedica ao trabalho cerâmico”, disse Sandra Santos que interpreta duas personagens nesta peça: uma senhora com alguma idade que representa a tradição e que conta como era o papel da mulher numa sociedade patriarcal. Ou seja, ajudava nas mil tarefas ligadas a este tipo de trabalho “só não podia trabalhar na roda, era uma vergonha, conforme se explora no texto”, contou Sandra Santos acrescentando que as mulheres não tinham sequer direito a ter profissão.

No espetáculo não é apenas a cerâmica que é retratada. Há um chamar da atenção do público para o facto de haver outras artes que estão a morrer se não forem valorizadas. Há uma toalha de linho, um cesto e peças de metal que recordam que estão a desaparecer as tecedeiras, os ferreiros e os cesteiros.

“Seria importante para os jovens dar continuidade a estas artes, cujos produtos continuam a ter procura”, disse Sandra Santos.

A peça que reflete sobre a presença e o papel da mulher na olaria e na cerâmica ao longo dos tempos, alia o teatro, dança e criação cerâmica mostrando ao público vários quadros onde também se destaca a banda sonora da peça que recorre aos mais variados tipos de som relacionados com o universo da cerâmica.

Comer e beber cerâmica
Nesta peça também se come e bebe cerâmica (argila verde). Foi feita referência às “galletas de barro” do Haiti, conhecidas como biscoitos que são feitos de argila, sal e gordura vegetal. E em muitas situações de desastres naturais como catástrofes ou terramotos – ou de pobreza extrema eram consumidas para enganar a fome.

Estas bolachas feitas de barro, que a atriz e a ceramista comem no palco – são também uma prática cultural antiga pois estas eram também consumidas por grávidas. É que barro possui minerais que atuam como suplemento de cálcio e antiácido.

Na segunda parte do espetáculo é feita referência a um lado mais lúdico da cerâmica onde as personagens – oleira e a sua aprendiz – por um lado dançam e transforam peças de barro em máscaras. Num segundo momento, as personagens dão vida a um exército de soldados de barro.

“Há muitos quadros que são para cada pessoa fazer a sua leitura pessoal”, disseram as duas autoras que partilharam ideias no final da peça com o próprio público.

Quem assiste traz-lhes sempre “ótimas e interessantes leituras pessoais sobre os diferentes momentos do espetáculo”. A próxima apresentação de “Memória do Barro” será no próximo dia 5 de setembro em Tomar.

Para as autoras, ter feito parte da programação cultural da Mostra Mercado Mestra “foi muito importante e uma mais valia”.

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