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Debate sobre hidrogénio no ensino profissional passou pelas Caldas

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A sessão de abertura com as entidades oficiais

A Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro acolheu, a 28 de abril, a conferência internacional “Hydrogen – a key topic for the future in vocational education and training for sustainable development”. Integrado no programa Erasmus+, o evento reuniu 44 especialistas de oito países para debater a introdução do hidrogénio nos currículos do ensino profissional, num contexto de transição energética e sustentabilidade.
A iniciativa insere-se na diretiva da Comissão Europeia de 2018 para a criação de centros de excelência no ensino profissional. Segundo o coordenador da Rede de Excelência do Ensino Profissional, Stefan Nowatschin, o projeto teve início em 2019 e encontra-se atualmente na sua terceira fase. Após uma primeira reunião em Atenas, no ano passado, o ciclo termina em novembro, em Uelzen, na Alemanha.
O principal objetivo passa pela criação de novos referenciais educativos. “Estamos a desenvolver situações e modelos de aprendizagem para preparar os alunos para a educação e formação profissional”, explicou Stefan Nowatschin, sublinhando que o trabalho abrange vários níveis de ensino, do secundário ao ensino superior aplicado.
O processo envolve escolas, universidades e investigadores de vários países, sendo posteriormente alargado a nível global através de sessões online com instituições do Brasil, Austrália, Tailândia e Índia.
Face ao atual contexto internacional, o responsável destacou a urgência da mudança: “As guerras e os problemas energéticos globais exigem uma transição energética. Isso implica formação especializada para qualificar trabalhadores. A era do hidrogénio poderá chegar mais depressa do que se pensa”.
A organização local esteve a cargo do Centro de Formação de Escolas do Centro Oeste, que abrange os concelhos das Caldas da Rainha, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Peniche. A diretora, Cristina Faria Santos, explicou que a conferência estava inicialmente prevista para Espanha, tendo sido transferida para Portugal devido à capacidade de resposta da organização nacional.
A Escola Rafael Bordalo Pinheiro, parceira desde o início desta edição, foi a escolhida para acolher o encontro. Os 44 participantes presenciais representaram delegações da Alemanha, Polónia, Estónia, Grécia e Portugal, enquanto outros membros acompanharam os trabalhos à distância.
Em Portugal, o projeto pretende antecipar as necessidades da indústria, nomeadamente em áreas como mecatrónica, automóvel e indústria geral. “Trata-se de um trabalho antecipatório para consolidar conhecimento científico, num momento em que é essencial distinguir factos de perceções no debate sobre o hidrogénio como alternativa aos combustíveis fósseis”, referiu Cristina Faria Santos.
“Cada parceiro recorre à produção científica do seu país para definir o que deve ser integrado nos currículos dos alunos que irão trabalhar na indústria. A partir deste trabalho em rede, os referenciais do ensino profissional são redefinidos”, acrescentou.
Durante a conferência, os participantes conheceram ainda o projeto da Fuel Cell Team, do Instituto Superior Técnico, que já desenvolveu dois automóveis movidos a hidrogénio e prepara o lançamento, em setembro, de um modelo autónomo com a mesma tecnologia, além de estar na competição Shell Eco-Marathon com o objetivo de criar o automóvel mais eficiente do mundo.
Na sessão de abertura, Maria João Dias, da direção da escola, destacou o compromisso europeu com a inovação, a qualificação e a sustentabilidade no ensino profissional, sublinhando que o hidrogénio, enquanto vetor energético, exige novas competências e maior articulação entre escolas, empresas e instituições. Já a vereadora da Educação das Caldas da Rainha, Conceição Henriques, salientou a importância de reunir especialistas de vários países para debater soluções para o futuro energético, considerando que a humanidade atravessa um ponto de viragem em que a energia é também uma questão de sobrevivência, defendendo por isso o papel da escola na preparação das novas gerações e na integração destas temáticas nos currículos.

AERBP amplia mobilidades e qualificação

O Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro (AERBP) está a consolidar a sua estratégia de internacionalização e de qualificação, através de projetos europeus e nacionais que envolvem alunos, docentes e profissionais. No âmbito do programa Erasmus+, o agrupamento já promoveu e recebeu, no atual ano letivo, mais de três dezenas de mobilidades, reforçando parcerias com países como Alemanha, Espanha, Itália, Polónia, Islândia ou Grécia.
As iniciativas abrangem tanto o ensino profissional como o ensino regular, incluindo mobilidades de alunos, formação de professores e estágios em contexto de trabalho. Destaque para as deslocações de alunos a várias cidades espanholas, ações de job shadowing para docentes e a receção de estudantes e professores estrangeiros nas Caldas. Ao longo dos próximos meses, estão previstas novas mobilidades, incluindo visitas de escolas europeias e estágios de alunos na Alemanha.
Paralelamente, o AERBP integra o projeto europeu Jean Monnet, centrado na cidadania ativa. Esta dinâmica visa promover a inovação pedagógica, alargar horizontes culturais e preparar alunos e professores para um contexto cada vez mais global.
A aposta na qualificação estende-se também ao Centro Qualifica do agrupamento, que iniciou recentemente uma colaboração com o Serviço Regional de Proteção Civil da Madeira. Entre 13 e 16 de abril, uma equipa deslocou-se à região para dar início ao processo de certificação de bombeiros, tendo realizado cerca de uma centena de entrevistas de diagnóstico.
Deste trabalho resultará, já a partir de maio, o arranque de um grupo de 30 bombeiros para obtenção de equivalência ao ensino secundário, seguindo-se, em junho, processos de certificação profissional que abrangerão mais de 50 operacionais nas áreas de Bombeiro e Técnico de Proteção Civil.

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