
António José Seguro tomou posse e foi acompanhado por vários caldenses, entre os quais o presidente Vítor Marques e vários familiares e amigos
A tomada de posse de António José Seguro, na passada segunda-feira, foi acompanhada ao vivo por um grupo de caldenses, do qual fizeram parte o presidente da Câmara, Vítor Marques, como convidado oficial, e também vários amigos e familiares do 21.º Presidente da República. A cerimónia oficial, que decorreu no Palácio de São Bento, juntou cerca de 600 convidados, incluindo seis chefes de Estado estrangeiros, e prolongou-se durante a tarde até ao Palácio de Belém, onde teve ainda oportunidade de ter contacto com a população.
Vítor Marques considerou um “privilégio” a oportunidade de assistir como convidado oficial à cerimónia, mas ganha um significado ainda mais especial por esta ser centrada num caldense, ainda que por adoção. “Assistir a este ato solene é algo que me que deixa muito grato, mas depois há a parte emocional, de ser um caldense que vai representar ao mais alto nível a nossa nação”, sustentou.
O autarca caldense deixa grandes elogios a António José Seguro pela forma como geriu todo este processo, desde o lançamento da candidatura até ao dia da tomada de posse, centrando toda a sua ação nas Caldas da Rainha, onde vai manter a residência oficial. “Terá necessidade de se deslocar entre um lado e outro, mas Caldas continuar a ser a sua âncora é algo que nos satisfaz”, diz Vítor Marques, acrescentando que essa decisão revela a forma como o novo Presidente da República vê o território. “Mostra que Portugal não é só Lisboa, como muitas vezes se diz, e que Caldas tem tudo o que um Presidente da República precisa para viver e exercer a sua função. É uma grande satisfação para todos os caldenses”, sublinha.
Além do presidente da Câmara caldense, acompanhou António José Seguro, neste dia, um grupo de caldenses do seu círculo pessoal, nomeadamente amigos e familiares, começando pela mulher, Margarida Freitas, e os filhos Maria e António. Uma das imagens icónicas do dia foi a subida da rampa do Palácio de Belém, que António José Seguro fez a pé, lado a lado e de mãos dadas, com a mulher e os filhos, que contrastou com a do seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que entrou e saiu sozinho da residência oficial do Presidente da República.
Nesse grupo esteve Paulo Espírito Santo, membro da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha pelo PSD e amigo pessoal de António José Seguro. “Tive muito gosto e muito orgulho em receber o convite e foi ainda com maior orgulho ter o privilégio de poder ter estado num momento tão importante para a nossa democracia com um amigo, porque o António é um amigo”, disse à Gazeta das Caldas.
O advogado e político reafirma o “orgulho” de ver um caldense no mais alto cargo da nação e acredita que o concelho pode também ganhar com isso. “No poder local queixamo-nos de que as nossas preocupações não chegam ao poder central. O Presidente da República não tem um carácter executivo, mas estou certo que ele próprio conhece as preocupações dos caldenses e, na sua magistratura de influência, poderá ser mais uma força na defesa do nosso território”, acredita.
A seguir à tomada de posse, ainda em São Bento, Paulo Espírito Santo viveu um momento que acredita que é simbólico do que é a personalidade do novo Presidente. “No meio de toda aquela solenidade, houve tempo para um gesto de amizade, foi um momento breve, mas muito sincero”, diz, acrescentando que esse relacionamento humano de António José Seguro e a sua postura moderada e dialogante foram um trunfo na campanha e também o serão na presidência.
Na tomada de posse, António José Seguro voltou a fazer um discurso agregador e, perante um cenário geopolítico diferente do que havia um mês antes, quando ganhou as eleições, apelou também a uma Europa mais interventiva. Apelou à estabilidade política, ao diálogo entre partidos e à recuperação da confiança dos portugueses nas instituições, defendendo que o país tem agora – com três anos pela frente sem eleições – uma “oportunidade de ouro” para realizar reformas estruturais.
António José Seguro alertou para os desafios que o país enfrenta, referindo “crescimento insuficiente, baixos salários, desigualdades, pobreza, envelhecimento demográfico, morosidade na justiça e dificuldades no acesso à saúde e à habitação”.
Entre as prioridades para o mandato, apontou a defesa do Serviço Nacional de Saúde, anunciando a intenção de promover um compromisso interpartidário nesta área, bem como na habitação, na justiça e no crescimento económico com melhores salários.
Na parte final do discurso, deixou uma mensagem de esperança aos portugueses. “Sei que há muito sofrimento e desalento, mas deixo-vos uma palavra de esperança: acreditem em Portugal”, afirmou, defendendo a necessidade de recuperar “o sentido de comunidade”. “Um tempo novo começa agora. É hora de substituir a nostalgia pela visão de um Portugal renovado, moderno e justo”, concluiu.









