Quarta-feira, 12 _ Agosto _ 2026, 11:54
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“Analisar a Praça de uma forma integrada”

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O arquiteto Filipe Santos foi um dos participantes da segunda parte do debate

Testemunhos

Filipe Santos – Arquiteto – “Olhar a questão de forma integrada. É preciso olhar para a Praça, para além do mercado”
“Discutir a Praça da Fruta assemelha-se à quadratura do círculo pois para introduzirmos elementos de melhorias para o conforto dos vendedores, estes poderão ser estranhos à linguagem deste espaço, podendo dessa forma contribuir para o fim da Praça.
Temos que olhar este assunto de uma forma integrada, mas mais do que os dois mercados – Fruta e Peixe -, temos que perceber o que é que se passa para além dos dois mercados.
O mercado da fruta é parte do que é a identidade da Praça da Fruta. Temos que olhar para o que se passa também depois do mercado. E qualquer estrutura estranha que venha a ficar de forma permanente depois do mercado, vai retirar o que é a mística desta vivência. Uma futura solução não agradará a todos. Nós vamos à Praça da Fruta por causa dos produtos. Isto era um mercado de produto, passou a ser uma experiência e tem que voltar a ser um mercado de produto. Não me interessa vir à praça para comprar fruta espanhola. E há lá muita. Portanto, temos que repensar o mercado, as condições das pessoas, mas é só uma parte do problema, não podemos reduzir o problema da Praça da Fruta ao problema do conforto dos vendedores e dos compradores”.
Bruno Martins – da Iniciativa Liberal de Óbidos – “Grande preocupação com quem continuará a vender na Praça”
“Relembro que há uma fatia considerável de vendedores e produtos da Praça da Fruta que são do concelho de Óbidos. Também questionámos os vendedores da Praça e notámos que há uma grande preocupação que é a questão da sucessão.
A maioria dos vendedores da Praça da Fruta já têm alguma idade e preocupa-os quem ficará a vender no futuro.
Gostaria de saber se estão a ser pensadas medidas para melhorar as condições de quem vende e também de quem compra neste mercado.
O estacionamento que existe em volta da Praça deveria ser gratuito por períodos curtos de 15 a 20 minutos, ou seja, tempo suficiente para as pessoas chegarem, estacionarem, comprarem os seus produtos e ir embora.
Sem a possibilidade de estacionamento, as pessoas preferem a comodidade que oferecem os supermercados, mesmo adquirindo produtos de qualidade inferior àqueles que se vendem na Praça.
Tenho ainda preocupações com a “sucessão” dos vendedores. Temos que perceber o que é que faz falta aos produtores mais novos ou o que é que faz falta às pessoas mais novas para serem incentivadas a produzir, vender e a substituir estes que cá estão e que garantam a continuidade da Praça da Fruta por muitos e muitos anos.

José Luís Almeida Silva – Antigo diretor da Gazeta das Caldas – “Promover melhor os produtos, apostando no marketing”
Nasci na Praça há 70 e tal anos, por isso, vivi aqui muitos anos até ir para outros sítios do mundo. Por ter nascido próximo deste lugar fez com que, nas minhas deambulações por outros países, um dos pontos que eu ia sempre visitar eram as praças e mercados…
Por todo o mundo há mercados fechados como em Barcelona ou Madrid e também há muitas praças ao ar livre na Suíça, na Bélgica, na Eslovénia, na Croácia e na Finlândia.
Em Nova Iorque há praças ao ar livre que não são diários como nas Caldas. Há por exemplo um que se faz junto à 5ª Avenida e que se dedicada aos produtos da terra. Cada lugar de venda tem fotografias dos lugares onde as coisas são produzidas, a morada e as pessoas que quiserem podem ir ver onde se cultivam aqueles produtos.
Nas Caldas devem ser valorizados os vendedores que fazem auto-produção e estes devem até ser beneficiados em relação às pessoas que vão ao mercado abastecedor à noite e vêm vender logo de manhã. E estes vendem todos os mesmos produtos,
A cidade deveria ser promovida nos meios de comunicação nacionais, onde se deveria dar a conhecer que há um mercado aberto, ao ar livre. Deve-se fazer uma aposta forte no marketing, de afirmação e de comunicação sobre a Praça da Fruta. Já houve uma tentativa de se criar uns sacos temáticos e deve-se continuar a fazer esse tipo de aposta.
Teremos também que caracterizar e valorizar a produção autónoma, a produção direta e no próprio local onde se está a vender. Poderia haver diferenciação no nível dos custos. Creio que se devia pagar para que certas pessoas virem vender na Praça, a sua produção própria.
Jorge Sobral – Munícipe e antigo autarca “Conheço produtores que revendem o que cultivam”
O concelho das Caldas é agrícola e devemos pensar em como é que se atrai mais agricultores à Praça.
Vivo numa freguesia rural caldense, conheço produtores que quase não saem dos locais onde vivem pois as empresas revendedoras vão às suas casas buscar quase diariamente os produtos eles cultivam.
Nós poderíamos ajudar muitos desses agricultores para que eles pudessem colaborar com esta necessidade de dar vida à praça. Na última Assembleia de Freguesia em Alvorninha em que eu participei estivemos a discutir sobre a cebola. Todos os anos realiza-se em Rio Maior a Feira da Cebola e dos cerca de 20 a 30 vendedores de cebola que fazem esta iniciativa são de Alvorninha. Ora se a cebola é do concelho das Caldas porque não certificá-la? Seria uma iniciativa de valorização. É preciso apostar na valorização destes produtos e em como fazer para atrair esses agricultores à Praça da Fruta, mesmo que essa colaboração tenha custos para a autarquia.
Há muitas pessoas com ideias para a Praça, fechar as ruas entre as sete da manhã e as quatro da tarde, estacionamento no local da feira e duas carrinhas da Câmara a subir e a descer para trazer bens e pessoas.
Toda a gente tem opiniões sobre esta questão que é muito complexa. Considero fundamental trazer os produtos e os vendedores-agricultores à praça.

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Liesbeth Vermoesen – Munícipe – Painéis eletrónicos com informação sobre estacionamento e localização
Em relação ao trânsito e ao estacionamento acho que poderiam existir painéis eletrónicos que dão informação sobre o número de lugares ainda livres e o nome do estacionamento. Por exemplo, algo como o estacionamento da Praça de 5 de outubro – que fica a 100 metros da praça da Fruta – e ainda tem x lugares livres. Esses painéis poderiam ser colocados nas entradas da cidade.
Acho que os bombeiros deviam ir por cima e não deviam passar aqui pela praça.
Tenho receio da colocação de uma cobertura pois temo que tirem as árvores e todos sabemos que as cidades precisam de mais árvores.
Talvez fosse possível colocar uma pérgola com trepadeira…E acho que poderia funcionar.
Uma cobertura numa estrutura fixa tem que ser muito alta para manter uma boa qualidade de ar na praça. Se é muito alta, o vento e a chuva entram na mesma por cima dos vendedores….

António Marques – Munícipe -”Vendedores da Praça também são do concelho de Óbidos”
A nossa rainha era uma mulher muito avisada e percebeu que o mercado mandava ter vendedores. D. Leonor sabia que o hospital precisava de viveres e percebeu rapidamente que para alimentar o hospital e o próprio burgo que crescia , era necessário ter uma praça. Os primeiros vendedores desta praça foram todos de Óbidos, porque este território pertencia ao concelho vizinho. Só se formou o concelho das Caldas 12 anos depois da fundação do hospital.
A Praça da Fruta das Caldas está no bilhete de identidade da cidade, tal como também está o hospital. Em segundo lugar está a praça da Fruta. Em terceiro lugar temos a cerâmica e, depois, o Parque D. Carlos.
O coração comercial das Caldas é a praça e não é apenas pelo produto que se vende cá. Os compradores, feitas as compras no mercado, também vão a outras lojas do centro da cidade das Caldas.
Temos que continuar a lutar por ter vendedores de produtos hortícolas e frutícolas pois essa é a génese do local ou então vamos ter uma praça de outra coisa qualquer.
Na verdade, muitos produtos que estão aqui vendidos não são da região, nem são produtos da terra. Creio que os presidentes de Junta que conhecem os produtores agrícolas dos seus territórios, poderiam fazer chegar à praça esses bons produtos que são cultivados nesta região.

António Curado – Médico e deputado municipal – “Ementas para os restaurantes locais com produtos da Praça”
A Praça da Fruta precisa de poder vender produtos genuínos que sejam locais e produzidos na região.
Em fevereiro de 2020, antes da pandemia, organizámos um jantar Quilómetro Zero, ou seja, feito com produtos exclusivos que se vendem neste mercado.
A ideia foi inspirada numa iniciativa similar que já acontece em Montemor-o-Novo. É possível que se façam ementas com produtos exclusivamente locais e que podem ser servidas nos restaurantes da região.
Em relação à genuinidade do produto creio que pode ser um bom caminho a aposta na certificação de produtos locais. Afinal é por causa desses produtos que se produzem por cá, que nós vamos à Praça da Fruta.

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