Quarta-feira, 12 _ Agosto _ 2026, 11:54
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“O coração das Caldas bate ali naquele empedrado”

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O juiz desembargador, e coordenador das comemorações do centenário da Gazeta das Caldas, partilhou a sua perspetiva sobre a Praça da Fruta, que considera ser “a paixão dos caldenses”. “O coração das Caldas bate ali naquele empedrado. Daí tanta paixão quando se discute o futuro da praça”, partilhou Carlos Querido que, há cerca de 20 anos, escreveu um livro sobre a praça, um local ao qual está ligado também por laços afetivos e familiares. Com raízes rurais, das quais sente muito orgulho, o orador partilhou que a sua mãe vendeu fruta na Praça e que ele também a chegou a acompanhar, dando nota do legado materno que este mercado representa para ele, tal como para tantas pessoas da região. E, ainda há uns dias, uma vendedora lhe dizia “com uma convicção inabalável, que [a Praça] era um legado da rainha”, realçando que esta era o local de encontro do mundo rural com a cidade e que ali tudo se vendia, desde animais a ovos, passando pelas frutas,legumes e artesanato.
“Numa economia agrícola de subsistência, a praça permitia equilibrar e pagar as contas. Foi a sobrevivência de tantas e tantas famílias. Eram tempos muito difíceis”, lembrou Carlos Querido, acrescentando que o mundo mudou e, talvez, a Praça tenha de mudar também. “Mas talvez haja uma forma de harmonizar a nossa ancestralidade, a nossa tradição, a nossa praça, com este mundo em movimento”, disse, referindo-se ao desafio lançado pela Gazeta das Caldas.
O coordenador das comemorações do centenário da Gazeta das Caldas, Carlos Querido, lembrou os suplementos publicados durante este ano no jornal e que assinalaram diversas efemérides e personalidades. Foram também realizadas exposições, ações de rua no Fólio e a reconstituição nas estradas do país do percurso da volta a Portugal a cavalo de 1925. Está agendada, para setembro, uma grande exposição da Gazeta das Caldas na Assembleia da República, que tem como comissário o designer Jorge Silva, e, para inícios de outubro, a inauguração de uma estátua de homenagem ao Ardina na convergência entre a Avenida 1º de Maio e a Rua Raul Proença.

Um exercício de proximidade
Antes, o administrador da Cooperativa Editorial Caldense explicou que este projeto, que começou a ser pensado no final do verão passado, insere-se na responsabilidade cívica que a Gazeta das Caldas entende dever assumir. “Um jornal local não é apenas um meio de transmitir notícias. É um exercício permanente de proximidade”, referiu acrescentando que este deve traduzir-se também numa presença ativa na vida cívica, criando condições para que as pessoas participem e para que os diferentes pontos de vista possam ser apresentados e confrontados.
Estão previstas outras temáticas de reflexão e a promoção de debates semelhantes noutros concelhos da região, tal como aconteceu com os debates autárquicos. No entanto, e tal como assumiu, “esta iniciativa acontece num momento particularmente difícil para a comunicação social local e regional”, em que os jornais de proximidade enfrentam custos crescentes, perda de receitas e profundas alterações na forma como a informação é produzida e consumida. José Luís Almeida realçou que a defesa da imprensa local “não pode ser apenas uma preocupação dos próprios jornais”, mas uma “responsabilidade de toda a comunidade e, de modo particular, dos atores políticos, institucionais, económicos e sociais”, sob pena de aumentar o deserto noticioso que alastra pelo país.

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