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Motociclista alcobacense prepara volta ao mundo

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Horácio Jácomo numa das suas viagens pelo mundo

Horácio Jácomo, natural de Alcobaça, quer dar a volta ao mundo em oito anos (percorrendo mais de 846.000 quilómetros) e bater um recorde do Guinness

Rafael Franco

O motociclista português Horácio Jácomo está a preparar uma viagem de motociclo com duração prevista de oito anos e mais de 846.000 quilómetros, com o objetivo de estabelecer um novo recorde mundial reconhecido pelo Guinness World Records.
“A Grande Viagem” deverá arrancar a 22 de agosto de 2027 até 2035, e atravessar cinco continentes e dezenas de países, da Europa às Américas, passando por África, o Médio Oriente, a Ásia e a Oceânia.

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“[O inicio da viagem parte por] sair de Alcobaça em direção a Lisboa, e apanhar o avião para o Canadá, Toronto. De Toronto, inicio a viagem: ‘Niagara Falls’, Chicago, Milwaukee, fazer a ‘route 66’ [Estrada famosa nos Estados Unidos da América com 3.940 quilómetros de extensão que liga a cidade de Chicago a de Santa Mónica]. E no fim da ‘route 66’ aponto direto à Argentina”, disse o motociclista Horácio Jácomo.

“Depois, novamente por via aérea, vou para Joanesburgo, África do Sul. África do Sul, aponto à Guiné, Madagáscar, volto para trás e começo a furar África e explorar até cá acima ao Médio Oriente, ao Egito. Depois atravesso o Médio Oriente, entro na Ásia e quero ir à Austrália. […] Depois volto, entro na Europa. Exploro a Europa pela segunda ou terceira vez e entro em Portugal por um sítio especial”, acrescentou.

Em entrevista à Gazeta das Caldas, Horácio Jácomo disse que prevê uma média diária de 300 quilómetros, o equivalente a cerca de 108.000 quilómetros por ano, num total que deverá ultrapassar os 846.000 quilómetros no final da viagem, superando o atual recorde mundial conhecido para uma viagem de longa duração de motociclo.
“Tenho, em estimativa, 300 quilómetros diários, 9 mil por mês, 108 mil por ano. Ao fim de 8 anos dá 846 mil quilómetros. Quero passar pelo máximo de continentes e países que conseguir. O meu plano é fazer 4, 5, 6 horas [de condução] no máximo, todos os dias”, explicou.

“Deixar uma marca”
O desafio surge depois de Horácio Jácomo ter vencido uma batalha contra o cancro, experiência que o motociclista disse como o momento que o levou a “avançar com um sonho há muito guardado: dar a volta ao mundo de motociclo e deixar uma marca na história do motociclismo internacional”.

A viagem inclui uma vertente chamada de “Na Linha da Frente”, através da qual o projeto pretende dar voz a portugueses que trabalham na área da saúde e do socorro em diferentes países do mundo, de médicos a bombeiros, passando por enfermeiros e técnicos de emergência médica.

Ao longo dos oito anos de expedição, Horácio Jácomo vai procurar entrevistar e documentar, através de testemunhos e conteúdos audiovisuais produzidos em vários continentes, profissionais portugueses que atuam nestas áreas, destacando o seu contributo para as comunidades onde vivem e trabalham.
O motociclista descreve o projeto como mais do que uma tentativa de recorde mundial, pretendendo torná-lo também numa “homenagem a quem está na linha da frente do serviço à vida humana”.

Aventura solidária
“A Grande Viagem” encontra-se atualmente em fase de preparação logística, angariação de apoios e parcerias e construção de uma comunidade digital que vai acompanhar o projeto desde o “quilómetro zero”, já com plataformas oficiais lançadas para divulgar a sua evolução.

“Estamos no ‘quilómetro zero’. O ‘quilómetro zero’ é o quê? É arranjar tudo o que é material camping. E nós já temos todo o equipamento de camping. Agora estamos a tentar arranjar tudo o que é material para fazer a edição dos vídeos, porque a viagem vai ser toda filmada, vai ser toda documentada. Vou precisar de três ‘gopros’, um ‘drone’, um ‘carplay’ [navegação ‘GPS’] e um computador”, disse o motociclista.

O projeto conta ainda com uma campanha de financiamento colaborativo na plataforma “GoFundMe”, com a qual Horácio Jácomo pretende angariar fundos para prever despesas como equipamento de vestuário e segurança, material multimédia para o registo da viagem, combustível e manutenção da motocicleta.

O “quilómetro zero” tem como meta os 2.500 euros, valor que o motociclista considera necessário para arrancar com o projeto, devendo seguir-se outras campanhas de angariação de fundos ao longo da expedição.

Horácio Jácomo adianta ainda que pretende doar uma percentagem das doações recebidas a associações de luta contra o cancro.
A iniciativa permite a qualquer pessoa acompanhar e apoiar a jornada desde o início, naquele que Horácio Jácomo descreve como um projeto que pretende “levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo”.

O motociclista português irá percorrer todos os países em que o deixarem entrar
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